Laranja

Futuro dos Citros na Flórida

Estudo detalhado do segmento de produção de mudas pode fornecer um bom panorama do futuro da citricultura da Flórida.

Panorama Geral

O Estado da Flórida com média de 220 milhões de caixas (2001 – 2005) e 75 milhões de plantas de laranja em produção (‘Florida Agriculture Statistics Service’ 2004) é a segunda maior região produtora de citros do mundo, sendo superada somente por São Paulo que nos últimos cinco anos produziu em média 350 milhões de caixas com aproximadamente 180 milhões de plantas em produção. A Flórida vem passando por grandes problemas fitossanitários nos últimos meses reflexo dos furacões Charley, Frances, Ivan, Jeanne e Wilma que atingiram a região produtora de citros, danificaram várias plantas e disseminaram o Cancro Cítrico que aparentemente estava sendo controlado no Estado. Até novembro de 2005 haviam sido constatados focos da doença em 22 condados e os relatos mais recentes foram encontrados nas principais áreas produtoras de citros. Estima-se que o número de árvores em produção esteja 8% menor do que o número registrado em 2004 e que os problemas fitossanitários devam levar a erradicação mais 10% das plantas de citros. Além do Cancro Cítrico, em agosto de 2005 foram detectados focos de Greening em pomares residenciais e recentemente em pomares comerciais o que pode reduzir ainda mais o número de plantas no Estado.

Produção de Mudas

Um dos segmentos mais afetados por estas doenças é o de produção de mudas. Dentre os focos de Cancro Cítrico registrados, quatro deles foram constatados em viveiros ou próximos a viveiros de mudas que tiveram que erradicar sua produção ou estão em quarentena visto que a legislação local determina erradicação de qualquer espécie de plantas cítricas em um raio de 580 metros e determina quarentena em qualquer planta cítrica que esteja localizada num raio de 1.160 metros do foco da doença. Já em relação ao Greening a situação é ainda mais preocupante, pois dos 46 viveiros existentes em 2005, 28% são em ambiente aberto, 54% possuem estruturas cobertas com filme plástico e laterais semiabertas, e o restante (17%) possuem uma combinação dos dois sistemas. Os viveiros parcialmente “protegidos” possuem instalações bastante precárias e ineficientes no controle do psilídeo, vetor da bactéria Candidatus Liberibacter, que transmite o Greening. Muitos viveiros estão próximos a pomares e/ou plantas matrizes produtoras de sementes e correm sério risco de contaminação por Greening e Cancro. Além disso, não se observa nenhum bom controle de prevenção de doenças nos viveiros em relação ao trânsito de pessoas, máquinas, equipamento, cerca viva, rodolúvio, uniformes, sistema de irrigação localizado, etc… O número de viveiros na Flórida vem diminuindo drasticamente nos últimos anos. Em 1960 havia 1.428 viveiros, em 1985 o número caiu para 292 viveiros e atualmente são apenas 46 produtores de mudas cítricas. A maioria dos viveiros (67,4%) produz menos de 25.000 mudas e apenas 2 deles são considerados viveiros de porte grande, com mais de 200.000 mudas produzidas por ano. Nota-se um desinteresse e falta de profissionalismo muito grande de parte dos viveiristas que produzem mudas cítricas, muitos deles já trabalham com plantas ornamentais e estão cada vez mais diminuindo a participação dos citros na unidade de produção. O principal motivo da redução no número de viveiros está relacionado a menor procura por mudas pelo setor produtivo, baixa remuneração obtida pelos viveiristas além da falta de mão de obra, prejuízos causados por fenômenos climáticos e risco de contaminação por Cancro Cítrico e Greening. Segundo o Annual Report 2004-05 do ‘Bureau of Citrus Budwood Registration’ a produção de mudas cítricas da Flórida em 2005 é de somente 2.145.259 unidades; a menor desde 1995 (Figura 1). Estes números se equivalem a produção de mudas da década de 70 na qual a média de produção girava ao redor de 1.500.000 plantas, bem diferente dos números de mudas produzidas nas décadas de 80 e 90; média de 4.500.000 de plantas. Esta drástica redução do número de mudas vai refletir diretamente na produtividade da Flórida nos próximos anos, pois o número de mudas produzidas atualmente dificilmente será suficiente para repor as perdas que estão ocorrendo de plantas por Tristeza, Cancro Cítrico, Greening e outros danos causados pelos furacões. Segundo executivo da Florida’s Natural Growers, Stephen Caruso, este é um dos principais fatores que contribuirá para uma produção inferior a 200 milhões de caixas de laranja/ano para a Flórida nos próximos 5 anos.

Distribuição das variedades Copa x Porta Enxerto

 

As laranjas doces representam 65% das mudas produzidas em 2005 e 85% do total de plantas cítricas da Flórida. Dentre as laranjas doces, as variedades Hamlin e Valência representam 31 e 53% respectivamente do total de plantas de laranja do parque citrícola. Desde 2002 a Hamlim vem sendo a variedade mais enxertada nos viveiros seguido de perto pela Valência, todavia na década de 90 o número de mudas produzidas de Valência sempre foi duas vezes superior ao número de mudas de Hamlin. Pode-se constatar também que 25% das novas mudas que estão indo ao campo são ‘Grapefruit‘, que atualmente representa 10% do total de plantas cítricas da Flórida (Figuras 2 e 3). Analisando este cenário, a curto/médio prazo, pode-se projetar um aumento da área de Hamlin em relação à Valência e também aumento de plantas de ‘Grapefruit’ em relação à área de laranja doce. O aumento da área de Hamlin tornaria os Estados Unidos ainda mais dependente do suco de laranja concentrado produzido no Brasil para fazer o ‘blend’ com o suco americano, visto que esta variedade possui menor concentração de sólidos solúveis que as variedades de meia-estação e tardia. Já um contínuo aumento da área de Grapefruit pode ser considerado muito arriscado visto que esta variedade é considerada uma espécie altamente susceptível ao Cancro Cítrico. Dentre os porta-enxertos propagados, 5 deles representam 88% de toda produção dos quais Citrumelo Swingle é o preferido desde o ano de 1989 seguido pelo Citrange Carrizo. O Carrizo Kuharske, que surgiu comercialmente em 2002 tem sido o porta-enxerto que mais cresceu nos últimos anos devido a sua resistência a Nematóides e o Citrumelo F80-8 tem perdido espaço para outros porta enxertos como a Cleópatra e Smooth Flat Seville. Visando minimizar os problemas com Cancro Cítrico e prevendo um sistema de produção de mudas na presença do Greening a questão sobre uma legislação de produção de mudas em ambiente protegido está cada vez mais em evidência no Estado. Todavia problemas de ordem climática, como ventos fortes e altas temperaturas, manejo de nutrição, falta de mão de obra e principalmente a redução da procura de mudas por parte do setor produtivo são os grandes desafios para os viveiristas da Flórida.

 

Fonte: http://www.agrofit.com.br/portal/citros/52-citros/91-futuro-dos-citros-na-florida