Motores Elétricos e a Combustão

Elétricos e híbridos.

Posted on 22 22UTC agosto 22UTC 2011

Parece que a era dos veículos elétricos está chegando. Não dá para dizer que seja uma novidade, pois desde os primeiros anos do desenvolvimento dos automóveis existiram carros elétricos. Eles foram amplamente superados pelos de motores à combustão interna e a partir daí criou-se toda uma infraestrutura de produção e distribuição de combustíveis e de desenvolvimento tecnológico de motores e veículos que tornou quase impossível sob o ponto de vista econômico e logístico modificar tal estado de coisas.
A idéia do carro elétrico nunca foi totalmente abandonada, volta e meia apareciam exemplares, protótipos e até carros de produção, mas nunca algum chegou a resultados práticos expressivos. Algumas grandes dificuldades conspiram contra os carros elétricos ainda hoje: são caros, as baterias são pesadas, tem pouca autonomia, o tempo de recarga ainda é lento, falta infraestrutura para suprir esta recarga, a vida útil das baterias é menor do que a do carro, mas seu custo dificilmente compensará a troca.
Há quem diga, há até quem acuse grandes interesses econômicos, ocultos como sempre, de estar constantemente conspirando contra o carro elétrico. Acho que não é isso, acho que é um problema de viabilidade econômica, mesmo. Com o petróleo abundante e barato e com o nível de eficiência que atingiram os motores a combustão, nunca houve real interesse no desenvolvimento de carros com motores elétricos. Para que?
Hoje as coisas mudaram. Primeiro os problemas ambientais, a consciência de que é necessário mudar. Segundo, a dependência estratégica dos produtores de petróleo concentrados no oriente médio e na Venezuela. O petróleo pode não estar escasso, mas seu fornecimento….
Realmente o interesse pelo carro elétrico e a motivação para resolver os problemas que ainda entravam sua viabilização são outros. As novas tecnologias começam a surgir. As baterias de níquel cádmio e de íons de lítio já são uma realidade, os freios regenadores de energia também.
Carros puramente elétricos, entretanto, ainda são raros e, embora já existam modelos com autonomia próxima dos 200 km e capazes de recarregar suas baterias em três horas isto não lhes dá a necessária versatilidade para ir além do uso urbano.
Em muitos lugares são ensaiados sistemas que viabilizem o reabastecimento tais como troca rápida de baterias alugadas, estacionamentos preparados para recarga e outras idéias mais ou menos dispendiosas.
O que está em grande desenvolvimento é a tecnologia dos carros híbridos que são aqueles que funcionam com motores elétricos e a combustão, um auxiliando ao outro. O primeiro híbrido posto à venda como carro de produção foi o Toyota Prius em 1997, mas sua tecnologia estava longe de torna-lo atrativo. A segunda geração do Prius veio em 2003 e aí sim ele tornou-se um sucesso de vendas nos EEUU e no Japão porque tinha o que oferecer.
Não existe uma tecnologia única e padronizada para se definir um carro híbrido, cada fabricante está desenvolvendo a sua e um dia talvez todos convirjam para uma solução comum. O Prius, por exemplo, usa dois motores, um elétrico de cerca de 67 cv e outro a combustão de 1.5 l de 76 cv. O elétrico funciona em baixas velocidades, até 60 Km/h é ele que impulsiona o carro. A partir disto a tarefa passa a ser do motor a gasolina. Quando é necessário um impulso maior os dois colaboram ao mesmo tempo dando ao carro o desempenho e agilidade de um carro maior. Tudo é “gerenciado” pela PCU (Power Control Unit). Quando o motor a combustão está funcionando um gerador aproveita a rotação para carregar a bateria.
O Volt da Chevrolet já usa outro esquema. Ele tem dois motores elétricos e um a combustão e sempre é impulsionado pelos motores elétricos. O principal tem 111Kw (150 cv) e o secundário 55 Kw. O motor a combustão é um 4 cilindros 16 válvulas, 1.4 l de 86 cv. O motor elétrico secundário tem dupla função: ele ajuda o motor principal em situações em que há maior demanda de torque como em ultrapassagens e vira gerador quando a carga da bateria está por acabar, neste caso impulsionado pelo motor a combustão. Pode haver o caso de haver maior demanda de torque antes de as baterias estarem carregadas e, neste caso, o motor a combustão acopla-se diretamente ao motor secundário para que ele possa cumprir sua missão de suprir sua quota extra de torque.
O Fusion da Ford vai mais na linha do Prius, mas reserva papel de menor importância para o motor elétrico e usa o recurso da frenagem regenerativa para recarregar as baterias. A Honda tem o Insight que também vai na linha do Prius e do Fusion mas com características bem próprias. E assim vão se multiplicando as variedades, mas os híbridos começam a se firmar como uma alternativa a ser fortemente considerada enquanto os problemas dos elétricos puros não são plenamente resolvidos. Suas principais vantagens são a economia de combustível e o baixo nível de emissões.

Fonte: http://ciadecarros.wordpress.com/2011/08/22/eletricos-e-hibridos/