Produtivo

Formação de canaviais usina Jalles Machado mescla mão-de-obra e máquinas para realizar plantio de cana

A lavoura canavieira ocupa grandes extensões no território brasileiro. Com o crescente emprego do etanol como biocombustível e da cogeração de energia a partir do bagaço da cana, alternativas concretas para o petróleo, pois são fontes renováveis e limpas, a área ocupada pelos canaviais tende a aumentar.
A cana-de-açúcar é uma cultura perene, que pode produzir de 4 a 6 anos. Mas a longevidade do canavial e a qualidade da matéria-prima estão diretamente relacionadas com o preparo do solo, a escolha das variedades, tratos culturais, colheita e principalmente com a forma e a época de plantio.
A usina Jalles Machado, localizada no município de Goianésia, GO, possui uma área plantada de 38 mil hectares. Outros 7 mil hectares plantados com cana-de-açúcar abastecerão seu novo empreendimento, a Unidade Otávio Lage (UOL), previsto para entrar em funcionamento em 2011. A usina utiliza dois processos para plantar cana-de-açúcar. O plantio pode ser feito totalmente por máquinas ou mesclar etapas manuais e mecanizadas.
De acordo com a NR (Norma Regulamentadora) 31, cabe ao empregador rural garantir condições adequadas de trabalho a seus empregados, realizar avaliações dos riscos para a segurança e saúde, adotar medidas de prevenção e proteção para garantir que todas as atividades, lugares de trabalho, máquinas, equipamentos, ferramentas e processos produtivos sejam seguros e em conformidade com as normas de segurança e saúde. Por esse motivo, o novo modelo de plantio, adotado pela Jalles Machado é considerado seguro e atende às especificações da NR 31.

 

Plantio esparramado

O modelo que necessita de mão-de-obra é conhecido como plantio esparramado. A primeira etapa do plantio é a sulcação, feita por sulcadores controlados pelo sistema de piloto automático. Essa tecnologia utiliza coordenadas do Sistema de Posicionamento Global (GPS), dispensa marcadores e faz com que o operador não influencie na atividade.
A adoção do piloto automático permite a abertura de sulcos no sentido desejado e sem variação de espaçamento, permitindo melhor uso da área e evitando problemas, como erros de paralelismo. Além disso, a técnica proporciona melhor rendimento e auxilia em outras etapas da cultura da cana-de-açúcar, principalmente no nivelamento do solo, conhecido como quebra-lombo e na colheita mecanizada.
Nesse modelo de plantio esparramado, são feitos dois sulcos na extremidade do terreno e alternadas quatro linhas sem sulcar e seis sulcos até que seja completada a sulcação de toda a área. Após essa etapa, ocorre a distribuição das mudas de cana. O caminhão transporta as canas e a carregadora retira os colmos e os distribui no chão. Ambos transitam nas banquetas, ou seja, nas linhas que não foram sulcadas.
É necessária mão-de-obra para colocação e arrumação da posição correta dos colmos nos sulcos. Depois de esparramada a cana de forma manual, o sulcador faz quatro linhas nas banquetas para completar a sulcação do terreno. Os trabalhadores distribuem as mudas adicionais, deixadas nas entrelinhas, nesses sulcos. Por último, é colocada a terra para cobrir as mudas distribuídas nos sulcos.

Mudança

Esse modelo de plantio foi adotado pela Jalles Machado em 2009 para atender a legislação trabalhista. Até então, os trabalhadores ficavam sobre o caminhão canavieiro e jogavam a cana diretamente nos sulcos. Apenas pessoas fortes conseguiam fazer esse trabalho e o risco de acidente, como cair do veículo em movimento, era alto. Com a proibição dessa prática, as carregadoras foram inseridas no processo para retirar a cana dos caminhões e colocá-la nas banquetas. Os trabalhores rurais apenas retiram as mudas que estão amontoadas e distribuem nos sulcos.
A principal vantagem desse sistema é poder plantar em períodos chuvosos. Anteriormente, não era possível fazer o plantio em dias de chuva, pois o solo ficava encharcado e o caminhão não conseguia se locomover. Hoje, o plantio pode ser feito sob quaisquer condições climáticas, basta que o terreno esteja sulcado e a cana, amontoada. Pensava-se, anteriormente que com a adoção desse modelo, o rendimento seria menor, mas se manteve, devido a essa vantagem.
A desvantagem é o aumento do número de carregadoras necessárias. Esse modelo de plantio requer até 40% a mais dessas máquinas. Por isso, a empresa teve de terceirizar o serviço feito por carregadoras.

Meta de Plantio

A Jalles Machado e a Unidade Otávio Lage pretendem plantar, em 2010, 13 mil hectares de cana. Desses, 8 mil hectares serão plantados por máquinas e 5 mil hectares no modelo de plantio esparramado. A empresa prioriza o plantio feito por máquinas, pois na região, há carência de mão-de-obra. A Jalles Machado pretende mecanizar todo o processo de plantio até 2015.

Rotação de culturas

Além de cana-de-açúcar, a Jalles Machado planta soja convencional e orgânica e crotalária.
Isso faz parte da prática de rotação de culturas, processo que consiste em alternar o plantio de espécies vegetais gramíneas e leguminosas em uma mesma área com o objetivo de devolver os nutrientes do solo. Além disso, esse processo quebra o ciclo de pragas e doenças e enriquece a terra com matéria orgânica.

Patrícia Rezende, engenheira agrônoma e gestora do departamento de pesquisa e desenvolvimento da Jalles Machado

Matéria retirada da Revista Coopercitrus (www.revistacoopercitrus.com.br)

Fonte: http://www.agrofit.com.br/portal/cana/44-cana/204-formacao-de-canaviais-usina-jalles-machado-mescla-mao-de-obra-e-maquinas-para-realizar-plantio-de-cana