Manejo

Doenças de Folhas

MAL DAS FOLHAS

É a doença considerada como um dos principais fatores que limitam a expansão da cultura da seringueira no Brasil. Até o momento esta enfermidade só ocorre no Continente Americano não atingindo o Oriente, onde se concentra a maior atividade heveícola do mundo. O mal das folhas causa danos à seringueira porque proporciona a queda precoce das folhas. O patógeno, em condições favoráveis, pode provocar o desfolhamento total das plantas. Quando a doença se instala em viveiros e jardins clonais, a alta incidência provoca a diminuição do crescimento das plantas, redução do percentual de porta enxertos aptos à enxertia e o aproveitamento de gemas (borbulhas) para enxerto. Ataques freqüentes em seringais adultos causam debilidade nas plantas, levando-as em certos casos à morte, ou favorecem o aparecimento de outras doenças que podem também contribuir para a morte das plantas. Num seringal em fase produtiva, a perda de 75% da folhagem resulta em uma queda de produção da ordem de 30 a 50% (ALBUQUERQUE, 1980).

ETIOLOGIA E EPIDEMIOLOGIA
A doença “mal-das-folhas” é causada pelo fungo Microcyclus ulei (P. Henn) A. Arx., sendo que até o momento as espécies do gêneroHevea, principalmente a Hevea brasiliensis e a Hevea benthamiana são parasitadas com danos econômicos. A espécie Hevea pauciflora, que apresenta contra esse fungo uma reação de hipersensibilidade, trem sido considerada como altamente tolerante (CHEE & WASTIE, 1980).

O fungo durante seu ciclo de vida apresenta três tipos de esporos, os conídios, os pcnidiósporos e os ascósporos. Os conídios são os responsáveis pela disseminação da doença, correspondem ao estágio assexuado (forma imperfeita).

Os ascósporos são produzidos na fase sexuada ou perfeita nas folhas maduras. Estes são os responsáveis pela sobrevivência do fungo quanto as condições alimentícias são desfavoráveis e servem de inoculo primário, sendo 24º C a temperatura ótima para sua germinação. Por fim os pcnidiósporos que representam a fase de transição entre as anteriores e apesar de germinarem, não causam a doença.

Quando aparecem condições climáticas de elevadas temperaturas e umidade, os conídios germinam e penetram no limbo foliar, iniciando uma lesão, que no tempo de 5 a 6 dias já se torna visível nos clones susceptíveis.

A água da chuva e o vento são os principais responsáveis pela disseminação dos esporos do Microcyclus ulei, principalmente os conídios que tem no vento seu grande aliado para transportá-lo, não só dentro de um plantio, como a grandes distâncias.

Nas regiões onde as condições do ambiente favorecem a disseminação rápida, dois outros fatores devem ser considerados: o de que a folhagem da seringueira está sujeita ao patógeno até cerca de 12 a 15 dias de idade, dependendo do clone e do vigor das plantas e o de a seringueira perder todas as folhas e reenfolhar anualmente. Estas características apresentam grande  importância quando do controle do mal-das-folhas. (GASPAROTTO, 1984).

SINTOMAS

No mal-das-folhas aparece a sintomatologia no limbo foliar, pecíolo e nos ramos novos, podendo também ser encontrada nos frutos verdes de clones altamente susceptíveis. Os sintomas da doença nas folhas novas são caracterizados por manchas necróticas, sobre as quais, após cinco a seis dias, aparecem os esporos do Microcyclus ulei em massa compacta com coloração verde-oliva sobre a lesão, na face dorsal do folíolo.

A queima dos folíolos é provocada pela aglutinação de várias lesões em seguida ocorre a queda. Dependendo das condições ambientais e da planta, a doença pode causar seguidos desfolhamentos nos clones susceptíveis,, provocando o secamento das extremidades dos ramos e, posteriormente a morte descendente das plantas que não forem capazes de renovação das folhas.

Os estromas são produzidos após a evolução do fungo nos folíolos atacados que ficaram presos aos ramos, isso já perto do final da fase de infecção. Estas são estruturas negras, carbonáceas, ásperas ao tato e dispostas como uma lixa sobre o limbo foliar. No seu interior estão os peritécios guardando as ascas e nestas se encontram oito ascósporos.

Os sintomas da doença no viveiro é um engrossamento de aspecto rugoso nas extremidades dos ramos, de coloração cinza escuro, que causa um emponteiramento e morte de cima para baixo de todo o tecido verde da planta. Nas folhas jovens quando a infecção é intensa, dois a três dias após a brotação ocorre a “queima” e queda destas.

CONTROLE

O mal-das-folhas no Brasil tem como opções de controle a adoção do uso de clones resistentes ou tolerantes ao ataque do fungo, o controle químico, plantio em “áreas de escape”, enxertia de copa e desfolhamento artificial.

USO DE CLONES RESISTENTES
Os pesquisadores em melhoramento genético de seringueira ainda não conseguiram obter grande numero de clones tolerantes ou resistentes ao
Microcyclus ulei. Aqueles que apresentam alguma tolerância quando expostos à condições ambientais favoráveis ao aparecimento da doença, na época da troca de folhas, em geral, se tornam vulneráveis e susceptíveis.

A quebra da tolerância de certos clones está às vezes relacionada com o plantio destes, nas áreas de características ambientais (microclimáticas) diferentes dos locais onde foram selecionados, bem como as variações do fungo com o aparecimento de novas raças fisiológicas. Como por exemplo, temos o clone Fx 2261 que na Bahia apresenta certa tolerância ao Microcyclus ulei e no Pará é bastante susceptível, já com o Fx 3899 a situação é inversa.

Há de ressaltar que a maioria dos clones resistentes plantados no Brasil, foram selecionados a partir da Hevea benthamiana, o que
pode ter facilitado a quebra da resistência pelo aparecimento de novas raças do fungo.
Fonte: http://pt.scribd.com/doc/14730767/34/PRAGAS-DA-SERINGUEIRA
REFERÊNCIAS
BRASIL. Superintendência da Borracha. Anais: Encontro Nacional sobre Explotação e Organização de
Seringais de Cultivo. Brasília, SUDHEVEA, 1986. 97 p.
CEPLAC/ EMBRAPA. Sistema de Produção de Seringueira Para a Região Sul da Bahia. Ilhéus – Bahia, 1983.
48 p.
FUNDAÇÃO CARGILL. Simpósio Sobre a Cultura da Seringueira no Estado de São Paulo, I. Piracicaba,
1986. 334 p.
MORAES, Jonildo G.L. et DUARTE, Jodelse D. Cultura da Seringueira. COOPEMARC.
Valença – Bahia, 1987.102 p