Soja

Fila de navios para soja cresce 61% em uma semana no Brasil após protestos

09/03/15
Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) – A fila de navios esperando para carregar soja nos portos brasileiros cresceu 61 por cento em uma semana, mostraram dados divulgados na última sexta-feira, em um momento de grande chegada de embarcações para carregar a nova safra brasileira e após uma greve de caminhoneiros que atrapalhou o escoamento da produção.

O número de embarcações ancoradas nas proximidades de portos brasileiros saltou para 82 na última sexta-feira, ante 51 uma semana antes, enquanto o volume de soja em grãos previsto para ser carregado nesses navios totaliza 5,17 milhões de toneladas, segundo dados da agência marítima Williams analisados pela Reuters.

Os embarques nos portos do Sudeste e Sul do Brasil foram afetados nas duas últimas semanas por uma paralisação de caminhoneiros que bloquearam estradas e impediram o escoamento normal da safra.

Além disso, este é o período de maior chegada de navios para carregar a soja recém-colhida.

“Isso é comum nesta época. Os navios vão chegando, se acumulando, vai atrasando (o embarque)… Mas deve ter havido algum contratempo por causa da greve”, disse o diretor da Williams, Glynne Williams.

O gerente operacional da agência marítima Orion, em Santos, Willian Januzzi, afirma que tem havido falta de grãos para embarque no porto do litoral paulista, aquele mais movimenta soja no país.

“Está havendo falta de carga no porto, em quase todos os terminais de grãos. Isso acontece especialmente para grãos, porque eles chegam do Centro-Oeste (onde houve paralisações)”, disse ele, destacando que o embarque de açúcar, por exemplo, está normal, uma vez que o produto é originado principalmente no interior de São Paulo, onde não houve bloqueios de estradas.

O diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes, disse à Reuters na quarta-feira que a recomposição dos estoques de grãos nos portos brasileiros deverá demorar uma semana, após duas semanas de protestos que “baixaram muito” os estoques nos portos.

Em determinado momento da semana retrasada, no auge dos protestos, o pátio de triagem de Paranaguá (PR) chegou a ter somente 45 caminhões, contra 900 veículos esperados.

A fila de navios para soja ancorados na região de Santos cresceu para 26 na última semana, ante 13 na semana anterior. Em Paranaguá, um porto menor mas também bastante movimentado nesta época, a fila manteve-se elevada, em 27 embarcações, ante 26 navios na semana retrasada.

A colheita está no auge em muitas regiões produtoras do Brasil, como o Centro-Oeste e o Paraná. A soja já começa a chegar aos portos e uma grande quantidade de navios é contratada neste período para viabilizar as exportações.

A escala de navios previstos para carregar até o final de março e no início de abril (incluindo os já ancorados e os que estão a caminho da costa brasileira) indicava na última sexta embarques de 7,62 milhões de toneladas.

Uma semana antes, a escala totalizava 7,1 milhões de toneladas de soja.