Gerenciamento de Produção

Embrapa estuda o impacto das mudanças climáticas sobre o café

08/10/2013

 

Com esse estudo, os pesquisadores que desenvolvem o FACE Climapest acreditam ser possível desenvolver estratégias de adaptação

 

Adaptação às mudanças climáticas é o mote de diferentes pesquisas ao redor do mundo. No Brasil, instituições também estão preocupadas em estudar o assunto.  Em Jaguariúna, SP, na sede da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) – unidade Meio Ambiente, uma pesquisa multifocal estuda os impactos das mudanças climáticas na cultura de café. É o FACE (“Free Air Carbon-dioxiede Enrichement”) Climapest.

É o primeiro no mundo voltado à cultura cafeeira, que visa avaliar os impactos do aumento da concentração de CO2 do ar e a disponibilidade de água na cultura do café para a análise de vulnerabilidade e a elaboração de medidas de adaptação às mudanças climáticas.

Liderado pela pesquisadora Raquel Ghini, doutora em Fitopatologia da Embrapa Meio Ambiente, juntamente com outros cinco pesquisadores das Embrapas Meio Ambiente e Instrumentação, o projeto tem uma proposta ambiciosa. Visa entender como as plantas, os patógenos, as pragas e os organismos envolvidos respondem ao futuro incremento na concentração de CO2 e suas  interações com a disponibilidade de água. Com esse estudo, os pesquisadores que desenvolvem o FACE Climapest acreditam ser possível desenvolver estratégias de adaptação, uma vez que os resultados podem ajudar a minimizar os impactos negativos das mudanças climáticas ou fornecer novas oportunidades a partir dos impactos positivos observados.

DIFERENTES ESTUDOS DENTRO DO MESMO PROJETO – A concentração atmosférica de dióxido de carbonos (CO2) tem aumentado significativamente nas últimas décadas. Apesar das evidências a respeito dos efeitos benéficos do CO2 sobre as plantas, pouco é conhecido se esses efeitos persistirão na presença de patógenos e outros fatores limitantes, especialmente em países tropicais.

Experimentos do tipo FACE são caracterizados por exposições em larga escala e por longo tempo de plantas e elevadas concentrações de CO2, em condições de campo permitindo avaliações interdisciplinares. Não há informações sobre os impactos da alta concentração de CO2 em plantas de café, apesar da importância da cultura. Daí o ineditismo da pesquisa realizada em Jaguariúna.

Ao todo, 13 instituições parceiras desenvolvem a pesquisa. Trabalham no projeto o CENA/USP; as Embrapa Café, Instrumentação e Meio Ambiente; a Epamig; a Esalq/USP; o Inpe; o IAC; o Instituto Biológico; o Instituto de Botânica; a Unicamp; a UFV; e a Ufla.

Ao mesmo tempo, são realizados dentro do projeto diferentes estudos, dentro de seis planos de ação: Gestão de informação e administração da rede (plano de Gestão); desenvolvimento de novos dispositivos, manutenção, otimização do algoritmo de controle (Instrumentação); avaliação de pragas, doenças e plantas invasoras (Aspectos fitossanitários); avaliação de microbiota do solo, inimigos naturais e organismos associados (Interações multitróficas); avaliação de aspectos agronômicos, fisiológicos, bioquímicos e econômicos (plantas); e avaliação da fertilidade, física e química de solo, dinâmica de C e N, decomposição e ciclagem de nutrientes, e emissão de N2O a partir de fertilizante nitrogenado (Solo).

DESCRIÇÃO DO EXPERIMENTO – O FACE Climapest teve início no projeto intitulado “Impacto das Mudanças Climáticas Globais sobre Problemas Fitossanitários – Climapest”, financiado pela Embrapa. O experimento está instalado na Embrapa Meio Ambiente e teve início em 25 de agosto de 2011, para gerar dados em condições de campo para a cultura de café com e sem irrigação.

As doenças, pragas e plantas invasoras, bem como a fisiologia vegetal de duas cultivares (Catuaí Vermelho IAC 144 e Obatã IAC 1669-20), além de interações multitróficas e atributos do solo, estão sendo monitoradas em doze parcelas octogonais de dez metros entre lados opostos, localizadas dentro de uma lavoura com área total de 7 hectares.

Seis dessas parcelas, que representam o grupo de controle, foram deixadas sem tratamento, ou seja, em condições atmosférica normais, enquanto as outras seis têm sido tratadas com CO2. É utilizado um sistema de injeção direta, onde o CO2 é injetado puro e é diluído pelo próprio vento, para que seja alcançada a concentração média de 200 ppm acima do valor ambiente, no centro da parcela.

Um tanque para armazenamento de 20 toneladas de capacidade alimenta o sistema de injeção. A instrumentação, desenvolvida pela Embrapa em São Carlos, SP, é baseada na tecnologia de rede de sensores sem fio. Em cada segmento do octógono há uma válvula que é acionada automaticamente para compensar a direção do vento e há ainda um dispositivo de controle de fluxo para compensar as mudanças de velocidade do vento.

 

Fonte: Uagro