Soja

História da Soja no Brasil

Aportou-se no Brasil em 1882, através da Bahia por Gustavo Dutra, sem alcançar êxito. Em São Paulo, começou a ser cultivada por imigrantes japoneses, por volta de 1908, e foi introduzida oficialmente no Rio Grande do Sul em 1914 e no Paraná seu cultivo iniciou-se em 1954 (Mattos, 1986).

Até os anos 40, foi cultivada principalmente em instituições de pesquisa, com fins experimentais e por colonos japoneses, em pequena escala. A partir de então, começou a ganhar certa importância como alimento de animais e ocorreram as primeiras exportações, em 1949, no estado do Rio Grande do Sul.

Em 1958, devido ao aumento da produção, nesse mesmo estado começou a funcionar uma fábrica destinada a industrialização da soja, com capacidade para 150 toneladas por dia. Nessa época, o Ministério da Agricultura realizou uma série de experimentos, visando sobter espécies melhoradas e adaptadas às condições brasileiras.

O grande impulso ao cultivo da soja, se originou na sucessão “trigo-soja”, adotada no Rio Grande do Sul na década de 60, época em que a política governamental estimulou a expansão da cultura do trigo. No Paraná, começou a ser cultivada nas entre-ruas dos cafezais. A partir dos anos 70, com a quase erradicação do café no estado, e a abertura de novas áreas de cultivo, a soja cresceu significativamente.

A soja também foi introduzida nas áreas centrais do Brasil, abrindo novas fronteiras no cerrado brasileiro.

EXPORTAÇÃO DE SOJA NO BRASIL

O interesse do Governo brasileiro pela expansão na produção da soja para atender à indústria fez com que a leguminosa ganhasse cada vez mais incentivos oficiais.

Para atender às exigências de produção de uma cultura altamente tecnificada foi criado, em 1975, o Centro Nacional de Pesquisa de Soja, como uma das unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), estrategicamente localizado para que pudesse atender às demandas da produção nacional.

Sua principal incumbência era conquistar a independência tecnológica para a produção brasileira, que até então estava concentrada nos estados do Sul do País, aproveitando a entressafra da cultura do trigo que, na época, recebia incentivos do governo.

A boa adaptação da soja nas terras do Sul do país e a crescente demanda dos mercados interno e externo deram estabilidade aos preços do produto no mercado, o que incentivou o aumento de área.

Até 1975, toda a produção brasileira de soja era realizada com cultivares e técnicas importadas dos Estados Unidos, onde as condições climáticas e os solos são diferentes do Brasil.

Assim, a soja só produzia bem, em escala comercial, nos estados do Sul, onde as cultivares americanas encontravam condições semelhantes a seu país de origem. A criação de novas cultivares pelos melhoristas da Embrapa Soja levou a soja para as regiões de clima tropical no Brasil (Centro-Oeste, Nordeste e Norte).

A partir daí, inúmeras outras cultivares nacionais foram criadas para dar estabilidade ao cultivo de soja nas chamadas regiões de fronteira agrícola. Isso possibilitou a fixação do homem em suas propriedades, já que a soja era utilizada como cultura desbravadora, deixando na terra, após sua colheita, nutrientes necessários para o cultivo de feijão e milho.

Além disso, a soja viabilizou a implantação de indústrias de óleo, fomentou o mercado de sementes e deu estabilidade à exploração econômica das terras onde antes só existia matas e cerrados.

IMPORTANCIA DA EXPORTAÇÃO DE SOJA

O complexo soja no Brasil é responsável por aproximadamente 300 mil empregos; proporcionou a entrada de quase 8 bilhões de dólares em 2003. Nesse ano as exportações devem ultrapassar as 25 milhões de toneladas de soja em grão, contra 24,2 milhões de toneladas norte-americanas. (Abiove, 2004), com o Brasil se tornando o maior exportador mundial de soja.

O Brasil vai exportar este ano 37,43 milhões de toneladas de produtos do complexo soja, seguido dos Estados Unidos que vão exportar 33,91 milhões de toneladas e em terceiro lugar a Argentina, que vai exportar 32,44 milhões de toneladas de produtos do complexo soja. O faturamento das exportações do complexo soja devem ser de quase US$ 11 bilhões em 2004.Os principais destinos das exportações são a China, Alemanha, Holanda, Índia, Espanha, França, Itália, entre outros.(Abiove, 2004)

Mas para que o aumento das exportações continuem nesse ritmo, necessita-se que haja uma diminuição da carga tributária sobre a indústria, harmonizar a política tributária, prover mecanismos de financiamento a taxas de juros internacionais, reduzir os custos de transportes e serviços portuários, não é possível fazer muito mais que isso, contra o protecionismo e as práticas que distorcem o comércio mundial. Em função desses gargalos existentes não haverá mais investimentos na indústria brasileira e voltaremos a ser um país exportador de soja em grão, reduzindo o valor agregado e eliminando muitos postos de trabalho.

Objetivamente, para que o Brasil volte a ocupar seu papel no mercado internacional e acrescente maior valor aos seus produtos, faz-se necessária à eliminação das contribuições sociais cumulativas (Cofins e PIS) e do acumulo de créditos do ICMS interestadual. (Revista Agroanalyses, 2004)

Contudo as exportações da soja e derivados, não param de crescer, o que indica, que mesmo com todas estas barreiras a serem ultrapassadas, não se pode parar o Brasil. Em poucos anos seremos o maior produtor mundial e conseqüentemente o maior exportador, por isso temos tudo para dar certo só precisamos continuar nesse ritmo e melhor alguns pontos como a logística e a política externa, conseguindo assim exportações com maior valor agregado e maiores divisas, contribuindo ainda mais para o desenvolvimento do país.

EXPANÇÃO MUNDIAL DA SOJA

O cultivo se expandia e a exportação também. Em 1907, a Inglaterra importou 500 toneladas do produto e, em 1910, os Estados Unidos fizeram a primeira importação do óleo de soja (Mattos, 1986, p.196). Em alguns países da Europa como na Inglaterra, França e Itália, as tentativas de cultivo realizadas não tiveram grande êxito. Devido ao clima eram necessárias variedades extremamente precoces. Por isso, a soja, embora cultivada como forrageira, não é uma cultura importante na maioria dos países europeus.

Nos Estados Unidos, ao contrário da Europa, a cultura da soja adaptou-se muito bem ao clima. Sua importância para a produção de grãos aumentou por possuir alta capacidade de rendimento e baixo custo de colheita, se comparada a outras leguminosas. A cada ano aumentava a área cultivada, mas apenas a partir de 1941, a área destinada à produção de soja em grãos superou a que era destinada ao cultivo como forrageira. Um fato fundamental para essa expansão foi a política de restrição a produção de milho e do algodão, adotada pelo governo.

Na América do Sul, principalmente Brasil, Argentina, Paraguai e Colômbia, a soja ganhou impulso a partir de 1950 e encontrou ótimas condições agroclimáticas para seu desenvolvimento, o que fez com que já no ano de 1976, se tornasse o segundo maior produtor mundial, em termos continentais. Na África, embora tenha havido experimentos com soja em vários países, não foram alcançados resultados satisfatórios. Na Austrália, a partir dos anos 70, a soja tornou-se uma cultura importante (Mattos, 1986).

A SOJA NO MUNDO

A Soja é uma planta originária do Extremo Oriente. Não se sabe ao certo em que país foi cultivada primeiro: na China, Japão, Indonésia ou Manchúria. O que é um fato, é que ela é cultivada nesses países há milênios, sendo uma das bases da alimentação de seus povos. A citação mais antiga sobre a soja na literatura conhecida consta na “Matéria Médica”, de autoria do imperador Sheng Nung, escrita por volta do ano 2838 a. C. onde ele descreve as plantas da China (Mattos, 1986, p. 195).

A história chinesa possui várias lendas sobre a soja. Entre elas, a de que a soja, por sua importância, era semeada anualmente, pelo Imperador, com grandes festas, para dar início ao plantio da cultura. Outra delas, conta a história de uma caravana de negociantes, que ao atravessar uma região do norte do país, levando uma rica carga de pedras preciosas, sofreu uma emboscada de um bando de ladrões.

Os negociantes, cercados, resistiram por vários dias, porem seus suprimentos foram se acabando. Quando se encontravam famintos, a ponto de se entregarem aos ladrões, descobriram uma pequena “videira”, da qual brotavam favas peludas. Colheram as favas e, de seus grãos, fizeram uma farinha rústica, e dela uma torta. Com esse alimento conseguiram se refazer e resistir aos ladrões até chegarem reforços para ajudá-los. Por esta razão, a soja tornou-se “a guia da vida” para os chineses.

Na mitologia japonesa se encontram também algumas lendas sobre a soja. Segundo a principal delas, cinco plantas nutritivas teriam brotado do lugar onde fora enterrada a deusa do alimento, quais sejam: o arroz, o trigo, a cevada, o milhete e a soja.

Daí o fato dessas plantas serem consideradas sagradas nesse período.

Durante séculos, a soja foi cultivada e comercializada apenas no Oriente. Entre o final do século XV e começo do XVI, com a chegada de navios europeus nessa região, ela foi levada para a Europa e lá, permaneceu como curiosidade até o começo do nosso século.

ORIGEM DA SOJA NO MUNDO

A soja é uma leguminosa domesticada pelos chineses a cerca de cinco mil anos . Sua espécie mais antiga , a soja selvagem ,crescia principalmente nas terras baixas e úmidas , junto aos juncos nas proximidades dos lagos e rios da China Central .

Há três mil anos a soja se espalhou pela Ásia onde começou a ser utilizada como alimento . Foi no início do século XX que passou a ser cultivada comercialmente nos Estados Unidos.

A partir de então, houve um rápido crescimento na produção; hoje, os Estados Unidos são os maiores produtores mundiais de soja, com uma participação de cerca de 50% da safra mundial.

Fonte: soja.tudosobre.org