Pecuária

Exportações de carne bovina continuaram em ritmo de queda em agosto

14/09/2015

As exportações brasileiras de carne bovina in natura e processada não se recuperaram também em agosto. Devido a isso, o desempenho do setor deve ficar cada vez mais distante da meta de obter US$ 8 bilhões em receitas, sendo o mais provável que fique próximo dos bons resultados obtidos em anos anteriores. Em 2014, as receitas atingiram o valor recorde de US$ 7,2 bilhões, num crescimento de 7,7% na comparação com os US$ 6,6 bilhões apurados em 2013, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

No total, a comercialização do mês passado acompanhou a tendência de queda nos volumes e nas receitas que vem se verificando desde o início do ano, atingindo a 112.466 mil toneladas, o que proporcionou uma receita de US$ 497,7 milhões. Este resultado é 16%% menor em toneladas exportadas e em 22% na receita em dólares se comparado a agosto de 2014, quando as vendas foram de 133,8 mil toneladas e as receitas de US$ 640 milhões.

As compras dos principais clientes brasileiros, entre eles, Rússia, Venezuela, altamente dependentes dos preços do petróleo que continuam baixos, e o mercado chinês através de Hong Kong, continuam em queda com impacto significativo no resultado total do ano até aqui. No acumulado até agosto, o Brasil já exportou 859.398 toneladas do produto, obtendo uma receita de US$ 3,696 bilhões, resultado inferior em 17% na quantidade e de 22% na receita, se comparado ao mesmo período de 2014, quando a comercialização de carne bovina no mercado externo havia somado 1 milhão e 34 mil toneladas enquanto que a receita chegava a US$ 4,7 bilhões.

Estas informações, compiladas pela ABRAFRIGO, constam do balanço divulgado na semana passada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) através do Secex/Decex. O Brasil exporta atualmente para 142 países, mas, deste total, apenas 53 elevaram suas importações entre janeiro e agosto.

Destaque para o Egito que era o quarto maior cliente brasileiro e agora pulou para a segunda posição aumentando suas compras de 90,5 mil toneladas em 2014 para 127,3 mil toneladas até agosto. Também cresceram os negócios com a China, que passou a importar diretamente do Brasil, reduzindo as entradas por Hong Kong, e Estados Unidos, Vietnã, Irã, Israel, Bélgica e Cingapura.

Entre os 10 países que mais fazem negócios com o Brasil no setor, os que limitaram de maneira significativa suas importações da carne bovina brasileira foram a Rússia, com queda de 42% na sua quantidade de importações e de 53,2% na receita; Hong Kong, porta de entrada do mercado chinês, com redução de 35,4% em toneladas e 41,2% 0% em receita; e a Venezuela que diminuiu suas compras em 45,6% em toneladas e 41,8% na receita, justamente três dos quatro maiores importadores do produto brasileiro.

Continuam as mudanças que agora destinam parte das exportações diretamente para a China e que entravam até a pouco tempo somente por Hong Kong, devido a reabertura do mercado local. De um desempenho praticamente zero em 2014, as compras diretas feitas pela China já atingiram 27,8 mil toneladas embarcadas em 2015, com receita de US$ 141 milhões o que, no entanto, não compensou a redução observada nas compras de Hong Kong neste ano. De janeiro a agosto, com a compra de 165.434 toneladas, Hong Kong continuou a ser o principal destino do produto brasileiro; o Egito subiu para o segundo lugar com 127.352 toneladas e a Rússia, que já foi o maior importador, ficou em terceiro lugar com 125.973 toneladas. O quarto lugar é da Venezuela, com 64.610 toneladas, seguindo-se o Irã, Estados Unidos, Chile, China, Itália e Reino Unido.

Nos primeiros oito meses, o Centro-Oeste foi a região que mais exportou carne bovina, com um total de 373.180 toneladas ou 43,4% do total, enquanto que o Sudeste ficou na segunda posição com 284.305 toneladas, ou 33,1% das exportações brasileiras; a região Norte enviou 152.067 toneladas, contribuindo com 17,7% das vendas e o Sul 46.264 toneladas ou 5,4% do total.

Fonte: Agrolink