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Fim de subsídio a etanol nos EUA não terá impacto para o Brasil, diz Unica

Proposta de senadores ainda precisa ser aprovada pelo Congresso norte-americano

Agência Estado

A decisão de senadores dos Estados Unidos de acabar com os subsídios para a indústria de etanol no país não deve ter grandes impactos para o Brasil no curto prazo, afirmou nesta quinta, dia 7, a porta-voz da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) na América do Norte, Leticia Phillips.

Importantes senadores dos Estados Unidos chegaram nesta quinta a um acordo para acabar, no fim deste mês, com os dois subsídios concedidos à indústria de etanol no país – tarifa de importação e incentivo às empresas que misturam etanol na gasolina. Mas a proposta ainda precisa ser aprovada pelo Congresso norte-americano.

Leticia Phillips explicou que o Brasil não deve exportar muito etanol para os norte-americanos, mesmo que seja extinta a tarifa sobre o álcool importado pelos Estados Unidos, pois atualmente a demanda interna do Brasil vem consumindo quase tudo o que o país é capaz de produzir.

– Embora inicialmente as importações sejam modestas, a eliminação da tarifa de importação de etanol (nos Estados Unidos) é um passo importante no sentido de desenvolver o mercado global para energia limpa e vai, em última análise, beneficiar tanto os norte-americanos quanto os brasileiros, por meio de uma competição maior e uma redução na volatilidade dos preços – declarou a porta-voz.

Segundo ela, os subsídios para o etanol foram eliminados no Brasil no fim dos anos 90 e a tarifa de importação sobre etanol foi zerada no início de 2010. A representante da Unica afirmou que a entidade está satisfeita com o acordo celebrado em Washington e a expectativa é de que os Estados Unidos confirmem o que foi acertado e adotem a mesma conduta.

– Como maiores produtores mundiais de etanol, Brasil e Estados Unidos devem dar o exemplo para a criação de um mercado livre de energia limpa e renovável – disse.

O analista da corretora Northstar Commodity, Jason Ward, também avalia que o impacto de curto prazo sobre a indústria de etanol será limitado. Mas, no longo prazo, o impacto maior, segundo ele, está justamente na eliminação da tarifa de importação.

Embora a oferta apertada de cana-de-açúcar no Brasil tenha forçado a utilização para produção de açúcar em vez de etanol, Ward avalia que isso pode mudar, colocando o etanol de cana brasileiro em competição direta com o etanol de milho dos Estados Unidos. Isso relacionaria os preços do milho aos do açúcar.

– Todo analista do mercado de milho vai se tornar um analista de açúcar. Ele vai ser forçado a fazer isso – explicou.

Acordo

A senadora Dianne Feinstein, democrata da Califórnia, afirmou nesta quinta em comunicado que chegou a um acordo com os senadores Amy Klobuchar, democrata de Minnesota, e John Thune, republicano da Dakota do Sul, sob o qual o crédito tributário de US$ 0,45 por galão de etanol misturado à gasolina expiraria em 31 de julho. Também venceria no fim do mês a tarifa de US$ 0,54 por galão de etanol importado.

Há mais de três décadas, o governo dos Estados Unidos concede estes subsídios sobre o etanol importado, o que tira a competitividade do etanol brasileiro naquele mercado. Somados, os apoios ao etanol nos Estados Unidos custam aos cofres norte-americanos US$ 6 bilhões por ano.

Operadores e analistas dos mercados de grãos esperam o fim dos subsídios desde o ano passado, mas alguns foram surpreendidos pela rápida negociação entre os senadores.

– Todo mundo percebeu que vamos perder (os subsídios) de qualquer forma – disse o presidente da corretora A/C Trading, Jim Gerlach.

 

Fonte: http://www.portaldoagronegocio.com.br/conteudo.php?tit=fim_de_subsidio_a_etanol_nos_eua_nao_tera_impacto_para_o_brasil,_diz_unica&id=58392