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Estudantes concluem programa de Estágio em Cooperativas no AM

Manaus (27/2) – Docentes, alunos e gestores cooperativistas que participaram do Programa de Estágio em Cooperativas para Alunos Finalistas, da Faculdade de Ciências Agrárias (FCA) apresentaram, nesta terça-feira, 24/2, no auditório Samaúma, os resultados obtidos em 40 dias de atividades em campo, nos municípios Autazes e Manacapuru. As experiências foram proporcionadas por meio de convênio, numa iniciativa da Universidade Federal do Amazonas com o Sistema OCB/AM. O diretor da Faculdade, Néliton Marques e o superintendente do Sistema OCB/AM, Adriano Trentin Fassini, fizeram a abertura dos trabalhos.

“A Universidade não tem a função de conceder extensão rural, mas tem a responsabilidade de formar, qualificar futuros profissionais que enriqueçam os processos desses trabalhadores e quando vislumbramos esse programa, percebemos que é preciso repensar o currículo, de forma a fazer com que os alunos vivenciem mais daquilo para o qual estão sendo moldados, instruídos”, afirmou.

Adriano Trentin ratificou o compromisso e a alegria em firmar o convênio que pôde ajudar a promover a aproximação da academia com os produtores rurais. Ele lembrou que os principais objetivos do programa, que eram levar os alunos a aplicarem os conhecimentos apreendidos em sala de aula no cotidiano das cooperativas, foram alcançados.

“Ouvimos alguns relatos sobre como a ida dos alunos ajudou e ampliou o horizonte de pelo menos parte desses produtores, já que o tempo nas propriedades foi exíguo. Certamente não deixaremos essa chama se apagar, continuaremos o trabalho que já tem raízes fincadas e vamos arregimentar outras mentes jovens, que buscam contribuir com a melhoria da qualidade de vida do homem do campo no nosso Estado”, assegurou.

COOPLAM – Iniciando a fase de apresentações, o presidente da Cooplam, Manoel Maia, disse que o convênio foi uma das melhores iniciativas do Sistema OCB/AM, porque possibilitou um norteamento profissional sobre os trâmites internos, desde a construção de um levantamento geral da atuação da entidade, até o diagnóstico administrativo e a reformulação de processos, quando necessária.

“A Flávia (Coimbra, estagiária da Cooplam) conheceu o nosso dia a dia, esteve em algumas propriedades e também participou de um dia como técnica, dentro da fábrica. Não foi somente ela quem aprendeu, mas nós também pudemos compartilhar de conhecimento. Nós, inclusive, queremos que ela volte e nos ajude em outros momentos”, disse.

A aluna que é, do 10º período de Zootecnia, apresentou alguns dados coletados durante os 40 dias em que esteve em Autazes. Ela observou a diferença de atuações entre os membros da cooperativa, caracterizados como cooperados (já associados) ou agregados (em fase de associação) na área de trabalho da cooperativa.

Outro item apontado pela estudante foi a diferença entre a criação dos rebanhos pelo Projeto “Balde Cheio” (pastagem rotacionada em piquetes) e o criado em área de várzea, como também os seus respectivos custos, que variam entre R$ 1.500,00 e R$ 12 mil com despesas mensais.

A aluna discorreu, ainda, sobre a logística necessária para coleta do leite nas propriedades, que pode chegar até quatro horas de viagem de barco, além da fabricação dos queijos (frescal, ricota e minas), manteiga e doce de leite.

“Um apontamento preocupante na cooperativa foi a falta de profissionais para acompanhar as atividades dos trabalhadores, bem como a questão da qualidade e segurança animal, porque em alguns criadouros, há animais não vacinados. A presença de veterinários, zootecnistas seria de extrema importância para atender às demandas que poderiam ser resolvidas em menos tempo, sem acarretar grandes prejuízos e comprometimento da produção”, observou.

COOMAPEM – A aluna de Agronomia Carla Coelho, também do 10º período, começou sua apresentação se dirigindo aos alunos presentes. Ela frisou a importância do envolvimento dos acadêmicos com atividades em campo.

“Vocês podem se graduar no tempo regular do curso, mas permaneçam mais seis meses e vivam essa experiência, que para mim, foi engrandecedora. Na Coomapem, tive a oportunidade de estudar pragas que atingiram algumas culturas e sempre consultei professores para assegurar que meu diagnóstico estava correto. A insegurança que pode vir a acontecer, quando ainda não se é formado é normal, mas no fim, a gente se certifica de que sabe mais do que pressupõe”, afirmou.

Para Carla, três circunstâncias marcaram sua experiência: uma delas a de sugerir uma nova forma de proteger as plantações, com o uso de biofertilizantes, a diminuição dos espaços entre plantios de maracujá, de 4,50 m para 2,5 m entre os pés e, por fim, a observação acerca do letramento dos produtores, para melhor apreensão do conteúdo repassado pelos acadêmicos.

“Daqui a seis meses, faremos um teste sobre as novas técnicas adotadas e avaliaremos se foram bem sucedidas como mostram muitos estudos. Sobre o letramento dos produtores, acredito que esse é um problema que deve ser pensado e que precisa ter uma solução. Quanto menos instrução básica o produtor tiver, maiores são as dificuldades de ele entender e aplicar o que consideramos ser melhor para a sua propriedade”, salientou.

Alunos revelam interesse em participar do programa

“Nós estamos sempre pensando à frente, sobre como podemos melhorar nossas culturas. Em breve teremos um aluno, também da Ufam, que se será contratado para elaborar projetos que possam garantir a nós, produtores, recursos a serem aplicados para o desenvolvimento da cooperativa. Queremos muito que a aluna também possa continuar contribuindo com nossos cooperados, porque foram dias muito produtivos”, afirmou.

O produtor rural Elias Medeiros, cooperado da Coomapem, ratificou a opinião de Eliana. “Vamos fazer uso das indicações do que a acadêmica sugeriu e esperamos, em outro momento, poder contar com o conhecimento dela”, disse.

Ao fim do Workshop, o diretor da FCA informou que uma parceria semelhante, instigada pela que já foi firmada pelo Sistema OCB-Sescoop/AM, está sendo firmada com a Sempab.

“São ações como essas, ajustadas com o cooperativismo, que outras vão surgindo, criando não apenas campos de atuação para nossos alunos, mas dando chances de ganho para todos, para a Instituição, para os cooperados, para a sociedade como um todo”, concluiu.

Os alunos do oitavo período, Oswaldo Pereira, 23 e Robson Ramalho, 21, estiveram presentes ao evento e revelaram a intenção de se inscrever no próximo processo seletivo para estágios. “Uma das participantes chegou bastante entusiasmada com a ida para as cooperativas e ela acabou nos influenciando, então, vamos esperar o próximo edital”, garantiu Osvaldo.

“Eu não concorri antes, porque não poderia ir enquanto as aulas estivessem acontecendo. Já recebemos a informação de que o próximo edital será elaborado com uma observância em relação a isso”, comemorou.

SOBRE O PROGRAMA – Durante as atividades, os alunos envolvidos estiveram à disposição das cooperativas por aproximadamente 40 dias, pondo em prática os conhecimentos apreendidos em sala de aula, nos mais diversos cursos oferecidos na área de ciências agrárias.

FASES DOS ESTÁGIOS – Nas cooperativas, o trabalho dos alunos estagiários se dividiu em três etapas: a primeira foi de elaboração de um diagnóstico; na segunda etapa, construir um planejamento participativo, reunindo os conselhos de administração e fiscal e estudando as forças, oportunidades, fraquezas e ameaças da cooperativa e do grupo de cooperados; e o terceiro consistiu na realização de uma capacitação ou a realização de um dia de campo.

Um novo edital para chamamento de novos alunos interessados em participar do Programa de Estágio em Cooperativas para Alunos Finalistas ainda não tem data para acontecer, mas deve abranger os demais cursos da Faculdade de Ciências Agrárias. O edital, quando disponível, será publicado no site da FCA.

Fonte: OCB