Soja

Greve pode parar colheita de soja

06/03
Nesta segunda-feira, 80% dos produtores terão que interromper a colheita por falta de diesel para os maquinários

Wandell Seixas,Especial para o DM

Falta de óleo diesel pode comprometer a colheita de soja em Goiás e Mato Grosso, principal produtor do grão no Brasil. O alerta é da Federação da Agricultura do Estado de Goiás e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), que realizou uma análise do impacto da greve dos caminhoneiros sobre o setor agrícola em Mato Grosso. Em Goiás, Bartolomeu Braz Pereira, vice-presidente da Faeg e presidente da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja), demonstrou preocupação dos produtores com o impacto da greve no abastecimento do óleo diesel.

“A partir desta segunda-feira calcula-se que 80% dos produtores terão que interromper o trabalho de colheita por falta de diesel para os maquinários. Isso vai gerar um transtorno, provocar um repensamento de toda a colheita”, destacou o presidente da Federação da Agricultura do Mato Grosso (Famato), Rui Prado. Bartolomeu Pereira ainda não tem uma avaliação tão forte como a de seus companheiros mato-grossense. Entende que o documento do governo federal concedendo alguns benefícios aos caminhoneiros propiciou “alguma trégua”, mas o abastecimento das colheitadeiras na roça ainda causa preocupação.

De forma geral, as paralisações dos caminhoneiros impactam diariamente a cadeia de soja com o atraso da receita de US$ 44,44 milhões, considerando a receita das exportações e do esmagamento de soja. Estima-se que diariamente deixaram de ser embarcadas 70,87 mil toneladas do complexo soja a cada dia de paralisação, atrasando a arrecadação diária de US$ 29,07 milhões.

Já a produção de farelo e óleo de soja também está sendo afetada pela paralisação, pois sem a chegada da oleaginosa nas indústrias, podem atrasar o esmagado de 25,53 mil toneladas por dia, deixando assim de arrecadar diariamente US$ 15,38 milhões.

A colheita em Mato Grosso ultrapassa 50% da área cultivada.

A colheita da soja avançou em Mato Grosso na última semana. Apesar das chuvas, o sol apareceu, secando as lavouras e permitindo a colheita sem grandes problemas, com um avanço importante. O total de área colhida chegou a 53,6% com um avanço de 18 p. p. de acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária.

Na região definida pelo Instituto como médio-norte, que engloba polos importantes do agronegócio como Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop, o percentual já colhido está em 65,1%. A região com maior atraso na colheita, 30,4%, é a Nordeste, que envolve Canarana, Querência, Gaúcha do Norte e Nova Xavantina, entre outras.

O Brasil é um dos líderes globais nas exportações de soja, juntamente com os Estados Unidos, e na semana passada, os contratos futuros negociados na bolsa de Chicago registraram altas em algumas sessões, conforme a Reuters.

Diário da Manhã