Reprodutivo

Eficiência Reprodutiva em Bovinos de Leite

MARCELO FALCI MOTA1 & GERALDO TADEU DOS SANTOS2

INTRODUÇÃO

A produção de leite, principal fonte de renda da pecuária leiteira, está vinculada à parição. Tendo-se como objetivo primordial, alcançar a máxima produção de leite por dia de vida da vaca, a um mínimo custo alimentar, pressupõe-se que as vacas devam parir a intervalos regulares, devendo portanto serem inseminadas e tornarem-se gestantes dentro de um período restrito de tempo. Caso a concepção seja atrasada, a ineficiência reprodutiva pode levar à ineficiência na produção de leite, comprometendo economicamente a atividade. Assim, torna-se de vital importância a profunda e contínua avaliação e controle da eficiência reprodutiva nos rebanhos leiteiros.

A avaliação da eficiência reprodutiva é um ponto crítico para a lucratividade do empreendimento leiteiro. O manejo reprodutivo determina a taxa de eliminação de animais (longevidade) e o número de reposições, progresso genético, duração do período seco e a maior parte de toda a vida média da produção de leite do animal. Claramente, um manejo coletivo e intensificado, que considere a condição fisiológica do animal, deve saber como analisar a eficiência dos parâmetros do rebanho no sentido de promover mudanças necessárias para maximizar os lucros.

A maximização do lucro pode ser alcançada apenas se o gerenciamento dos processos reprodutivos estiver sob controle. Caso não haja controle dos processos reprodutivos, em especial a manifestação de estro, poderíamos assumir que as vacas estão em sobrecargas. Neste caso não há manejo eficiente, os objetivos não serão alcançados, e os benefícios não serão percebidos. O manejo coletivo deve estabelecer metas para o rebanho, e implementar o plano reprodutivo para alcançar as tais metas.

1 Aluno de Doutorado do Programa de Pós-graduação em Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) – Maringá – PR.

2Professor Titular do Departamento de Zootecnia da UEM.

INDICES GERAIS

O objetivo básico do controle reprodutivo do rebanho é a obtenção média de período de serviço (dias abertos) de 85 a 115 dias, que refletiria um intervalo de partos de 12 a 13 meses. Para tanto, pode-se fazer um plano de acasalamento contínuo, com parições todos os meses (comuns em rebanhos americanos), ou acasalamento sazonal ou restrito (comuns em rebanhos europeus e rebanhos de corte no Brasil), onde os animais têm um espaço definido e fixo para serem cobertos (ex. estação de monta). A mensuração da eficiência reprodutiva é feita diferentemente para os dois sistemas. Assim rebanhos de acasalamento contínuo requerem visitas a intervalos maiores (mensais ou quinzenais) que rebanhos de acasalamento sazonal.

Em rebanhos acasalados continuamente é possível observar a performance mês a mês e reconhecer determinadas tendências precocemente. Isto permitiria ao Técnico recomendar alterações de manejo e ambientais, observando as mudanças dentro de um ou dois meses. A essência dos serviços Veterinários relativos à reprodução é o ciclo repetitivo de monitoramento (incluindo índices, observações e palpação) e intervenção. Adicionalmente, há

a necessidade de participação do Veterinário na avaliação rotineira em nível de rebanho, exames reprodutivos, confirmação de gestação e investigações laboratoriais, quando necessárias. O Veterinário também desempenha importante papel na prevenção de perdas por aborto, infertilidade infecciosa e distocia. Sua participação no controle do rebanho gera dados que são extremamente importantes para a mensuração da eficiência do rebanho suplementando, dados que podem ser críticos para o diagnóstico dos pontos de estrangulamento que possam estar comprometendo a maximização da produtividade do rebanho.

Características Essenciais de Rebanho Monitorado

Os índices recomendados para uso no acesso à eficiência reprodutiva são apresentados na Tabela-1. Todos eles requerem:

• A acurácia de observação, especialmente na detecção de estro. O proprietário deve ser motivado a comprometer tempo específico para a detecção de estro e pode ser auxiliado pela concentração de tempo e grupos de animais que têm que ser assistidos. Acessórios, como buçal marcador, podem auxiliar neste processo, mas nunca empregados em substituição à observação humana;

• Sistemas de dados facilmente compreensíveis e acurados. Os sistemas devem reportar os eventos quando realmente acontecem e não, serem guardados na memória;

• Um sistema de análise rápido e eficiente pode facilitar o produtor e o Veterinário explorarem as prováveis causas de problemas.

Tabela 1: Parâmetros de fertilidade desejados para o rebanho Parâmetro
Objetivo
Intervalo de Partos (dias) 365 – 395
Intervalo Parto/Concepção – Período de Serviço (dias) 85 – 115
Intervalo Médio Parto/1º Serviço (dias) 60 – 70
Taxa de Concepção ao 1º Serviço (%) 50 – 60
Serviços por Concepção 1,7 – 2,2
Idade Média ao 1º Parto (meses) 24 – 25
Descartes (animais em reprodução/ano, %) < 8
Número Médio de Lactações por Animal > 3
Taxa de Aborto (aborto e perda embrionária precoce por ano, %) < 5

Adaptado de Radostits et al. (1994).

Para alcançar uma performance reprodutiva ótima do rebanho é necessário extrair a máxima performance de cada fêmea. Isto requer que cada animal tenha um parto a cada 12-13 meses, com o primeiro parto aos 24 meses de idade. O alcance destes objetivos depende da detecção de estro, começando por volta de 40 dias pós-parto, e os animais sendo inseminados para conceberem em média entre 85 e 115 dias pós-parto. Os principais parâmetros de fertilidade desejados para o rebanho foram apresentados na Tabela 1. Três importantes pontos de procedimentos estão envolvidos:

(1) Avaliação rotineira e sistemática da condição reprodutiva do rebanho e atenção às atividades de manejo que têm impacto na reprodução como visto anteriormente;

(2) Concentração de atividades de manejo reprodutivo no período adequado (após o parto e antes de 90 dias pós-parto);

(3) Freqüente e regular exame físico do trato genital feminino. Não há substituto para percepção, através da palpação do Veterinário na determinação da condição reprodutiva das fêmeas.

Concentração das Atividades de Manejo no Período Pós-Parto Inicial

Para se alcançar um intervalo médio entre o parto e concepção de 85 a 115 dias, deve-se concentrar as atividades nos primeiros 90 dias pós-parto. É desejável que as vacas sejam inseminadas no primeiro estro após 50 dias do parto. Quanto mais cedo ocorrer a concepção, maior será o número de crias e maior será a produção de leite por dia durante a vida produtiva do animal. Entretanto, inseminações muito precoces (<50 dias) requerem mais inseminações por concepção. Além disto o produtor deve ficar atendo para as seguintes orientações:

1- Evitar partos pré-maturos e distocias;

2- Tratamento Precoce de Endometrites;

3- Tratamento Intensivo de Doenças do Pós-Parto;

4- Taxa de Detecção de Estro;

5- Inseminar em tempo correto e monitorar a eficiência do inseminador;

6- Elevar as Taxas de Concepção;

7- Antecipar o diagnóstico de Gestação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A busca da maximização do lucro na exploração de rebanhos leiteiros deve considerar, especialmente a reprodução, sem, contudo afetar o bem estar do produtor. Para tanto, o conhecimento da fisiologia reprodutiva bovina e dos fatores capazes de comprometer a reprodução são imprescindíveis. Deve-se ainda considerar que com a intensificação dos sistemas de produção, os animais estão sendo submetidos a condições cada vez mais estressantes que tendem a diminuir a eficiência reprodutiva. Esta situação exige uma equipe capacitada e que passe por treinamentos periódicos de reciclagem, fatores de crucial importância para se alcançar o sucesso na pecuária leiteira.

Fonte:

http://www.nupel.uem.br/eficiencia-reprodutiva.pdf

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