Entendendo Sobre Nutriente na Alimentação Bovina ( 1° parte )

Matéria seca
Todo alimento tem algum teor de água em sua composição. Se uma amostra de 100g for totalmente seca (retirar-se toda a água) o peso que sobrar é a quantidade de matéria seca contida em 100g daquele alimento. Como a água normalmente é abundante e barata quando se compra um alimento o que interessa é quanto de matéria seca ele tem. Matéria seca = Peso do alimento – peso da água contida no alimento.
Energia
A energia está contida em qualquer alimento orgânico e é essencial para a produção animal. Na alimentação animal um alimento é mais energético quanto maior for a sua digestibilidade pelo animal, por isso uma forma de expressar energia de um alimento é relacioná-la com sua digestibilidade. A medida de energia chamada NDT*  é expressa em % da matéria seca (%MS) e praticamente reflete quanto do alimento pode ser digerido. Assim se um alimento tem 90% de NDT e outro tem 60% de NDT significa que o de 90% é mais digerido e por isso tem mais energia disponível para o animal.
Proteína
as proteínas são importantes porque fazem parte da estrutura do organismo (músculos, células) e são constituintes básicos dos produtos de origem animal (leite, carne). Assim quanto maior a quantidade de proteína for encontrada nestes produtos maior será a exigência do animal para este nutriente. A unidade utilizada para medir a proteína nos alimentos é a proteína bruta (PB), normalmente expressa em (%MS).
Fibra
A fibra é um nutriente presente nos alimentos de origem vegetal, corresponde à parede celular das plantas. A unidade utilizada é FDN  que expressa o teor total de fibra do alimento. Os bovinos se desenvolveram ao longo do tempo para digerirem a fibra dos vegetais (pasto) e conseguem produzir energia a partir desse nutriente. Entretanto a fração fibrosa dos alimentos possui baixa digestibilidade e consequentemente baixa energia. Um nível mínimo de fibra na dieta é necessário para o funcionamento adequado do sistema digestivo dos ruminantes.
Minerais
Os minerais são componentes inorgânicos que participam do metabolismo animal e por isso precisam ser fornecidos na dieta. Os macrominerais são aqueles que devem estar em quantidades maiores, algumas gramas por dia. Os macrominerais essenciais são cálcio, fósforo, magnésio, sódio, enxofre, potássio e cloro. Os microminerais também são essenciais mas em quantidades muito baixas. Os principais microminerais essenciais são selênio, cobalto, zinco, manganês, cobre e iodo.

Volumosos

Silagem de milho

Composição Básica:

– MS: Ideal entre 30 e 35%.
– NDT: entre 66(boa) e 58% (ruim)
– FDN: entre 42 (muito boa) e 60% (ruim)
– PB: entre 6 e 9% (não é um parâmetro importante nesse alimento)
Vantagens:

– Alto nível de energia
– Baixo teor de fibra
– Produção por ha intermediária (15 ton/MS)
– Brasil tem tradição em cultivo de milho
– Cultura relativamente simples
– Planta tem alta ensilabilidade
Desvantagens:
– Plantio anual
– Alto investimento em máquinas (problema principalmente para pequenas propriedades)
– Pode ter risco alto em algumas regiões
Como produzir com alta qualidade:

– Escolha do híbrido
– Condução agronômica correta
– Colher no ponto certo
– Processar adequadamente (tamanho de partícula)
– Compactar bem o silo
– Fechar bem o silo
– Desensilar corretamente
Quando usar:

– Quantidade a ser produzida deve justificar investimento em máquinas
– Tecnologia deve permitir produções altas com alta qualidade
– Exigência em produção por área não deve ser o primeiro limitante do sistema
– Vacas com exigência de energia média ou alta
– Região com chuvas adequadas ou irrigação

Silagem de sorgo

Composição Básica:
– MS: Ideal entre 30 e 35%.
– NDT: entre 62(boa) e 56% (ruim)
– FDN: entre 50 (muito boa) e 63% (ruim)
– PB: entre 6 e 10% (não é um parâmetro importante nesse alimento)
Vantagens:

– Alto nível de energia (menor que milho)
– Baixo teor de fibra (maior que milho)
– Produção por ha intermediária (15 a 20 ton/MS)
– Cultura relativamente simples
– Maior resistência a seca que milho
Desvantagens:

– Plantio anual
– Alto investimento em máquinas (problema principalmente para pequenas propriedades)
– Em condições normais perde para o milho em termos de viabilidade
Como produzir com alta qualidade:

– Escolha do híbrido
– Condução agronômica correta
– Colher no ponto certo
– Processar adequadamente (tamanho de partícula)
– Compactar bem o silo
– Fechar bem o silo
– Desensilar corretamente
Quando usar:

– Quantidade a ser produzida deve justificar investimento em máquinas
– Tecnologia deve permitir produções altas com alta qualidade
– Exigência em produção por área não deve ser o primeiro limitante do sistema, mas pode ser melhor que o milho nesse ítem
– Vacas com exigência de energia média ou alta
– Normalmente indicado em locais em que existe restrição ao cultivo do milho, próximo a centros urbanos (roubo de espigas) ou baixa pluviosidade (maior resistência ao stress hídrico)

Cana-de-açúcar

Composição Básica:
– MS: Entre 28 e 35%.
– NDT: entre 62(boa) e 56% (ruim)
– FDN: entre 44 (muito boa) e 63% (ruim)
– PB: entre 2 e 4% (não é um parâmetro importante nesse alimento)
Vantagens:

– Alta produção por ha (40 a 50 ton/MS)
– Cultura simples
– Risco baixo
– Cultura perene
– Baixo investimento em máquinas
– Alto nível de energia
– Baixo teor de fibra
– Rica em carboidrato de excelente qualidade (sacarose)
– O Brasil tem cultura de cultivo de cana
– Produz com máxima qualidade na seca
Desvantagens:

– Péssima qualidade da fibra
– Difícil mecanização
– Baixo teor de proteína e minerais
– Não existem estudos de uso contínuo por períodos maiores que 200 dias
– Não pode ser usada fresca o ano todo e precisa ser melhor estudada na forma de silagem
Como produzir com alta qualidade:

– Escolha da variedade (máximo de sacarose, qualidade da fibra)
– Condução agronômica correta
– Colher no ponto certo (precoce ou tardia), máximo sacarose
– Processar adequadamente (tamanho de partícula menor possível)
Quando usar:

– Interessante em sistemas de baixa mecanização (perene)
– Opção muito interessante em sistemas que busquem altas produções por área
– Não deve ser usada em sistema que busquem máxima produção por vaca (limita consumo)
– Vacas com exigência de energia baixa ou média
– O sistema deve ter outra opção de volumoso para o período de verão, combinação interessante para sistemas que usam pasto no verão

Capim elefante – corte verde

Composição Básica:

– MS: Menor que 20%
– NDT: entre 56(bom) e 50% (ruim)
– FDN: entre 65 (muito boa) e 85% (ruim)
– PB: entre 2 e 12% (é um parâmetro importante nesse alimento)
Vantagens:

– Alta produção por ha ( até 40 ton/MS)
– Cultura simples
– Risco baixo
– Cultura perene
– Baixo investimento em máquinas
– O Brasil tem cultura de cultivo de capineira

Desvantagens:
– Se for feito somente um corte anual o material é de péssima qualidade
– Baixo nível de energia
– Alto teor de fibra
– Para se ter material com máxima qualidade deve-se cortar a cada 60 dias e a produção se concentra no verão quando a maioria dos produtores não estão suplementando volumoso para os animais.
Como produzir com alta qualidade:

– Condução agronômica correta
– Colher no ponto certo, sempre no verão
– Por ter alta fibra nunca é um material de muito alta qualidade
Quando usar:

– Interessante em sistemas de baixa mecanização (perene)
– Pode ser opção em sistemas que busquem altas produções por área
– Não deve ser usada em sistema que busquem máxima produção por vaca (qualidade baixa)
– Vacas com exigência de energia baixa ou média
– Pode ser opção em sistemas que vão suplementar volumoso no verão, por alguma razão não se pode utilizar pasto.
– No inverno sempre será pior opção que a cana-de-açúcar

Fonte: Ricardo Peixoto de Melo, médico veterinário, pós-graduado em pecuária leiteira – Equipe ReHAgro

http://www.ruralpecuaria.com.br/2010/12/entendendo-sobre-nutriente-na.html