Pecuária

Gestão e Sanidade

A caprino-ovinocultura paulista apresenta marcante crescimento, seja no au­mento efetivo dos rebanhos ou no aumento do número de propriedades envol­vidas na atividade e suas especializações, verificam-se ainda o expressivo au­mento na demanda de carne, pele, lã, ma­trizes e reprodutores.

O rápido retorno econômico, a possibilidade de integração com diferentes sis­temas de produção animal e vegetal e o amplo mercado consumidor a ser con­quistado, principalmente o de produtos cár­neos, credenciam a ovinocultura co­mo atividade economicamente viável, tanto para a agricultura familiar como pa­ra grandes empreendimentos agroindus­triais integrados.

Para sua transição e consolidação como agronegócio, a caprino-ovinocultu­ra necessita ser norteada para atender critérios e princípios específicos, como o desempenho econômico, bem-estar ani­mal, responsabilidade social, impacto ambiental, saúde pública e ética empresarial. Para tanto, o gerenciamento da caprino-ovinocultura deve ser ­pautado no constante planejamento de todas as atividades pertinentes através de criterio­sa reflexão, onde as prioridades sejam atendidas de forma estratégica, embasa­das na discussão das metodologias que permitam direcionar a atuação do profis­sional de gestão e conseqüente retorno financeiro esperado.

Para o efetivo controle, e em algumas situações, a erradicação de doenças, são necessárias tomadas de decisões estratégicas ao longo de todo o processo produtivo e essas devem ser apoiadas em princípios epidemiológicos, éticos, financeiros e de bem-estar animal.

Na formação ou expansão do rebanho, o caprino-ovinocultor deve ter sempre em mente certos princípios que, bem atendidos e aliados a um competente acom­panhamento profissional, ­permitirão a boa condução dos diversos manejos envolvidos, com boas respostas no controle de enfermidades, uma vez que o su­cesso financeiro da atividade ­depende da produtividade alcançada. A escolha da raça mais compatível com as condições ambientais e do sistema produtivo implantado, a aptidão zootécnica e os potenciais de adaptação ao meio e produ­ção de carne são essenciais para uma boa produtividade.

Na aquisição dos animais, o ­criador deve conhecer o criatório de origem, suas condições gerais, o histórico e exames sanitários afins, as práticas de manejo ado­tadas e os índices zootécnicos alcan­çados pelo vendedor. A prévia seleção dos animais adquiridos, uma inspeção cui­da­dosa da condição corporal, dos apru­mos, vulva, úberes, bolsa escrotal, narinas, caixa torácica e da condição dos ­dentes e sua compatibilidade com a idade são cri­térios imprescindíveis.

Não menos importantes são as condições de transporte até o novo criatório, pois quando bem planejado e ­executado minimizam o estresse dos animais, sendo este o fator desencadeante de enfermidades até então não detectadas no cria­tório de origem. Desta forma, os animais recém-chegados devem permanecer em quarentena, desverminados e re­ceber reforço de vacinas, adaptados gra­da­tivamente ao novo ambiente, ­alimentos e tratadores, obrigatoriamente manejados por último.

As diversas práticas de manejo sa­nitário devem preconizar o relacionamento e sintonia com o ambiente e os mane­jos reprodutivos e zootécnicos. Dessa forma, a manutenção da saúde animal de­pende de certos fatores, como a implantação de programas preventivos, definição e dimensionamento do sistema de pro­dução, mão-de-obra capacitada e estimulada e de questões administrativas e econômicas.

Diferentes medidas devem então ser colocadas em prática, de maneira ro­­tineira, como:

l Escrituração zootécnica individual;
l Avaliação dos índices de produtivi­dade;
l Calendário sanitário anual estrita­mente relacionado com o calendário re­produtivo;
l Educação sanitária das pessoas envolvidas na atividade;
l Quarentena de animais introduzidos no criatório;
l O devido diagnóstico das ­doenças prevalentes no rebanho;
l Descarte orientado por motivos zootécnicos e/ou sanitários.

O monitoramento da sanidade do re­banho pode ser feito por meio de relatórios dos grupos de produção, como:

l Relação macho/fêmea.
l Taxa de prenhez.
l Porcentagem de nascimentos.
l Quantidades e razões de mortalidade de animais jovens e adultos.
l Mortalidade pré e pós-desmame.
l Taxa de prevalência de doenças.
l Tratamento e recuperação de animais doentes.
l Taxa de descarte e razão do descarte.
l Taxa de crescimento.
l Escore corporal do rebanho.

Atualmente, caprino-ovinocultores e profissionais da área de produção contam com diferentes e eficientes softwa­res para gerenciamento e monitoramento das diversas etapas e ações técnicas exigidas pela moderna atividade.

Devem-se encarar essas necessida­des técnicas e operacionais não somente como entraves para o setor caprino-ovi­nocultor, mas principalmente como de­safios a serem suplantados através de políticas públicas direcionadas, alicerça­das pela pesquisa científica e assistência técnica especializada, atendendo as­sim os anseios e demandas do setor, vi­sando à viabilidade econômica e sus­ten­tabilidade da atividade como agrone­gó­cio de crescente e expressiva participação no cenário econômico nacional.

Carlos Frederico de Carvalho Rodrigues, João Elzeário Castello Branco Iapichini, Alcina Maria Liserre e Luciana Gerdes são pesquisadores científicos da Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Itapetininga PRDTA Sudoeste Paulista/Instituto de Zootecnia/APTA/SAA.


Fonte: Revista O Berro nº 107 – Carlos Frederico de Carvalho Rodrigues, João Elzeário Castello Branco Iapichini, Alcina Maria Liserre e Luciana Gerdes.