Estudo indica variedades de cana resistentes à seca

Pedro Zuazo
15/10/2010

Um estudo inédito no Brasil pode alavancar a atividade canavieira em áreas de expansão de cultivo que sofrem com a falta de água. Desde 2007, pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) fazem a caracterização das variedades nacionais de cana-de-açúcar. O objetivo é indicar as cultivares mais resistentes ao estresse hídrico e entender os mecanismos que as plantas usam para se defender da deficiência. O trabalho, feito através de análises morfológicas e fisiológicas, já avaliou 18 variedades brasileiras. Após três anos de experimentos, os materiais que apresentaram maior resistência e mantiveram os processos fisiológicos essenciais sem grandes perdas durante o estresse foram: RB86-7515, SP80-1842, SP81-3250 e SP83-2847.

Nos últimos 15 anos, foram lançadas mais de 100 cultivares, mas nenhuma delas foi avaliada quanto à resistência à deficiência hídrica. Essa lacuna de informação se deve ao fato de que as instituições de pesquisa, tanto públicas quanto privadas, direcionavam seus programas de melhoramento para o desenvolvimento de variedades mais produtivas e resistentes a doenças. No entanto, com o surgimento de novas regiões de cultivo da cana, surgiu também a necessidade de se incorporar novas características às plantas. A descrição das variedades quanto ao estresse hídrico servirá para orientar o produtor na escolha da cultivar, de acordo com as condições de sua região.

— Esse tipo de caracterização ou descrição das variedades é importante porque, até então, não existe conhecimento em cima dessas variedades. As variedades que estamos estudando passaram por um processo de seleção dentro dos seus programas de melhoramento, mas nesse processo não houve uma caracterização especial para as novas áreas que estão se expandindo no Brasil, como os Estados de Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais. São regiões com característica de deficiência hidrica que dura de quatro a seis meses ao ano — explica o engenheiro agrônomo Marcelo de Almeida Silva, da APTA, à frente das pesquisas.

Fonte: http://www.diadecampo.com.br/