Defensivos

Fusão e aquisição de revendas e maior eficiência das cooperativas na negociação de insumos, promovem fechamento de pequenos

Publicado em 17/10/2017

O setor de insumos passa por uma remodelação com forte pressão para a redução de margens. O preço dos insumos para os agricultores caiu na última safra, o que pressiona os agentes a terem maior eficiência, apostando no ganho de escala

Recentemente, duas revendas importantes do estado de São Paulo passaram por recuperação judicial e estão fechando as portas. A tendência de fusão de revendas e formação de grandes grupos, por sua vez, têm se tornado parte de uma “revolução da distribuição de insumos no Brasil”, como aponta Matheus Kfouri Marino, sócio da Markestrat.

Ele conta que o setor de insumos passa por uma remodelação, uma vez que existe uma forte pressão para a redução de margens. O preço dos insumos para os agricultores caiu na última safra, o que pressiona os agentes a buscarem por eficiência e atender a este mercado. A melhor forma de ganhar eficiência, como atesta Marino, é ganhar escala.

Com isso, há tradings, fundos de investimento e outros fundos interacionais entrando neste setor, bem como as próprias empresas de defensivos. O objetivo é alcançar uma mudança positiva em termos de operação e também de finanças, já que, com aporte de capital, as empresas ganham poder perante aos fornecedores, comprando a vista e vendendo a prazo para os agricultores.

Ele lembra que há dez grandes cooperativas no Brasil que também crescerão fortemente nos próximos anos, o que as coloca de forma competitiva no mercado, dificultando o funcionamento das revendas menores. Entretanto, os impactos devem ser sentidos em torno de um a dois anos.

A inadimplência do agricultor, por sua vez, aumentou na última safra, já que existe no mercado uma expectativa pela recuperação dos preços de milho e soja e este segura sua safra, muitas vezes deixando de honrar os compromissos. Contudo, a relação de troca por sacas de soja é uma das melhores dos últimos anos e os custos de fertilizantes e defensivos estão mais atrativos.

Um problema financeiro que também incide sobre as revendas são os grandes estoques de produtos químicos. O momento é de uma baixa taxa de inovação de produtos, já que investir em uma inovação exige um alto  gasto. As moléculas perdem efetividade nas lavouras e a indústria investe menos. Este, segundo Marino, foi o grande motor por trás das fusões de empresas de defensivos.

Por outro lado, os produtores também estão procurando por créditos oficiais, procura que aumentou 33% na safra atual. O caminho natural, como salienta o diretor, é que os agentes financeiros sejam estimulados a financiar o agronegócio.

Por: Aleksander Horta e Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas