Manejo

Doenças do Caule

CANCRO DO PAINEL

No mundo onde se explora a seringueira, o seringalista tem que conviver com esta enfermidade. Os prejuízos são maiores em função das condições climáticas para o desenvolvimento do fungo, apresentadas por cada região. O caule afetado pela doença tem os tecidos cambiais invadidos, provocando aparecimento de fendas no painel. O patógeno causa lesões em toda extensão do tronco e não só no painel como o nome da doença sugere. Quando os ferimentos são grandes, a casca não se regenera, há exposição do lenho e deformação do painel, não permitindo a sangria. Também é conhecido como cancro estriado do painel.

ETIOLOGIA E EPIDEMIOLOGIA

Esta doença é causada pelo fungo Phytophthora spp que em a disseminação pelas chuvas, ventos, instrumentos e ferramentas usadas na sangria de plantas doentes. As infecções são causadas por esporângios e zoósporos do fungo. A incidência da doença é acentuada quando ocorre umidade alta e temperatura amena. O ataque de um fungo se torna mais severo quando s sangria é feita em cortes mais profundos, o painel está muito próximo ao solo, má conservação do seringal facilitando a retenção de umidade, e copas bem fechadas (EMBRATER, 1980).

SINOMAS

Um tumor é o aspecto que toma o painel de sangria, quando afetado pelo fungo. O patógeno se propaga pela casca, causando o aparecimento de estrias escuras, que se estendem vertical e horizontalmente indo atingir partes do caule onde ainda não houve abertura de painel. O caule apresenta escorrimento de látex formando filetes enegrecidos sobre a casca. Em áreas à primeira vista, sadias, muitas vezes, ocorre exsudação de látex sob a casca, que coagula e provoca o rompimento desta. Partes da copa dos clones mais susceptíveis podem morrer, quando o fungo ataca os ramos grossos junto às bifurcações.

CONTROLE

O tratamento preventivo é o mais racional e de maior eficiência. Aos fungicidas recomendados devem ser adicionados um corante, para que se possa identificar as plantas tratadas. A aplicação da pasta fungicida no painel, faz-se com auxílio de uma brocha ou pincel, logo após o recolhimento do látex proveniente da sangria. Em áreas onde ainda não ocorre a doença, deve-se fazer aplicações mensais de fungicidas.

Os produtos com princípios ativos à base de cobre, não são recomendados para tratamento de painel, por apresentarem problemas no  processamento de látex, alterando as qualidades tecnológicas da borracha.Medidas preventivas também devem ser tomadas para evitar ou reduzir a incidência do cancro do painel. Como tais, podemos citar: desinfecção da faca de sangria com fungicida, logo após o corte de cada árvore; evitar a consorciação com cultivos altamente susceptíveis aoPhytophthor a ou adequar o espaçamento de forma a permitir boa aeração, evitando as condições favoráveis à proliferação do patógeno e, manter os plantios sempre limpos ou com a faixa de plantas livres de ervas daninhas para evitar a retenção de umidade próxima ao painel de sangria.

MOFO CINZENTO

Esta doença ocorre às vezes com alta incidência nos países produtores de borracha natural. Os maiores danos estão relacionados com os seringais de densidade de plantio alto e infestados de ervas daninhas, mantendo assim uma alta umidade em torno do tronco (BEELEY,1935).

ETIOLOGIA E EPIDEMIOLOGIA

O fungo Ceratocystis fimbriata é o causador desta enfermidade. A alta umidade e temperatura entre 22ºC e 26ºC, são as condições ideais para a proliferação da doença. A disseminação do fungo ocorre principalmente pala faca de sangria, quando é feito o corte em uma planta doente em seguida nas sadias. Segundo CONDURU NETO (1980), os insetos e o vento também distribuem o patógeno, embora em menor escala.

SINTOMAS

O painel de sangria é o local do aparecimento da doença, provocando o apodrecimento deste. Uma podridão negra e mole da casca é a forma que identifica exata enfermidade. A frutificação do fungo nas lesões aparece inicialmente como um mofo branco e depois acinzentado. O patógeno tem um desenvolvimento rápido nas lesões provocadas na sangria, destrói a casca, abre feridas expondo o lenho evitando a recuperação da casca e inutilizando o painel.

CONTROLE

Manter constante vigilância no seringal quanto às práticas de manutenção e a qualidade da sangria, evitando assim incidência de ervas daninhas próxima do painel e cortes profundos feitos pelo sangrador na obtenção do látex. Quando consorciar o seringal não se deve escolher cultivos susceptíveis ao patógeno ou quando já estiver instalada a consorciação manter freqüente vigilância eliminando as plantas que apresentem a doença.

A desinfecção da faca de sangria com fungicida após o corte de cada planta, completa o conjunto de ações preventivas contra esta doença. O controle químico deverá ser realizado de acordo com a tabela em anexo, e como medida curativa deve-se remover com uma faca os tecidos lesionados e fazer um pincelamento de toda área contaminada com fungicidas recomendados.

Fonte:  http://pt.scribd.com/doc/14730767/34/PRAGAS-DA-SERINGUEIRA

REFERÊNCIAS
BRASIL. Superintendência da Borracha. Anais: Encontro Nacional sobre Explotação e Organização de
Seringais de Cultivo. Brasília, SUDHEVEA, 1986. 97 p.
CEPLAC/ EMBRAPA. Sistema de Produção de Seringueira Para a Região Sul da Bahia. Ilhéus – Bahia, 1983.
48 p.
FUNDAÇÃO CARGILL. Simpósio Sobre a Cultura da Seringueira no Estado de São Paulo, I. Piracicaba,
1986. 334 p.
MORAES, Jonildo G.L. et DUARTE, Jodelse D. Cultura da Seringueira. COOPEMARC.
Valença – Bahia, 1987.102 p