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Fibra de coco: Uma nova alternativa para formação de mudas cítricas

Escrito por José Augusto Taveira

 

Significativas mudanças vem ocorrendo nos métodos tradicionais de formação de mudas de Laranja, como conseqüência do aumento da ameaça causada por doenças bacterianas, fungicas, viroses e ataque de nematóides. No início, os viveiristas brasileiros vinham adotando espontaneamente a produção de mudas sob estufas teladas, fator este que passou a ser obrigatório por lei à partir de Janeiro de 2001.
Como conseqüência disto, a utilização de containers (sacolas plásticas ou tubetes) com substratos, passaram a ser parte essencial do processo.
Até a pouco tempo, formulações de substratos baseadas em misturas com cascas de Pinus compostadas, eram a única alternativa para o viveirista brasileiro. Este tipo de substrato à base de cascas atendeu até então as necessidades básicas dos produtores de mudas, mas sempre apresentou alguns senões.
As cascas de Pinus compostadas ficam hidrofóbicas (repelem a água), quando deixadas secar levemente entre uma irrigação e outra, o que dificulta muito o manejo de irrigação nos viveiros, além de poder expor as mudas a um “stress” hídrico no campo quando transplantadas.
Essa hidrofobicidade das cascas quando secas, obriga os viveiristas a ter de manter as mesmas sempre molhadas no viveiro. Com isto, se houver exageros na irrigação, levando a falta de aeração e drenagem ao nível do substrato, não apenas o sistema radicular das mudas terá seu desenvolvimento prejudicado, como também este ambiente será favorável a proliferação de fungos, especialmente Phytophthora (causador da Gomose) e Fusarium.
Outro aspecto questionável nos substratos à base de cascas de Pinus é quanto a sua fitossanidade , uma vez que estas cascas são compostadas a céu aberto sob o solo. Uma vez que o aumento da temperatura durante a compostagem é temporário, as pilhas de compostagem (ou “montes de substratos”) ficam expostos a toda sorte de uma possível contaminação, via solo, ar ou chuvas.
Esta falta de uma “garantia fitossanitária” nos substratos de cascas de Pinus, não combina com o rigor das práticas fitossanitárias atualmente adotadas na maioria dos viveiros protegidos de mudas cítricas.
Uma promissora nova alternativa de substrato está surgindo no mercado brasileiro: a fibra de coco
Além de tratar-se de um material ecológico ele ainda é renovável, ao contrário da maioria das outras fontes de substratos.
O substrato de fibra de coco origina-se do desfibramento industrial do mesocarpo das cascas de coco. Este desfibramento origina um produto de estrutura granular, intercalado por fibrilas, de altíssima porosidade total (94 – 96%) e elevada capacidade de aeração (20 – 30%).
Esta elevada porosidade total permite com que a fibra de coco alie uma ótima aeração com uma boa capacidade de retenção de água. Isto favorece sobremaneira um ótimo enraizamento e crescimento das plantas.
Outras vantagens são sua elevada estabilidade física (o material se decompõe muito lentamente) e sua excepcional remolhabilidade (a fibra de coco não repele água entre uma irrigação e outra), isto traz diferenças muito grandes no manejo de irrigação para o viveirista.
Experimentos iniciais com formação de mudas de laranja, comparando a fibra de coco e substratos de cascas de Pinus, quando corretamente manejados (irrigação & fertirrigação), mostraram um desempenho bastante superior na velocidade de formação e qualidade final da muda formada na fibra de coco. O encurtamento total do ciclo de formação da muda, chegou a quase dois meses.
Quando adequadamente processada por empresas idôneas, a fibra de coco apresenta-se pasteurizada, o que representa uma enorme vantagem para a produção de mudas cítricas.
Por outro lado, por não tratar-se de um material fossilizado (como as turfas) nem compostado (como as cascas de Pinus), é natural que a fibra de coco tenha uma maior demanda de Nitrogênio, demanda esta que deve ser compensada pelo viveirista, via fertirrigação, e/ou uso de adubos de liberação lenta ou controlada.
A fibra de coco tem ainda, uma tendência de fixar Cálcio (Ca) e Magnésio (Mg), e liberar Potássio (K) no meio. Estes fatores também devem ser levados em conta quando o viveirista traçar seu programa nutricional para as mudas.
No quesito irrigação, dependendo do tipo e granulometria da fibra de coco adotada, pode ser necessária uma redução na freqüência das irrigações, uma vez que a estrutura tipo “esponja” da fibra permite um bom armazenamento de água.
No mundo moderno, em que considerações ecológicas frequentemente condenam a utilização de materiais de difícil renovação ou não renováveis (turfas, xaxim, vermiculita), bem como materiais de difícil biodegradabilidade (Poliestireno, Lã de rocha), a fibra de coco certamente será uma das melhores alternativas.

“O conteúdo desta sessão é de total responsabilidade dos Autores.”

 

Fonte: http://www.agrofit.com.br/portal/citros/52-citros/88-fibra-de-coco-uma-nova-alternativa-para-formacao-de-mudas-citricas-