Manejo

FUNGOS MICORRíZICOS ARBUSCULARES EM POMARES IRRIGADOS DE CITROS

Nas últimas décadas têm se multiplicado as evidências do efeito benéfico das associações micorrízicas com diversas plantas superiores de importância econômica. Em algumas espécies vegetais é tão acentuada a dependência à presença desses fungos que, na ausência total da simbiose, não respondem satisfatoriamente à adubação fosfatada.

As fruteiras destacam-se como o grupo de plantas onde as micorrizas merecem especial atenção no que se refere aos efeitos benéficos da simbiose. Muitos avanços científicos foram obtidos com essas plantas, principalmente devido à condição de dependência micorrízica, importância econômica da fruticultura e especialmente porque nesse grupo a infecção micorrízica foi inicialmente explorada.

As plantas cítricas, por possuírem um sistema radicular com pêlos absorventes pouco desenvolvidos, exibem elevada dependência à micorrização e as vantagens mútuas dessa associação são expressas em maior disponibilidade de nutrientes, especialmente o fósforo, para o porta-enxerto cítrico e no fornecimento de fotossintatos para o endófito.

A magnitude das respostas varia muito com o local, tipo de organismo, condições do solo (pH, nutrientes disponíveis, aspectos físicos), entre outros fatores.

O presente estudo objetivou avaliar a intensidade de colonização natural de raízes dos citros por fungos MA em pomares irrigados da região semi-árida do Estado da Bahia, além de estabelecer relações com as combinações copa/porta-enxerto. O trabalho foi conduzido no município de Iaçu, BA, em pomar de citros com quatro anos de idade, cultivado sob condições irrigadas. O sistema de irrigação utilizado foi microaspersão, com uma vazão média de 30 l/hora, sendo que o raio de alcance do jato d’água dos microaspersores, nas diversas parcelas, em torno de 4m.

O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com 4 tratamentos e 4 repetições, onde cada planta constituía uma unidade experimental. Os tratamentos consistiram em diferentes combinações copa/porta-enxerto: 1) lima ácida ‘Tahiti’ (Citrus latifolia Tanaka)/citrumelo ‘Swingle’ (C. paradisi Macf. x P. trifoliata (L.) Raf.), 2) lima ácida ‘Tahiti’/limão ‘Cravo’ (C. limonia Osbeck), 3) lima da Pérsia (C. limettioides Tanaka)/limão ‘Cravo’ e 4) laranja ‘Pera’ (C. sinensis L.)/limão ‘Cravo”.

Foram coletadas amostras de solo e raízes finas para a determinação de esporos e colonização micorrízica nas plantas cítricas. A amostragem foi repetida 6 vezes, em intervalo bimestral, e as amostras foram retiradas em quatro diferentes pontos, na projeção das copas das plantas, a uma profundidade de 0 a 20 cm da superfície.

A colonização micorrízica foi estimada após clareamento das raízes em 10% KOH e coloração em azul de trypan a 0,05% em glicerol. A densidade populacional de fungos MA foi avaliada após extração dos esporos em flutuação centrífuga em solução de sacarose. A contagem desses esporos foi processada em câmara de Peter com auxílio de um microscópio ótico.

A lima ácida ‘Tahiti’ enxertada em citrumelo ‘Swingle’ apresentou a maior colonização micorrízica, particularmente no período de avaliação final do experimento.

Não se constatou diferença significativa na infecção micorrízica dos demais tratamentos, exceto na combinação lima da Pérsia/limão ‘Cravo’ que apresentou o menor índice de colonização radicular.

Glomus intraradices e G. etunicatum foram as espécies com maior registro de ocorrência em todos os tratamentos. Essa frequência de distribuição dos FMA sugere maior adaptabilidade dessas espécies às condições edafoclimáticas e, principalmente, maior compatibilidade com a planta cítrica hospedeira.

Referências Bibliográficas

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Antonio Alberto Rocha Oliveira
Pesquisador – EMBRAPA/CNPMF

Fonte: http://www.agronline.com.br/artigos/artigo.php?id=122&pg=2&n=2