Manejo Fitossanitário

Fungo derruba produção de caju em Ribeira do Pombal

Um fungo, chamado oídio (oidium anacardii), tem reduzido consideravelmente a produtividade dos cajueiros nos municípios da região de Ribeira do Pombal, maior produtora de caju na Bahia.

A praga tem sido apontada como a principal responsável pela queda de produção na safra 2013/2014 cuja estimativa é de 1.258,5 toneladas. Essa quantidade é 29,98% do que foi produzido na safra anterior, 4.195 toneladas.

Pesquisador chefe do Centro de Formação de Agricultores Familiares do Território Semiárido Nordeste II da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (Centrenor/EBDA), José Augusto Garcia explica que, como qualquer fungo, o oídio ataca quando há excesso de umidade.

A região enfrentou fortes chuvas no meio de outubro, época de floração, e novamente em novembro, o que foi considerado pelos produtores como o “tiro de misericórdia”. Os efeitos do oídio superam até os da seca na safra 2012/2013.

O médio produtor de Tucano, município a 252 km da capital, Márcio Wander, conta que não tem conseguido colher nem 50% do esperado. “Não consegui produzir nem 40% por causa do fungo. Durante a seca, talvez tenha conseguido 50%. O normal seria produzir mais nesta safra que na passada”, diz ele.

Wander conta que na safra anterior conseguiu colher até fevereiro, mas, desta vez, já não há fruto em janeiro. O produtor tenta controlar o problema fazendo aplicações de enxofre em pó, método recomendado pela EBDA e pela Embrapa. Mas isso é raro entre os produtores.

Com a predominância de agricultores familiares na cultura, não há dinheiro para investir no controle. Outro problema é a dificuldade de fazer as aplicações nos cajueiros comuns ou gigantes, que são 75% dos pomares. As aplicações respondem melhor no cajueiro anão precoce.

Ameaça ao cajueiro – O oídio  existe há muito tempo no Brasil, mas  tornou-se uma ameaça ao cajueiro há quatro anos. O fungo vem atacando em outros estados produtores de castanha de caju, como Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte.

Há quem diga que a situação piorou depois que o Ceará, onde estão as maiores indústrias de castanha, começou a importá-la da África devido a quebra de safra. “Não há comprovação científica da vinda do fungo da África, apenas fortes especulações”, diz  Garcia.

O pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical, Francisco Vidal, acha pouco provável que a importação seja responsável pela praga. “O que chega vai direto para a indústria, para a caldeira. Não vejo muito espaço para isso”, diz Francisco.

Fonte: http://www.seagri.ba.gov.br/