Cana de Açúcar

Etanol deixou de ser combustível do futuro para virar ‘mico’

13/05/2014

O etanol deixou de ser o combustível do novo milênio para se tornar um mico no interior de São Paulo. De acordo com a União da Indústria de Cana de açúcar (Unica), dez usinas devem fechar as portas até o final da safra de 2014 e outras 30 unidades encontram-se em processo de recuperação judicial.

“Essa quebradeira reflete a estratégia do governo federal de segurar, à força e artificialmente, o preço da gasolina para conter a inflação. A política de manutenção do preço da gasolina reduz as possibilidades de ampliação das cooperativas paulistas do setor sucroenergético”, alerta Del Grande.

Ele explica que “não dá para competir com o subsídio à gasolina. A longo prazo, essa política desestimula o plantio da cana e volta a fazer do Brasil um país dependente quase que exclusivamente do petróleo, aumentando o rombo da Petrobras, que já é grande”, completa.

“Nosso setor é extremamente eficiente e competitivo, como já provado em todos esses anos. Somos superavitários na produção de biocombustíveis com relação a combustíveis fósseis. E, mesmo com todas as dificuldades climáticas, no campo conseguimos alta produtividade com variedades de cana mais resistentes e produtivas. Portanto, somos bons na indústria e no canavial. Não nos cabem as críticas do governo. Os fatores negativos vêm da falta de uma política agrícola adequada para o setor sucroenergético”, rebate o presidente da Ocesp.

“O Brasil é referência mundial em combustível renovável. Temos a melhor matriz energética limpa, tecnologia de ponta e produtores rurais que vivem provando sua competência. E ainda utilizamos a mesma rede de distribuição dos outros combustíveis. Falta visão estratégica e sobram práticas populistas e ideológicas nas esferas de governo. Esperamos que, passadas as eleições, o novo governo, seja da situação ou da oposição, volte à realidade e valorize o que é 100% brasileiro”, enfatiza Del Grande.

Fonte: Agrolink
Autor: Leonardo Gottems