Fornecimento energético preocupa empresas

01/04/2014

As recorrentes quedas de energia ocorridas neste verão no Rio Grande do Sul geraram prejuízos às empresas gaúchas e elevaram a preocupação com a capacidade de fornecimento energético não só no Estado mas em todo o País, o que possivelmente impactaria sobre a demanda local. Essa percepção foi repassada por entidades empresariais na tarde de ontem, na Assembleia Legislativa, durante a reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Energia Elétrica.

Entre os relatos prestados, o diretor de Relações Institucionais da Associação Comercial e Industrial de Novo Hamburgo, Marco Aurélio Kirsch, detalhou prejuízos relacionados por empresas locais. “Uma empresa de TI ficou sem fornecimento de energia de 31 de janeiro a 5 de fevereiro, com total falta de informação da AES Sul”, exemplificou. O período mencionado por Kirsch registrou ocorrência de temporal, prejudicando empresas de diversos ramos. No caso do exemplo citado, as perdas ficaram estimadas em R$ 80 mil.

A indústria calçadista não sentiu o mesmo impacto com as interrupções, porque as empresas são orientadas a manter geradores, comentou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein. Mesmo sem o prejuízo auferido, o setor reitera preocupação com o fornecimento de energia no Estado.

Mais preocupados em identificar soluções do que em reclamar perdas, os representantes ressaltaram que a CPI deve atentar para os riscos iminentes. Mesmo afetando a região Centro-Sul do País, a estiagem foi destacada como preocupante. “Eu acho que a coisa vai piorar bastante. O Rio Grande do Sul está na ponta do sistema. Em caso de problema no Sudeste, quem será privilegiado? Isso já aconteceu no governo Fernando Henrique Cardoso e é possível que aconteça novamente”, declarou o engenheiro elétrico, Fernando Luiz Portilla, representando o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul. Portilla defende o uso do carvão como uma alternativa viável para o Estado.

Kirsch ressaltou que basta observar o modelo de abastecimento do País para verificar a deficiência de fornecimento. “Depois do apagão de 04 de fevereiro, que afetou 13 estados, cortou-se a energia de um lugar e abasteceu-se aquele considerado mais importante. Isso mostra que o sistema cresceu desordenadamente.”

Representando a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Edilson Deito lembrou que avanços do setor energéticos têm sido prejudicados por embargos ambientais recorrentes. Deito salientou a importância de convidar “órgãos que contribuíram para o atraso de obras” para debater soluções num cenário não muito animador apontado pela entidade, que ressalta haver um ponto de desequilíbrio entre demanda e oferta.

O presidente da CPI, deputado Lucas Redecker (PSDB), destacou que a Fepam já foi convidada a participar de futuras oitivas, que contarão, ainda, com a presença de representantes de empresas e entidades vinculadas ao setor energético.

Fonte: Jornal do Comércio RS – Online
Autor: Marina Schmidt