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Empresa: Consórcio Pesquisa Café lança Aranãs, nova cultivar de café de alta produtividade

16/07/2015

O Programa de Melhoramento Genético do Café da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais – EPAMIG, instituição participante do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café, desenvolveu mais uma cultivar de café: a MGS Aranãs, lançada durante a Expocafé 2015. O pesquisador da EPAMIG, César Botelho, apresentou a cultivar MGS Aranãs como potencial material genético para a cafeicultura mineira. “A Aranãs é resistente à ferrugem, tem alta produtividade e se destaca por seus grãos graúdos e bebida de qualidade”, afirma. A avaliação de quatro primeiras safras, em área experimental no Vale do Jequitinhonha, apontou produtividade média de 56,48 sacas por hectare e excelente qualidade da bebida. “O nome Aranãs, com significado ‘aves que veem do Sul’, é uma homenagem às comunidades indígenas historicamente ligadas à região”, conta.

Segundo o pesquisador, a utilização da Aranãs resulta também na diminuição de custos, uma vez que a característica de resistência à ferrugem permite que os cafeicultores realizem apenas uma aplicação de defensivo ou até mesmo a utilização somente de fungicidas protetores. “E tem o apelo ambiental por permitir usar menos produtos químicos no ambiente. A nova cultivar foi registrada no Ministério da Agricultura em novembro do ano passado e, neste ano, estamos fazendo trabalho de divulgação e disponibilização de sementes”, explica Botelho. A nova cultivar é indicada para o Sul de Minas e regiões de morro, mas também para a cafeicultura empresarial de áreas mais planas.

MGS Aranãs – Origina-se do cruzamento, iniciado em 1985 no Campo Experimental da EPAMIG em São Sebastião do Paraíso, das cultivares Icatu Vermelho IAC 3851-2 e Catimor UFV 1602-215, ambas portadoras de resistência genética ao agente causador da ferrugem do cafeeiro. A cultivar MGS Aranãs foi testada nas regiões Sul de Minas (São Sebastião do Paraíso, Machado e Três Pontas) e Vales do Jequitinhonha e Mucuri (Aricanduva) e apresenta adaptação às principais regiões cafeeiras de Minas Gerais e ainda outros estados brasileiros aptos à espécie Coffea arábica.

Dentre as principais características destacam-se, além da resistência à ferrugem do cafeeiro, o porte baixo (altura média de 2,7 metros) e a copa em formato cônico. Os frutos maduros apresentam coloração vermelha e as sementes são graúdas. As folhas novas são de coloração bronze e, quando adultas, verde-escuro brilhante. Testes preliminares de avaliação sensorial apontaram elevada qualidade de bebida (88 pontos na escala, que vai de zero a cem pontos pelos critérios da Brazil Specialty Coffee Association – BSCA). Apresenta notas de frutas secas (damasco), bom corpo e finalização agradável.

Epamig e o café – Os estudos de melhoramento genético do cafeeiro na Epamig começaram na década de 70, após a ferrugem ser constatada na cafeicultura brasileira. A Empresa, uma das pioneiras no País em pesquisas de café, realiza pesquisas de cafeicultura para criar e adaptar tecnologias que possibilitem atender às necessidades do produtor rural, o que significa inclusão social, ampliação do agronegócio café, redução da desigualdade regional e aumento da produtividade em benefício da economia de Minas Gerais como um todo. As linhas de pesquisas da Epamig sobre o café incluem temas como o preparo do solo; desenvolvimento de novas cultivares resistentes a pragas e doenças e com maior produtividade; a indicação de cultivares selecionadas; controle químico e biológico de pragas e doenças; cuidados pós-colheita, entre outras. Esses estudos, desenvolvidos em seus 41 anos de existência da Empresa, foram fundamentais para a tecnificação das lavouras e melhoria na qualidade de vida dos cafeicultores do maior estado produtor de café do Brasil.

Sobre o Consórcio – Criado em 1997, congrega instituições de pesquisa, ensino e extensão localizadas nas principais regiões produtoras do País. O modelo de gestão do Consórcio incentiva a interação das instituições e a otimização de recursos humanos, financeiros e materiais. As instituições fundadoras são: Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola – EBDA, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais – Epamig, Instituto Agronômico – IAC, Instituto Agronômico do Paraná – Iapar, Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – Incaper, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa, Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro – Pesagro-Rio, Universidade Federal de Lavras – Ufla e Universidade Federal de Viçosa – UFV.

Fonte: Embrapa Café
Autor: Flávia Bessa