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Em meio a maior seca dos últimos 50 anos, cafeicultura capixaba tem prejuízo de mais de R$ 800 mil

Publicado em 13/11/2015

A produção de café robusta (conillon) no Espírito Santo está ameaçada pelo segundo ano consecutivo. O estado que é o maior produtor da variedade no Brasil enfrenta uma das maiores secas dos últimos 50 anos. Em alguns munícipios, a irrigação nas lavouras foi proibida pelo governo com ameaça no fornecimento de água para a população. Na região de Rio Bananal (ES), norte do estado, os produtores já estimam quebra de 70% na safra de robusta.

Em foto enviada ao Notícias Agrícolas pelo produtor Rural Sérgio Nunes mostram os prejuízos causados às lavouras de café em Rio Bananal devido a falta de chuvas e as altas temperaturas (veja abaixo). Com a proibição na captação de água, a situação só tende a piorar, afirma Nunes. Mais de 70% das lavouras no estado são irrigadas. “Quando a lavoura fica muito fraca, compensa plantar de novo porque nessas condições os pés demoram muito para se recuperar”, explica.

» Em Rio Bananal (ES), produção de café conillon já tem quebra de 70% devido ao tempo seco e altas temperaturas

Lavoura de café prejudicada pela forte seca na cidade de Rio Bananal (ES)

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Em levantamento divulgado pelo governo do Espírito Santo na segunda-feira (9), a seca já causa na agropecuária do estado prejuízo de aproximadamente R$ 1,2 bilhão. Na cafeicultura, a quebra na produção é estimada em 22,6% com 2,8 milhões de sacas de 60 kg a menos colhidas e prejuízo de R$ 824 milhões.

Na região de abrangência da Cooabriel (Cooperativa Agrária de Cafeicultores de São Gabriel), em São Gabriel da Palha (ES), noroeste do estado, a situação também é complicada. “Cerca de 30% das lavouras na nossa região de abrangência estão comprometidas. No entanto, ainda temos algumas plantas que estão em condições razoáveis e esperamos as chuvas para ver como elas vão reagir. Mas com certeza teremos mais uma quebra”, ressalta o engenheiro agrônomo da Cooabriel, Edmilson Calegari.

O Incaper (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural) deve divulgar os primeiros números da safra 2016/17 de café robusta apenas no início de 2016. Porém, de acordo com o coordenador de cafeicultura do órgão, Romário Ferrão, as perdas na produção do estado já são bem significativas. “Estamos passando por uma das maiores secas dos últimos 50 anos, e isso, em um momento importante no desenvolvimento das plantações que é o período de formação e enchimento de grãos”, explica.

Em setembro, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estimou a safra 2015/16 de café robusta em 10,9 milhões de sacas de 60 kg beneficiadas com uma redução de 16,7%. Esse resultado deve-se, principalmente, à queda da produção no Espírito Santo também por conta da seca em 2014 e início de 2015.

As informações sobre as condições climáticas no Espírito Santo têm repercutido na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), antiga Liffe. A cotação do café robusta atingiu em 5 de novembro máximas de dois meses e meio, a US$ 1684,00 por tonelada com operadores esperando ofertas reduzidas. A Indonésia, terceiro maior produtor da variedade, também enfrenta forte seca relacionada ao El Niño. As informações da Reuters.

Na quinta-feira (12), o Indicador CEPEA/ESALQ do robusta tipo 6, peneira 13 acima, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 375,54.

Por: Jhonatas Simião
Fonte: Notícias Agrícolas