Custo de Produção

Embrapa pesquisa novas tecnologias para cultivo de seringueira no Acre

A Embrapa está aplicando no Acre pesquisas de novas tecnologias para o cultivo de seringueira (Hevea brasiliensis) na composição dos sistemas agroflorestais do Estado.  O objetivo é ampliar o plantio de seringueiras, aumentar a renda de agricultores e reduzir a pressão ambiental sobre a floresta nativa primária, utilizando clones resistentes às doenças e pragas sem enxertia de copa.

A seringueira é atacada por pragas e doenças, a exemplo de outras culturas perenes ou anuais.  A importância econômica da incidência de pragas e doenças na seringueira não tem sido estudada em seu habitat natural.  Os pesquisadores acreditam que haja um equilíbrio entre as populações de pragas e patógenos que atacam esta planta.

O mal-das-folhas, considerado a principal doença de florestas de seringueira na Amazônia, é causado pelo fungo Microcyclus ulei.  Ele ataca principalmente plantas com folhas novas de até 12 dias de idade.  Sua presença é favorecida pelas altas temperaturas e elevada umidade.

Um estudo realizado pela Embrapa, em 2007, para orientar estratégias de controle do mal-das-folhas da seringueira, considerou o Acre como região de clima favorável à ocorrência desta doença.

Há vários anos os pesquisadores da Embrapa em Rio Branco (AC) realizam estudos voltados para o desenvolvimento da cultura da seringueira.  A partir da década de 70, os trabalhos evoluíram com a criação de um programa de melhoramento genético da seringueira, coordenado pela Embrapa Amazônia Ocidental em Manaus (AM), o que possibilitou a substituição da tecnologia da seringueira bicomposta pela abordagem tricomposta.

Os pesquisadores acreditam que a heveicultura no Acre dará novo passo em decorrência da aprovação pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do projeto “Clones de Hevea brasiliensis e híbridos de H. brasiliensis x H. benthamiana resistentes à Microcyclus ulei para composição de sistemas agroflorestais”.  O projeto, desenvolvido em rede, é liderado pelo pesquisador Rivadalve Coelho Gonçalves.

Os resultados das pesquisas indicam que, no Acre, clones de seringueira que apresentem “caducifolismo e reenfolhamento” no período seco escapam à fase crítica da doença.  Além disso, o uso de clones com resistência genética, somado à abordagem multiclonal com alta diversidade e heterogeneidade genética constitui melhor estratégia para o cultivo de florestas de seringueira no Estado.

Os clones utilizados na nova pesquisa foram desenvolvidos pela empresa Michelin em parceria com o Centro de Cooperação Internacional de Investigação Agronômica para o Desenvolvimento.  O experimento foi implantado na propriedade do produtor Paulo Sergio Peres, no município de Bujari (AC).  Na propriedade, há uma floresta de seringueira plantada na década dos 1980, que produz 15 mil quilos de borracha úmida por ano.  A área experimental comporta mais de 20 hectares, sendo que neste ano a área implantada é de seringueira consorciada com milho.

O governo do Acre também iniciou um programa de fomento à atividade de reflorestamento com seringueira, que utilizará os clones sugeridos pela Embrapa, disponibilizados pela Michelin.  As mudas produzidas pela Secretaria Estadual de Florestas do Acre, em parceria com a Embrapa, serão repassadas aos produtores.  Os projetos de reflorestamento, elaborados pela Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof), serão financiados pelo Banco da Amazônia.  Os produtores poderão contar apoio da Seaprof e prefeituras, parceiras na produção de mudas e no fornecimento de assistência técnica.

Segundo os pesquisadores, no sistema de produção que prioriza a seringueira, são implantadas 512 árvores por hectare.  A produção esperada com os novos clones é de no mínimo 1 tonelada de borracha fresca por hectare ao ano.  A produção, se adquirida a R$1,30 o quilo, poderá render ao produtor R$ 2 mil por hectare ao ano – a soma do valor obtido na indústria, mais R$ 0,70 de subsídio por quilo.  Isso possibilitaria uma remuneração bruta média de R$ 55,55 por dia, ou R$ 1,3 mil ao mês durante nove meses de exploração.

– A seringueira possui grande fixação de carbono para a produção da borracha, o que ajuda a diminuir a quantidade de gás CO2 na atmosfera, responsável pelo efeito estufa.  Além disso, podem ser incluídas nos resultados questões sociais, como a maior procura por mão-de-obra no campo e geração de renda complementar para as propriedades rurais – argumenta o agrônomo Rivadalve Coelho.

Bônus
A partir da próxima semana entra em vigor o bônus concedido pelo governo a produtores de borracha, castanha e sisal.  Ele foram incluídos no Programa de Garantia de Preços da Agricultura Familiar.  Caso, na hora de quitar o financiamento, o preço pago estiver abaixo dos custos de produção, o governo garante ao produtor um bônus que cobre a diferença.

Produtores de borracha natural de Tocantins terão direito a desconto de 17%.  No Acre, onde o preço médio de mercado da castanha é R$ 45 e os custos de produção passaram de R$ 52, o desconto será de 14,26%.  No Rio Grande do Norte, os produtores de sisal vão contar com um bônus de 14,14%.

Os valores vão ser ajustados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com base em levantamentos feitos mensalmente nas principais praças de comercialização dos produtos da agricultura familiar.

Fonte: http://www.amazonia.org.br/noticias/print.cfm?id=302130