Catálogos técnicos e de produtos

Embrapa e Líder Mundial na produção de Fertilizantes assinam convênio

 

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa, e a Yara Internacional, maior empresa produtora de fertilizante do mundo, assinaram na terça-feira (27), em Brasília, um convênio de cooperação científica visando desenvolver fertilizantes e boas práticas de seu uso em solos tropicais, com a visão de reduzir o impacto ambiental da utilização desses produtos.

As primeiras ações dessa união preveem, para 2013, o levantamento do impacto ambiental do uso de fertilizantes nitrogenados, a partir de medidas das emissões de gases de efeito estufa (desde a produção do fertilizante até seu uso agrícola), e o desenvolvimento/validação de tecnologias para a minimização desse impacto.

“Uma parceria que deverá resultar em grande salto na tropicalização das tecnologias de fertilizantes e que poderá minimizar o impacto ambiental negativo da utilização desses produtos na agricultura sem esquecer a eficiência agronômica de sua utilização”, ressalta o Presidente da Embrapa, Maurício Lopes.

Segundo o pesquisador José Carlos Polidoro, da Embrapa Solos (Rio de Janeiro, RJ), essa ação visa minimizar a “pegada de carbono” dos fertilizantes no Brasil, pois quanto menor for o impacto ambiental na produção de alimentos, maior será a aceitação do mercado internacional e menores serão as barreiras não tarifárias para os produtos agrícolas. São ações que visam também contribuir para o cumprimento das metas brasileiras de diminuição de emissão de gases de efeito estufa com a comunidade internacional, bem como contribuir para o Programa Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC) do Mapa.

Os benefícios da parceria Embrapa-Yara Internacional não param por aí. A capacitação de recursos humanos da Embrapa e de instituições de ensino e pesquisa parceiras em tecnologias de fertilizantes também merece destaque. Os treinamentos serão dados nos centros de pesquisa da Embrapa e da Yara International, localizados na sede da empresa, na Noruega, e na Alemanha.

Em busca da tropicalização de fertilizantes

O Brasil é o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo, sendo que mais da metade do total desses produtos consumidos aqui são importados. Esse item representa até 50% dos custos variáveis de produção das lavouras. No caso dos fertilizantes nitrogenados, grandes quantidades do nutriente que, aplicados no solo, podem ser perdidos para o ar na forma de gases chamados amônia e óxidos de nitrogênio ou para os mananciais de água na forma de nitrato, ambos produzidos a partir de reações da ureia no solo. Essas perdas acontecem porque as reações da ureia são rápidas em solos tropicais, o que não ocorre em solos de clima temperado. 

Não é de hoje que os pesquisadores estão preocupados com esse cenário. “Atualmente o aproveitamento do Nitrogênio (N) colocado no solo pelas plantas é muito baixo. A razão é que a maior parte dos adubos utilizados no Brasil não é desenvolvida para solos tropicais como os nossos. Para se ter uma ideia, até 50% da ureia – principal fertilizante nitrogenado utilizado nas lavouras brasileiras – quando aplicada no solo, pode ser perdida na forma desses gases. Além do prejuízo agronômico (econômico) um desses gases, o óxido nitroso, é um poderoso gás de efeito estufa, que pode causar grande impacto ambiental, comenta José Carlos Polidoro. Ele integra a Rede FertBrasil, uma iniciativa de pesquisa que congrega 138 pesquisadores e técnicos de 27 unidades de pesquisa da Embrapa e 73 cientistas de outras instituições de pesquisa e extensão, sob a coordenação do pesquisador Vinícius Benites, da Embrapa Solos.

“Trata-se de um trabalho de fôlego, iniciado há três anos e que já conseguiu resultados significativos para a agricultura brasileira”, enfatiza o presidente da Embrapa. “A Rede FertBrasil tem atuado na elaboração de políticas públicas, em apoio ao Governo Federal, para a implantação de um Plano Nacional de Fertilizantes para o Brasil, que visa incentivar a produção nacional de fertilizantes”, diz Lopes. Segundo informa, a Rede também tem organizado eventos técnico-científicos, em parceria com os setores público e privado, a fim de incentivar a inovação tecnológica no setor de fertilizantes para a tropicalização de fertilizantes no País.

Em outras palavras, os pesquisadores estão trabalhando para obter e validar tecnologias que tornem as reações da ureia mais lentas nos solos brasileiros, buscando desenvolvimento e validação de formulações de fertilizantes nitrogenados com uso de outras fontes de nitrogênio, minimizando as perdas do solo e maximizando sua utilização pelas plantas. Isso resultará em economia de fertilizantes nitrogenados na agricultura brasileira.

Cenário preocupante

Segundo informações da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA), o Brasil consumiu no ano passado 28.256.354 toneladas de fertilizante NPK. Para este ano a utilização desses nutrientes pode chegar a 29 milhões de toneladas, um recorde na utilização desses produtos, enfatiza Polidoro.

No que diz respeito à importação, o pesquisador informa que em 2011 o Brasil importou 74% de todo o fertilizante consumido, sendo que nos fertilizantes nitrogenados as compras totalizaram 76%. Já quanto aos produtos fosfatados, foram importados 55% do total consumido nas lavouras. O maior volume de compras no exterior (94%) foi para os fertilizantes potássicos. Isso significa que o Brasil gasta em torno de US$ 6 bilhões ao ano com a compra desses produtos.

Polidoro acredita que nada deve mudar este ano. Um quadro que, aliás, vem se formando nos últimos 10 anos, com um agravante: a participação dos fertilizantes tem aumentado consideravelmente nos custos de produção das lavouras brasileiras. Nas culturas da soja e do milho, os fertilizantes já representam cerca de 30% a 45% dos custos. A indústria nacional de fertilizantes anunciou grandes investimentos em produção até 2017, medida de suma importância, que atenuará parte da nossa dependência por fertilizantes importados, mas a eficiência agronômica dos fertilizantes também tem que aumentar.Mais informações:

Sobre a Embrapa:Sandra Zambudio – Mtb 939/80
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