Sanitário

Doenças respiratórias em ovinos

As doenças respiratórias representam a segunda causa de perdas econômicas em um sistema de produção de ovinos, perdendo apenas para as verminoses.

As bactérias e vírus são os maiores responsáveis por essas enfermidades, que se manifestam com a presença dos fatores predisponentes de estresse, tais como: transporte, variações climáticas, ventilação inadequada, desequilíbrio nutricional, confinamento e desmama. Geralmente ocorre uma virose, com conseqüente infecção secundária por bactérias.

A Pasteurelose, causada pela bactéria Pasteurella haemolytica, destaca-se como a principal enfermidade pulmonar em ovinos.

Os surtos começam com mortes súbitas e sem a presença de sinais clínicos característicos. O envolvimento respiratório se torna mais evidente ao longo do surto, aparecendo quadros de pneumonia aguda, febre, depressão, perda de peso, secreção nasal, tosse e ruídos pulmonares anormais.

O animal pode ser acometido em qualquer idade, independente da raça e do sexo, sendo que cordeiros entre 2 semanas a 2 meses de idade são os mais acometidos.

A transmissão ocorre por inalação de partículas contaminadas. Também pode ocorrer a transmissão por contato direto, como por exemplo, um cordeiro lactente infectado através de uma ovelha portadora de mastite causada por P. Haemolytica.

Em cordeiros, a taxa de morbidade e mortalidade pode chegar a 40 e 5%, respectivamente. O curso da doença geralmente é de três dias, embora possa ocorrer morte em apenas 12 horas. A recuperação total dos animais pode ser observada em 14 dias (se corretamente tratados).

O diagnóstico é feito através dos achados clínicos, necropsia (hemorragia pulmonar e lesões ulcerativas na faringe e laringe), exame histopatológico e isolamento da bactéria.

A Mycoplasmose também é uma doença respiratória de grande importância para ovinos. Conhecida como pneumonia enzoótica, é causada pela bactéria Mycoplasma sp. Acomete animais de diferentes idades, porém, cordeiros com menos de um ano de idade geralmente são os mais infectados (maior incidência entre 5 a 10 semanas de vida).

Os cordeiros contaminados apresentam tosse crônica e dificuldade para respirar, além de secreções nasais mucopurulentas e febre. Para um diagnóstico preciso, realiza-se a necropsia, exame histopatológico e Elisa (método de detecção de anticorpos).

Tratamento e prevenção das doenças respiratórias bacterianas

Como mencionado anteriormente, as doenças infecciosas do trato respiratório são causadas pela combinação de agentes infecciosos (bactérias e vírus) e causas predisponentes (estresse).

Uma conduta racional para o controle e prevenção das doenças respiratórias seria a obtenção de diagnóstico clínico e laboratorial preciso e técnicas de manejo que minimizem as causas de estresse (fatores predisponentes).

Como toda patologia de origem bacteriana, deve-se utilizar antibióticos como tratamento principal. As oxitetraciclinas de longa ação apresentam bons resultados contra a pasteurelose.

Está se tornando cada vez mais difícil obter um diagnóstico etiológico específico, pois os problemas respiratórios parecem estar sendo causados por infecções múltiplas. Nestes casos, recomenda-se utilizar antibióticos de amplo espectro, como as cefalosporinas.

Métodos profiláticos como a minimização das alterações climáticas, manejar os cordeiros e suas mães em galpões cobertos durante as primeiras semanas de vida, taxa de lotação adequada dos galpões-maternidade e de confinamentos, assim como boa ventilação, apresentam boa eficiência no controle e profilaxia dessas infecções.

Vicente de França Turino
Mestrado em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP. É sócio proprietário da GT Consultoria Agropecuária na área de nutrição e produção de ovinos e bovinos de corte.

Giovana Pavão
Médica Veterinária
enviada por boipreto

Fonte: http://fazendaboipreto.blig.ig.com.br/2007/08/doencas-respiratorias-em-ovinos.html