FEIJÃO: O que trava o setor no Brasil

13/09/2018

Na visão do presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e dos Pulses (Ibrafe), Marcelo Lüders, o Brasil teria um grande potencial no mercado de feijão se fossem combatidos os principais entraves para a cultura no País. Nesta série de reportagens sobre o setor, o Portal Agrolink alinha hoje os principais obstáculos: pirataria de sementes, a falta mercado internacional, burocracia e a inércia do poder público.

“Pirataria de sementes desestimula investimento privado no setor. O ministério da agricultura alega que não tem servidores suficientes para fiscalizar e ao mesmo tempo não evolui em parcerias com o setor privado para cuidar deste tema. Sem segurança de retorno financeiro ninguém investe, e agora com o Estado brasileiro depauperado não vemos um cenário promissor se não houver uma forte mudança neste setor”, aponta Lüders.

O especialista destaca que um problema a ser vencido é a falta de mercado internacional para o feijão-carioca: “Ninguém conhece esta variedade, mas o setor precisa de recursos para desenvolver o mercado lá fora. Pela primeira vez o Ibrafe estará junto com a Apex desenvolvendo esse mercado através de degustações de receitas indianas desenvolvidas com feijão-carioca em Nova Dhéli”.

“Devemos e podemos produzir outros pulses, ou seja, lentilha, ervilha e grão-de-bico e feijão estimular o aumento do consumo interno. O plano nacional da cadeia produtiva do feijão direciona para este sentido, mas o grande desafio será implementá-lo. A burocracia de Brasília sufoca as iniciativas”, queixa-se.

Para exportação, o dirigente aponta o chamado “custo Brasil” como um problema real: “O Brasil diminuiu exportações, e com isso as linhas marítimas foram direcionadas para outras regiões do planeta. Assim nosso frete internacional é caro, o rodoviário interno todos sabem do absurdo que é, os portos travados sem servidores para atender a demanda por serviços necessários a exportação. É incrível que o agro consiga exportar. Todo conjunto de serviços necessários trabalha no sentido contrário. O apoio publico é pífio e fica muito nos discursos e pouco nas ações”.

Fonte: Agrolink