Pecuária

Iapar divulga tecnologias do “Programa Leite Mais” no Show Rural

02/02/2016

Uma experiência prática e didática para os produtores de leite. É com este objetivo que o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) apresenta no Show Rural 2016 as soluções tecnológicas e os resultados obtidos pelos produtores participantes do “Programa Leite Mais”.

O “Programa Leite Mais” existe há pouco mais de cinco anos e envolve 32 municípios do noroeste paranaense. Seu objetivo é consolidar um modelo de assistência técnica capaz de tornar mais sustentável a produção leiteira da região. Atualmente, estão envolvidos 143 produtores de vinte municípios das regiões de Campo Mourão, Cianorte, Paranavaí, Toledo e Umuarama.

INÍCIO – Para entender a dimensão do sucesso alcançado é preciso voltar a 1988, quando o Iapar e a Emater implantaram na região Noroeste o projeto “Redes de Referências para a Agricultura Familiar”. Durante 10 anos, pesquisadores e extensionistas testaram e validaram práticas e tecnologias para a bovinocultura de leite diretamente nas propriedades acompanhadas. “Chamou a atenção o aumento significativo da produtividade obtida pelos produtores”, explica o pesquisador Vanderlei Bett, do Iapar.

Nos anos de 2009 e 2010 o Iapar propôs validar esses resultados junto a produtores afiliados à Cooperativa dos Produtores de Leite do Território Entre Rios (Coopeler). O novo trabalho foi implantado com recursos da Secretaria de Ciência Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti) e conduzido em parceria com o Instituto Emater e prefeituras municipais da região.

Os resultados anteriormente obtidos no “Projeto Redes” foram confirmados e deram a senha para a multiplicação do modelo. Sempre sob a coordenação do Iapar e da Emater, o número de produtores assistidos e as parcerias com indústrias leiteiras e prefeituras foram ampliados. A partir de 2014 o programa ganhou autonomia e passou a ser chamado de “Leite Mais” – “Mais” significa “Modelo de Assistência Técnica de Intensificação Sustentável”, explica Bett.

ASSISTÊNCIA TÉCNICA – A execução técnica do programa é feita pela Cooperativa de Trabalho de Assistência Técnica e Extensão Rural (Coopermais), que foi criada especialmente para este fim por um grupo de profissionais de ciências agrárias.

A propriedade leiteira é visitada mensalmente por um técnico da área de produção animal ou vegetal, que orienta o produtor em questões como planejamento forrageiro de verão e inverno, conforto animal, nutrição de precisão, controle reprodutivo, sanidade, criação de bezerras, qualidade do leite, adequação ambiental, e gestão de indicadores técnicos e econômicos. O custo do atendimento é partilhado com o produtor assistido.

RESULTADOS – Os resultados desse trabalho já foram comprovados. A produção média diária, que era de 119,7 litros por dia em 2009, passou para 167,7 em 2013. A primeira parição das novilhas se dá entre 23 a 25 meses nas propriedades assistidas, enquanto nos rebanhos de outros produtores da região ocorre entre 36 a 38 meses. O programa também instituiu protocolos de ordenha higiênica e de higienização dos equipamentos, melhorando a qualidade do leite produzido.

Para Bett, esses resultados são consequência da melhoria no manejo nutricional, reprodutivo e sanitário do rebanho, que possibilita aos animais expressar o potencial genético de produção.

Recentemente, a FAO (órgão das Nações Unidas para assuntos de agricultura e alimentação) incluiu a experiência na “Plataforma de Boas Práticas para o Desenvolvimento Sustentável”, que pode ser conferido em www.boaspraticas.org.br.

REDES DE REFERÊNCIAS – Criadas com o objetivo de apoiar o desenvolvimento de sistemas de produção sustentáveis para a agricultura familiar paranaense, as “Redes de Referências para a Agricultura Familiar” estão presentes em todo o Paraná, envolvendo equipes do Iapar e do Instituto Emater.

Propriedades representativas dos principais sistemas de produção familiares do Estado são acompanhadas para o levantamento de suas referências técnicas e econômicas.

Uma rede é formada por vinte propriedades familiares que organizam a produção de modo semelhante. Diferentemente do modelo convencional de pesquisa, conduzido em estações experimentais, as “Redes de Referências” privilegiam a participação do produtor na pesquisa e propostas de mudanças na propriedade. Somente quando ele dá sua aprovação essas informações passam a constituir parâmetros para orientação de outros agricultores com as mesmas características.

Fonte: Agrolink