Erva-mate

Erva-mate tem produção recorde na Argentina; Temor é por excesso de oferta

30/09/2015

Se no Brasil a erva-mate teve majoração de preços generalizada em função de diversos problemas no setor, a solução de abastecimento pode estar bem próxima. A Argentina terá recorde de produção nesta safra: apenas nos sete primeiros meses de 2015, já foram colhidas 378,6 mil toneladas – nada menos que 73 mil toneladas a mais em comparação com igual período do ano passado.

A expectativa naquele país é de que se supere a marca da temporada passada de 781 mil toneladas, que já havia sido histórica. A região com melhores resultados é a de Misiones: Oberá, 25 de Mayo, Caingüas, Leandro N. Alem e San Javier. Apenas nestas localidades já se colheu 203 mil toneladas este ano, superando em 20 mil toneladas o ciclo anterior.

O setor de erva-mate na Argentina vai na contramão do Brasil: a produção vem sendo incrementada desde o ano de 2013 em função de uma forte recomposição de preços que beneficiou a cadeia em 2012. Com isso, a cultura se tornou a mais rentável na região.

O temor, agora, é justamente o inverso: o excesso de oferta. Representantes do setor produtivo já alertam para esse problema uma vez que, enquanto a colheita segue crescendo, a demanda se mantém nos mesmos níveis históricos.

Enquanto em 2013 os processadores venderam 257,7 mil toneladas de produto elaborado para o mercado interno, em 2014 essa quantidade baixou para 256,1 mil toneladas. Neste ano o ritmo vai na mesma tendência: foram vendidas 50 toneladas menos nos cinco primeiros meses do ano na relação com igual período do ano passado. Lembrando que os argentinos utilizam três quilos de folha verde para produzir cada quilo de erva-mate.

Especialistas apontam que este problema de excesso de oferta no mercado argentino poderia se transformar em solução para suprir a demanda brasileira. Apenas no Mato Grosso do Sul, por exemplo, a produção de erva-mate caiu 94% em 11 anos, segundo pesquisa feita na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).

O Rio Grande do Sul segue sendo o estado brasileiro com “maior representatividade em termos de consumo e oferta da erva-mate, detendo cerca de 62% da produção nacional e plantando 43,6% da área total desta cultura no país”, aponta estudo do Departamento de Administração e Ciências Econômicas, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

No entanto, o Sindicato das Indústrias de Erva-Mate do Estado do RS (Sindimate) aponta que houve redução de 20% no consumo em 2014. O motivo apontado, porém, não é uma alteração nos hábitos, mas uma demanda reprimida em função dos altos preços praticados – a inflação chegou a 200% no ano passado. “O gaúcho não deixou de tomar chimarrão, só reduziu a quantidade de erva na cuia”, explica o presidente da Associação Gaúcha dos Supermercados (Agas), Antonio Longo.

Fonte: Agrolink
Autor: Leonardo Gottems