Pecuária

Empresas ampliarão derivado de leite caprino


Após nacionalizar o leite de cabra em pó, o próximo passo do setor é ampliar a produção de queijos brasileiros e, conseqüentemente, reduzir as importações do produto. Atualmente, cerca de 80% dos queijos de cabra consumidos no País são importados.

De olho no potencial desse mercado, as empresas que atuam no setor lácteo de caprinos, como Capritec e Caprilat, estão apostando nos queijos, agregando valor à produção.

A Caprilat, que pertence ao grupo Celes Cordeiro Alimentos (CCA Laticínios), acaba de encerrar suas importações de leite de cabra em pó, passando a produzir todo o produto que era comercializado com a marca Scabra. “Ao invés de importar o leite em pó, resolvemos terceirizar a secagem do leite”, afirma Paulo Cordeiro, um dos sócios da Caprilat. O processo será feito pela Leites Canaã, que, além de secar o leite, também o tornará instantâneo.

Com isso, a empresa contará, além da versão UHT (longa-vida), com o leite em pó instantâneo totalmente produzido com matéria-prima brasileira. Com a nacionalização do leite, a empresa vai deixar de importar entre 60 e 70 toneladas de leite de cabra em pó por ano. “Além de não pagar impostos de importação e economizar divisas para o País, estamos estimulando a produção nacional”, explica Cordeiro.

Atualmente, a Caprilat, que está no mercado desde 1995, só industrializa e comercializa o leite: a matéria-prima é proveniente dos 114 caprinocultores integrados, que entregam à empresa cerca de 900 litros de leite por dia. “Começamos com a produção de cabras, mas há quatro anos dividimos o rebanho em sistema de comodato para nos dedicarmos ao processamento do leite”. A sede da empresa fica em Nova Friburgo (RJ), mas além do Rio de Janeiro, a captação também é feita em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul.

O próximo passo da Caprilat, segundo Paulo Cordeiro, é voltar a produzir queijo com o leite de cabra, produto de alto valor agregado, pois boa parte do derivado consumido no Brasil é importada. Para tanto, a empresa está fechando uma parceria com o laticínio mineiro Damata, que ficará encarregado de processar o leite. “O investimento é baixo, pois não precisamos construir uma planta industrial. Os gastos serão com embalagem e marketing.” Segundo o empresário, cerca de 250 litros de leite deverão ser destinados à produção de queijos. No ano passado, a empresa processou 1,63 milhão de litros, mais de 40% superior ao verificado em 2006. Para 2008, a meta da Caprilat é industrializar 1,9 milhão de litros de leite.

Mas os planos da Caprilat não param por aí. Em 2009 a empresa começará a exportar leite de cabra em pó aos países da América Latina. “Sabemos que há demanda para os países vizinhos, mas, para atender aos pedidos, temos de adequar nossa fábrica.

Capritec

Assim como o grupo CCA Laticínios, a Capritec aposta do setor lácteo caprino e está em busca de um parceiro para processar o leite produzido em sua fazenda, a Capril Serra de Andradas, instalada em Espírito Santo do Pinhal (SP). “Com a parceria, podemos elevar o plantel e o volume de leite captado”, afirma Silvio Doria, sócio da Capritec. Hoje, a empresa processa cerca de 100 litros de leite por dia. De acordo com Doria, a fazenda tem potencial para processar até 500 litros por dia.

A Capritec produz em seu laticínio o Delli Capri, leite pasteurizado em garrafas, congelado e queijos. Os produtos são comercializados na região da fazenda, pois a empresa possui apenas selo de inspeção municipal. “Em até cinco anos pretendemos ter um selo estadual, mas para isso temos de investir no caprino”, explica Doria. Segundo o empresário, que também é professor universitário, falta-lhe tempo para se dedicar ao caprino e, por isso, os investimentos são feitos com cautela.

O rebanho da Capritec é composto por 80 animais, sendo que apenas 18 estão em lactação. Além da criação das cabras e do processamento de leite, a Capritec também atua como consultoria na área de caprinos e ovinos, além de oferecer assistência e treinamento aos investidores.

Outras fontes de renda da empresa são: a venda de sêmen, reprodutores e matrizes, a Caprishop, loja especializada em caprinos, e o portal Capritec, endereço virtual com informações sobre o setor e anúncios. No caso das vendas de sêmen, Doria está animado com o possível aumento da demanda, pois a empresa acaba de fechar uma parceria com a Alta Genética, uma espécie de central que irá comercializar o sêmen retirado dos animais da Capritec.

Mercado

A produção de leite de cabra cresce cerca de 15% ao ano no Brasil. No Nordeste, o maior pólo criador de caprinos, com 92% do rebanho, a captação de leite aumenta cerca de 20% ao ano por conta dos programas governamentais. “Muitas prefeituras compram o leite dos produtores para utilizar na merenda escolar, o que tem estimulado o aumento dos rebanhos locais”, explica Paulo Cordeiro, da Caprilat.

Segundo ele, o consumo de leite de cabra no Brasil tem fundamento terapêutico, pois boa parte dos consumidores é de crianças com intolerância à lactose, substância presente no leite de vaca. “Por isso, precisamos ter produtos processados para elevar mais a demanda”, explica. Cordeiro informa que, na Europa, a maior parte do leite de cabra é destinada à produção de queijos. No Brasil, do total processado – cerca de 14 milhões de litros de leite por ano -, aproximadamente 1 milhão de litros vira queijo; o restante é vendido nas versões UHT, pasteurizado, em pó e leite congelado.


Fonte:
DCI – Diário do Comércio & Indústria

http://www.nogueirafilho.com.br/arquivos_noticias/leitecaprino.htm