Borracha

Efeito da calagem e adubação em seringueira

Efeito da calagem e adubação da seringueira no estado nutricional e produção de borracha seca(1)

Adonias de Castro Virgens Filho(2), Adônis Moreira(3) e Paulo Roberto de Camargo e Castro(4)

Resumo ¾ Foram avaliados os efeitos da calagem e da adubação NPK no estado nutricional e na produção de borracha seca do clone RRIM 600. Utilizou-se o delineamento de blocos casualizados, com quatro repetições, em parcelas subdivididas. Nas parcelas foram testados duas testemunhas (sem adubação e sem calagem; sem adubação e com calagem), e seis tratamentos com calagem e adubação (N1P1K0, N2P2K0, N1P1K1, N2P2K1, N1P1K2 e N2P2K2). Os níveis anuais de NPK utilizados corresponderam a 40 e 80 kg ha-1 de N, 17,5 e 35,0 kg ha-1 de P2O5 e 0, 33,2 e 66,4 kg ha-1 de K2O. Nas subparcelas foram utilizados os sistemas de explotação ½S d/4 6 d/7 ET 2,5% LaPa 1/1 10/y e ½S d/6 6 d/7 ET 5,0% LaPa 1/1 10/y. Houve efeito significativo dos tratamentos sobre os teores de N, P, S, Cu e Zn nas folhas. A aplicação de N, nas duas doses, não elevou o seu teor nas folhas. O aumento nas doses de K2O na presença de N2P2 promoveu decréscimo no teor de zinco. A maior produção de borracha seca (1.778,9 kg ha-1), na média dos três anos, foi obtida no tratamento N2P2K1 + calagem nos dois sistemas de explotação.

Termos para indexação: Hevea brasiliensis, adubos com NPK, fertilidade do solo, manejo dos recursos, sistema de explotação.

Effect of liming and fertilization on nutritional state and dry rubber production of rubber-tree

Abstract ¾ The effects of lime and NPK application on nutritional state and dry rubber production of clone RRIM 600 were evaluated. The experimental design was a randomized split-plot with four replicates. In the plots were tested two controls (without fertilizer and without lime; without fertilizer and with lime) and six treatments with lime and NPK fertilization (N1P1K0, N2P2K0, N1P1K1, N2P2K1, N1P1K2 and N2P2K2). The two sub-treatments were the following tapping systems: ½S d/4 6 d/7 ET 2.5% LaPa 1/1 10/y (S1) and ½S d/6 6 d/7 ET 5.0% LaPa 1/1 10/y (S2). The NPK levels used, in kg ha-1 y-1, were represented by 40 and 80 of N; 17.5 and 35.0 of P2O5 and 0, 33.2 and 66.4  of K2O. There was a significant effect of treatments on the N, P, S, Cu and Zn content in leaves. The N applied to soil up to the second dosage was not enough to increase the N level in leaves. Increasing the application of K2O, in the presence of N2P2, promoted a linear decreasing effect on the Zn level. The highest rubber yield (1,778.9 kg ha-1), as an average of the three years, was obtained with the treatment N2P2K1 plus liming, under both tapping systems.

Index terms: Hevea brasiliensis, NPK fertilizers, soil fertility, resource management, tapping system.

O Zn apresentou efeito linear decrescente significativo a 5% de probabilidade pela aplicação de doses de K, na presença de N2P2 (Y = 50,683 – 0,2051X, R2 = 0,805). Conforme Lópes Gorostiaga (1972) e Malavolta (1980), na presença de pode ocorrer inibição não competitiva com o Zn2+, fazendo com que o aumento na concentração de um, diminua a absorção do outro. Esse fenômeno, entretanto, não é associado na literatura ao aumento da concentração de K na solução do solo.

Introdução

O conhecimento do estado nutricional da seringueira constitui um subsídio para a definição de critérios essenciais à identificação de fatores limitantes da produtividade (Bataglia & Cardoso, 1990). No Brasil, a técnica habitualmente empregada para as recomendações de adubação é a análise do solo, aliada ao histórico de uso da área. Em poucos casos faz-se uso da análise foliar, sendo as faixas dos teores de nutrientes extrapoladas da literatura (Reis et al., 1982; Kitamura, 1992). Segundo Malavolta et al. (1989), a avaliação do estado nutricional de uma planta deve ter como requisito a comparação dos resultados da análise de uma amostra de folha com um padrão. Como referência, sugerem uma planta que, tendo nos seus tecidos todos os nutrientes em quantidades e proporções adequadas, seja capaz de dar altas produções, sendo o seu aspecto visual semelhante ao encontrado em lavouras muito produtivas. Consideram, entretanto, que as recomendações de adubação devem ser baseadas no consenso entre as informações das análises do solo e das folhas.

Com relação à produção de borracha, Mainstone (1963), estudando a nutrição da seringueira, observou rápida resposta no nível de nutrientes nas folhas, enquanto o efeito na produção foi mais demorado. Pushparajah (1969) obteve resposta positiva à aplicação de K em seringal adulto na Malásia, sobretudo quando fez-se uso de estimulante da produção. Os incrementos em borracha seca foram elevados, porém esses resultados foram inversos aos obtidos por Reis & Cabala-Rosand (1988), com esse nutriente nas condições do Sudeste da Bahia.

Segundo Reis & Cabala-Rosand (1988), a adubação fosfatada na dose de 40 kg ha-1 ano-1, no período de dez anos, promoveu acréscimo nos teores de P no solo, o que foi suficiente para suprir as necessidades desse nutriente na fase de sangria. Aumentos na produção devidos à aplicação de P foram também observados por Owen et al. (1957), nos casos em que o nível desse nutriente no solo era insuficiente para manter o crescimento da planta. De acordo com Compagnon (1986), desde que haja aplicação suficiente de fertilizantes na fase imatura do seringal, pode-se suspender a adubação por quatro anos após o início da sangria, fazendo aplicação apenas de N, a fim de repor as perdas com a extração do látex. Nesse caso, os níveis de nutrientes seriam monitorados a intervalo de 3 a 5 anos, fazendo-se a reposição de P, K e Mg nas quantidades indicadas. Entretanto, há restrições a essa recomendação nos casos em que não se faz uso de leguminosa de cobertura e há competição com a cobertura natural ou cultivos intercalares.

Na região do Planalto Paulista concentra-se a maioria das plantações de seringueira do Estado de São Paulo e há carência de informações sobre calagem e adubação de seringais em produção.

Este trabalho teve por objetivo avaliar o efeito da calagem e adubação com NPK, sobre o estado nutricional e produção de borracha seca, em dois sistemas de explotação.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido na Fazenda São José do Seringal Paulista, localizada no Município de Buritama, Estado de São Paulo, com latitude de 21o S e longitude de 50o O. O clima é quente de inverno seco, caracterizado como Cwa de acordo com a classificação de Köppen (Setzer, 1946). A precipitação pluvial média é de 1.200 mm, com média mensal mínima de 30 mm no inverno, umidade relativa média de 68% e temperatura média anual de 22oC (Nascimento & Pereira, 1988). Essa região é caracterizada como preferencial para a heveicultura, com condições térmicas e hídrica satisfatórias (Ortolani et al., 1983). O solo é do tipo Latossolo Amarelo álico, de textura média e boa drenagem, apresentando as seguintes características químicas: pH 3,78; MO, 12,44 g dm-3; P(resina), 1,14 mg dm-3; K, 0,78 mmolc dm-3; Ca, 2,00 mmolc dm-3; Mg, 1,98 mmolc dm-3; Al3+, 10,77 mmolc dm-3; H++Al3+, 29,77 mmolc dm-3; SB, 4,75 mmolc dm-3; V, 13,73%.

O material botânico utilizado foi o clone RRIM 600 com 16 anos de idade, plantado no espaçamento de 2,50 m entre plantas e 8,0 m entre linhas. Na condução do experimento, fez-se o controle preventivo das doenças do painel (Furtado & Silveira, 1990) e a incorporação dos galhos caídos nas entrelinhas. A ocorrência de plantas invasoras foi baixa no sub-bosque do seringal, e seu controle foi feito com uma roçagem mecânica por ano.

O delineamento experimental foi de blocos casualizados, em esquema de parcelas subdivididas com quatro repetições, 24 plantas úteis por parcela e 12 por subparcela. Nas parcelas foram testados oito tratamentos: testemunha sem calagem e sem adubação; testemunha com calagem e sem adubação; e seis tratamentos com calagem e adubação, como segue: N1P1K0, N2P2K0, N1P1K1, N2P2K1, N1P1K2 e N2P2K2. Nas subparcelas foram utilizados dois sistemas de explotação da seringueira: ½S d/4 6 d/7 ET 2,5% LaPa 1/1 10/y (S1) e ½S d/6 6 d/7 ET 5,0% LaPa 1/1 10/y (S2).

A explotação foi conduzida no painel BO-2, à altura de 0,90 m do solo, de acordo com as normas preconizadas por Virgens Filho & Castro (1986). Em todos os tratamentos as plantas foram sangradas com corte em meia espiral do tronco (½S), sendo aquelas da subparcela d/4 6 d/7, o que corresponde a intervalos de 4 ou 5 dias entre as sangrias consecutivas, e da d/6 6 d/7, correspondendo a intervalos de 6 ou 7 dias. As estimulações foram feitas normalmente durante os 10 meses de sangria de cada ano, totalizando dez por ano (10/y) em ambos os sistemas. O estimulante (ethephon) foi aplicado na concentração de 2,5% em S1 e 5% em S2, pincelando um grama da mistura por planta na região compreendida entre o canal de sangria sobre o cernambi e a casca em regeneração, logo acima deste (LaPa 1/1). Anualmente foi feito o balanceamento do painel de sangria. Utilizou-se a análise por contraste para avaliar o efeito da calagem, das adubações com NPK, NP e K, e da interação NP vs. K. Esse mesmo procedimento foi usado para avaliar os sistemas de explotação e suas interações com os tratamentos de adubação.

No decorrer do período chuvoso de 1995, a adubação fosfatada (superfosfato simples) foi realizada em uma só aplicação, o mesmo ocorrendo nos anos de 1996 e 1997, respectivamente. O adubo fosfatado foi distribuído em sulcos de 15 cm de profundidade, abertos na projeção da copa no primeiro ano, a lanço em duas faixas de 1 m laterais às linhas de plantio nos demais anos. Como fontes de N e K, foram utilizados, respectivamente, o sulfato de amônio e o cloreto de potássio misturados e aplicados a lanço nas faixas laterais às linhas de plantio, sendo a metade aplicada no mesmo período da adubação fosfatada, e a outra, quatro meses após. As doses, em kg ha-1ano-1, de N, P2O5 e K2O foram: N0 = 0; N1 = 40; N2 = 80; P0 = 0; P1 = 17,5; P2 = 35,0; K0 = 0; K1 = 33, e K2 66,4. A calagem foi feita de modo a elevar a saturação de bases a 50% (Cardoso, 1992). O calcário empregado apresentava as seguintes características: 24% de CaO, 16% de MgO e 61% de PRNT. Sua distribuição foi feita a lanço e em cobertura, sem incorporação.

As amostragens de folhas foram realizadas no início, aos 12 e 24 meses de condução do experimento durante o verão (primeira semana de fevereiro), época em que as folhas estavam com cerca de seis meses de idade. Em cada planta foram retiradas quatro folhas, nos quatro pontos cardeais, de ramos sombreados do terço médio da copa. As folhas coletadas foram acondicionadas em sacos e conduzidas ao laboratório, sendo posteriormente lavadas com água destilada e desionizada e colocadas em estufa com circulação forçada a uma temperatura média de 65oC, até atingir peso constante, e então moídas. A seguir, fez-se a análise de macro (N, P, K, Ca, Mg e S) e micronutrientes (B, Cu Fe, Mn e Zn) conforme as metodologias descritas por Malavolta et al. (1989).

Para determinação da produção de borracha seca, utilizou-se o seguinte procedimento: antes da sangria, foi efetuada a retirada do coágulo do corte anterior, sendo o mesmo enfiado em um arame preso à planta, para pesagem ao final do mês, visando à determinação dos sólidos totais em estufa na temperatura de 70oC, após atingir peso constante.

Resultados e Discussão

Os valores dos teores de macro e micronutrientes nas folhas nos três anos do experimento são apresentados nas Tabelas 12. No início do experimento, os teores de K encontravam-se dentro da faixa adequada, os de N, P, S, Cu e Zn abaixo, e os de Ca, Mg, B, Fe e Mn acima das faixas consideradas adequadas por Pushparajah (1992). Essas informações demonstram que apesar de cultivada em um solo com baixas concentrações de K, a seringueira mostrou-se eficiente na sua absorção, apresentando teores suficientes desse nutriente nas folhas. Esses resultados estão em parte de acordo com Bataglia & Cardoso (1990), os quais observaram que a disponibilidade de Ca e Mg às plantas não foram afetadas pela acidez do solo. Os baixos níveis de N, P, S, Cu e Zn nas folhas evidenciam que nas condições de Latossolo Amarelo álico, os teores desses nutrientes são insuficientes para a seringueira manifestar o seu pleno potencial produtivo.

No segundo ano, não foram observadas diferenças significativas nos teores foliares entre os tratamentos com e sem calagem e com doses de NPK, nem interação entre ambos (Tabela 3). O N apresentou teor entre 29,6 e 31,3 g kg-1, abaixo do limite inferior da faixa adequada indicada por Pushparajah (1992). Os valores de P, K, Ca, Mg, S, B, Cu, Fe e Mn, estavam acima da faixa, e os de Zn, na faixa adequada. Com exceção do Mn, todos os nutrientes apresentaram valores mais elevados em relação ao ano anterior, independentemente do tratamento, provavelmente devido a condições ambientais mais favoráveis, uma vez que a testemunha também mostrou acréscimo.

No terceiro ano o teor de N manteve-se abaixo da faixa adequada, sugerindo que as doses de N empregadas não foram suficientes para aumentar o seu teor nas folhas (Tabela 1). Esse resultado difere dos encontrados por Falcão (1996), que, utilizando doses semelhantes, encontrou aumento significativo nos teores de N e Cu. O teor de K ficou ligeiramente abaixo daquele indicado por Pushparajah (1992), exceto nos tratamentos testemunha e N2P2K1 + calagem, o de P ficou na faixa considerada adequada, ou pouco acima, o de S, adequado e os de Ca, Mg, B, Cu, Fe, Mn e Zn, acima (Tabelas 1 e 2).

Os registros do segundo e do terceiro ano sugerem um estado nutricional mais equilibrado em relação ao primeiro ano, embora ainda mostrem que os teores de Ca, Mg, Fe, Mn e Zn estão acima da faixa preconizada, mas com valores reduzidos em relação ao período precedente. No terceiro ano, houve diferença significativa entre tratamentos a 1% de probabilidade para a variável P (Tabela 4). O tratamento calagem + adubação contribuiu para elevar o teor de P nas folhas em relação à testemunha absoluta e ao tratamento que recebeu apenas calcário. Na ausência de K, o nível de P na folha foi maior em N2P2 que em N1P1. Na presença de K2, o nível de N na folha foi maior em N2P2 que em N1P1. A aplicação isolada de calcário resultou em teores de S nas folhas menores que os obtidos com os tratamentos calagem + NPK (T3 a T8), devido à adição de S pelo sulfato de amônio e superfosfato simples.

Os teores de P, B e Zn foram significativamente maiores no sistema de explotação ½S d/4 6 d/7 ET 2,5% 10/y que na ½S d/6 6 d/7 ET 5% 10/y, sugerindo a maior demanda nutricional deste último, para com esses nutrientes (Tabela 4).

A produção de borracha seca evoluiu, em média, 1.572 kg ha1 no primeiro ano para 2.055 kg ha-1 no segundo e 1.172 kg ha-1 em seis meses do terceiro ano (Tabela 6). Aumentos na produção ocorreram com a aplicação de K na presença de N e P, destacando-se sobre o tratamento N2P2K1 + calagem, com ganhos de 9, 19,2 e 24,7% sobre a testemunha absoluta nos três períodos. Nas comparações através de contrastes entre médias de tratamentos, a dose K1 superou K2 no primeiro ano, enquanto as doses K1 (33,2 kg ha-1 de K2O) e K2 (66,4 kg ha-1 de K2O) superaram K0 no terceiro período, notadamente na presença de N2P2 (Tabela 5). Na dose K1, N2P2 apresentou maior produção que N1P1, mostrando um efeito de interação entre esses nutrientes.

O N é constituinte de todas as proteínas e consumido em quantidades relativamente grandes para a constituição do protoplasma celular. O K tem papel importante no carregamento do floema com produtos da fotossíntese, contribuindo com a manutenção do potencial osmótico e na conversão de energia nos cloroplastos. O P intervém na glicólise, servindo como um elo entre a energia liberada pela respiração e as reações que demandam ATP ou ADP (Marschner, 1995). Por isso, a produtividade econômica da seringueira envolve a partição de assimilados para os pontos de crescimento e o suprimento de metabólitos ao sistema laticífero, onde se processa a biossíntese da borracha. A regeneração do látex entre sangrias depende de um bom suprimento de sacarose. O adequado suprimento de NPK contribui para obtenção de boas produtividades e manutenção do desenvolvimento normal da planta.

As análises de regressão mostraram efeito quadrático significativo a 5% de probabilidade com relação a K (N1P1) no primeiro ano: Produção = 1499 + 9,232X – 0,138X2, R2 = 0,702, e também com relação a K (N2P2) no segundo e terceiro ano, estimados, estes, respectivamente pelas equações: Produção = 2008 + 17,681X – 0,246X2, R2 = 0,679 e Produção = 1136 + 11,928X – 0,160X2, R2 = 0,832, onde X representa o K2O em kg ha-1 ano-1. Essas equações evidenciam as maiores produções com o nível K1 na presença de N e P (Tabelas 56).

No primeiro ano houve diferença significativa entre os sistemas de explotação quanto à produção de borracha seca, com a sangria em d/4 superando d/7 em 22,4% (Tabelas 56). No segundo ano, os dois sistemas apresentaram produções praticamente iguais, enquanto no terceiro ano, a sangria em d/7 apresentou incremento significativo de 9,6%. Na soma dos períodos, a sangria d/4 ainda mostrou ligeira vantagem com incremento de 4,9%, devido à diferença expressiva no primeiro ano. Tal resultado ocorreu porque a explotação da seringueira em freqüência de sangria semanal (d/6 6 d/7), exige um período de adaptação na fase inicial, como observado neste trabalho, mas com o passar do tempo, pode apresentar desempenho superior, notadamente quando é empregada adequadamente a intensidade de estimulação.

A produção diária obtida pelo sangrador foi superior em 16%, 50% e 64% no sistema d/7 em relação ao d/4, nos períodos 1, 2 e 3, respectivamente (Tabela 5). Sob condições de baixos preços da borracha e elevados custos com mão-de-obra, torna-se evidente a opção por este sistema em plantios de porte médio a grande. Contudo, ao se fazer a adoção deste, deve-se implementar o adequado plano de estimulação e a efetiva reposição de dias de sangria perdidos por chuvas ou outras causas. A passagem para o sistema d/7 tornar-se-á mais consistente se adotadas práticas de manejo eficazes, sobretudo o uso da adubação, haja vista o incremento proporcionado pelo tratamento N2P2K1 + calcário, com ganho acumulado de 17,1% sobre a testemunha absoluta e acréscimos de 137 kg ha-1 de borracha seca no primeiro ano, 375 kg ha-1no segundo ano, e 267kg ha-1 em seis meses do terceiro período (Tabela 5).

Conclusões

1. A adubação com NPK aumenta o teor foliar de P e S apenas na presença da calagem.

2. Os teores foliares de N, P, S, Cu e Zn são afetados negativamente pela ausência da calagem e da adubação enquanto os teores de K, Ca, Mg, B, Fe e Mn não apresentam diferenças significativas.

3. A aplicação de N até 80 kg ha-1 ano-1 não é suficiente para elevar o seu teor nas folhas até a faixa adequada.

4. O aumento nas doses de K2O na presença de 80 kg ha-1 ano-1 de N e 35,0 de P2O5 promove efeito linear decrescente no teor de Zn nas folhas.

5. Na fase inicial de explotação, o sistema ½S d/4 6 d/7 ET 2,5% LaPa 1/1 10/y propicia maior produção de borracha que o ½S d/6 6 d/7 ET 5% LaPa 1/1 10/y; no ano seguinte, eles se equivalem; e no terceiro, o ½S d/6 6 d/7 ET 5% LaPa 1/1 10/y supera o outro sistema de explotação.

6. A maior produção de borracha seca é obtida na presença de calagem com a adubação N2P2K1.

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(1) Aceito para publicação em 18 de outubro de 2000.
(2) Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, Centro de Pesquisa do Cacau, Caixa Postal 7, CEP 45600000 Itabuna, BA. Email: ides@nuxnet.com.br
(3) Embrapa-Centro de Pesquisa Agroflorestal da Amazônia Ocidental, Caixa Postal 319, CEP 69011970 Manaus, AM. Bolsista DCR/CNPq. Email: adonis@cpaa.embrapa.br
(4) Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), Dep. de Ciências Biológicas, Caixa Postal 96, CEP 13418900 Piracicaba, SP. Email: pcrcastr@carpa.ciagri.usp.br

Fonte:  http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-204X2001000800003