Manejo

Doenças de Citros

DOENÇAS CAUSADAS POR FUNGOS

Verrugose:

Manchas salientes, irregulares, corticosas que nas laranjas doces se localizam quase que exclusivamente nas frutas, sendo raras nas folhas. As lesões de coloração amarelada depreciam o valor da fruta. Em limão-cravo ocorre também nas folhas. A infecção nas frutas ocorre quando ainda estão pequenas e os tratamentos preventivos com fungicidas adequados tem dado excelentes resultados.

Melanose:

Pequenas lesões arredondadas de cor escura que ocorrem em galhos, folhas e frutos. Como a verrugose deprecia o valor da fruta, deve ser combatida com pulverização de produto à base de cobre, após uma poda de limpeza de galhos secos.

Rubelose:

Manifesta-se pelo rompimento da casca e morte dos galhos; examinados, mostram-se estar revestidos pelo fungo, que se apresenta inicialmente como leve camada clara e que se torna amarelada ou salmão. Seu controle se realiza através de eliminação dos galhos secos e uso de uma pasta à base de cobre para proteger os cortes. Bons resultados tem sido conseguidos, efetuando-se o pincelamento dos ramos afetados com Carbolineum (produto utilizado para preservação de madeira). Inclusive em estágio inicial da doença desnecessário torna-se cortar o ramo atacado pois este deverá se recuperar.

Gomose:

Ataca a casca, a parte interna do tronco, raízes e ramos das plantas. Geralmente o fungo invade a planta na região próxima ao solo, e que foi acidentalmente ferida por ferramentas. O local doente solta a casca e deixa escorrer uma goma escura. As partes afetadas deverão ser raspadas e pinceladas com uma calda à base de cobre a 3%, ou mesmo carbolineum que também tem sido utilizado com bons resultados.

Moléstias causadas por vírus

As principais são: a sorose, a xiloporose e a exocorte. Não há meio de controle. Devem ser prevenidas pelo uso de borbulhas rigorosamente selecionadas, tiradas de plantas sadias.

Sorose

Pequenas pústulas aparecem nos ramos e galhos principais, normalmente quando as plantas atingem cerca de 10 a 15 anos.

Essas erupções vão aumentando e chegam a descascar. Há exsudação de goma quando a doença se torna severa. A planta degenera lentamente, ficando improdutiva e sendo necessária a sua eliminação.

Por ser uma doença que normalmente se manifesta em planta adulta e considerando o quadro anterior, ao observar-se a alta incidência da sorose, pode-se avaliar o perigo para citricultores que investem vultosas quantias nos seus pomares, quando estes podem estar contaminados, sem, entretanto, mostrarem ainda os sintomas.

Xiloporose:

É aparentemente uma doença pouco importante para a citricultura paulista. O vírus produz, na planta atacada, deformação no lenho. Há a formação de depressões profundas no lenho e correspondentes projeções salientes desenvolvendo-se na parte interna da casca. Há acúmulo de goma nos tecidos de casca que certamente prejudicam a circulação dos nutrientes, e a planta assim paralisa o seu crescimento. A laranja Barão é altamente contaminada e o porta-enxerto do limoeiro cravo é sensível. Assim deve-se evitar a enxertia da primeira no segundo.

Exocorte:

Afeta somente o limoeiro-cravo, Poncirus trifoliata e seus híbridos, que são geralmente empregados como porta-enxerto. Quando variedades contaminadas são enxertadas nesses cavalos, o vírus provoca o aparecimento do escamamento e erupções na casca do porta-enxerto. Esse dano causado à casca interfere no desenvolvimento normal do sistema radicular e as plantas paralisam o desenvolvimento. Com exceção da variedade Pêra (8,4% contaminada), as demais variedades de importância comercial estão fortemente contaminadas.

Os sintomas dessa virose manifestam-se quando as plantas ainda são jovens, havendo casos raros de sintomas em mudas ainda no viveiro.

Leprose:

É causado por um vírus disseminado por um ácaro de coloração alaranjada intensa a vermelho, que apresenta corpo achatado, de tamanho reduzido, cerca de 0,3 mm, 4 pares de patas e movimentos lentos.

Os sintomas podem aparecer em ramos, folhas e frutos. Nas folhas aparecem manchas claras com halo claro característico e o centro quase sempre necrosado. Nos frutos verdes aparecem manchas verde-claras, rodeadas por um anel amarelado que sobressai da cor verde da parte roxa infectada do fruto. Com o amadurecimento deste, tais manchas tornam-se pardas ou escurecidas, ligeiramente deprimidas, de tamanho variável, às vezes com pequenas rachaduras. Os frutos, quando atacados, ficam bastante depreciados ou mesmo inutilizados para o mercado de frutas frescas pela sua aparência repugnante. Nos ramos provocam manchas que se transformam em pústulas salientes, dando-se, finalmente, a soltura da casca. Evita-se a disseminação da leprose controlando-se o “ácaro da leprose”, com pulverizações de enxofre molhável a 0,3-0,7% ou clorobenzilato a 0,12% ou ainda dicofol a 0,15%, além de outros acaricidas específicos.

“Tristeza”:

Não foi incluída no citado levantamento por ser também e principalmente transmitida por um inseto, que é o pulgão-preto (Toxoptera citricidus). Assim, é de se esperar que todas as nossas plantas cítricas estejam contaminadas por essa virose. Face ao abandono do uso do porta-enxerto de laranja azeda, altamente sensível à “tristeza”, as plantas hoje contaminadas ainda vivem satisfatoriamente segundo os graus de intensidade do ataque.

Entretanto, no caso de ataque forte do vírus da “tristeza” em plantas de laranja-pera em qualquer de seus cones e independentemente do porta-enxerto, seus ramos geralmente mostram sintomas de “caneluras” (“stem pitting”) associadas com a presença de goma nos tecidos. Paralisação no crescimento e produção de frutos pequenos e descoloridos são sintomas adicionais nas plantas atacadas. Limoeiro galego e pomeleiros também são sujeitos aos mesmos sintomas, razão da pequena longevidade dessas espécies de plantas cítricas.  Não há medidas de prevenção, em virtude da presença do inseto vetor, que transmite o vírus de árvore a árvore, como também pela borbulha, na ocasião da “enxertia”.
Evidentemente, as doenças de vírus constituem hoje o maior flagelo da citricultura. O único meio de controlá-las é a prevenção. Assim, somente deve-se adquirir mudas cítricas dos viveiristas que tenham seu viveiros legalmente registrados no Instituto Biológico e apresentem o “Certificado de Sanidade de Estabelecimento Agrícola”.

DOENÇAS BACTERIANAS DOS CITROS

CANCRO CÍTRICO

A literatura registra cinco formas diferentes de cancro cítrico (Stall & Civerolo, 1991). As principais diferenças entre essas formas da doença são a gama de hospedeiros, a severidade e a sintomatologia. A forma Asiática, também conhecida como cancro ou cancrose A, é a mais amplamente disseminada e a mais severa das doenças.

O cancro cítrico, causado por Xanthomonas axonopodis pv. Citri (Hasse, 1915) Vauterin et al. 1995, é originário da Ásia e a primeira descrição da doença foi feita em 1912, quando de sua introdução na Flórida, Estados Unidos, por meio de mudas de citros originárias do Japão (Agrios, 1997). A doença é encontrada em pelo menos 30 países, sendo endêmica em todos aqueles produtores da Ásia e em vários outros da América do Sul, como Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai (Feichtenberger et al., 1997 e Amorim & Bergamin Filho, 1999).

No Brasil, a primeira observação de ocorrência do cancro cítrico deu-se em 1957, por A. A. Bitancourt, no município de Presidente Prudente (SP), segundo Rossetti et al. (1982). Disseminou-se para outras regiões paulistas e outros estados, como Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Feichtenberger, et al., 1997 e Cosave, 2000)

O cancro cítrico tem causado graves prejuízos à citricultura brasileira é um dos fatores responsáveis pela recente queda na safra de laranja, cuja produção vinha numa curva ascendente até atingir o pico de 428 milhões de caixas, na safra 1997/1998. No período 1998/1999, caiu para 330 milhões de caixas. O processamento na industria caiu de 318 milhões de caixas para 279 milhões, o que significa cerca de 500 mil toneladas de suco a menos. O reflexo imediato é a queda na movimentação do porto de Santos, menos divisas para o país e perda de espaço no mercado internacional, entre outros fatores (Fundecitrus, 2001).

O cancro cítrico causa lesões locais em folhas, frutos e ramos, as quais são levemente salientes, corticosas, da cor de palha ou pardacentas. Nas folhas, as lesões são salientes e correspondentes nas duas faces, circundadas por um halo amarelo que desaparece, quando as lesões ficam mais velhas. Nos frutos, elas podem atingir de 2 a 10mm. Os frutos atacados geralmente caem antes de atingir a maturação final. Nos frutos verdes, observa-se o anel claro que rodeia as lesões, o qual desaparece com o seu amadurecimento. As lesões podem-se juntar tomando grandes áreas e provocar o rompimento da casca, o que torna os frutos imprestáveis para o comércio. Nos ramos, as lesões podem-se unir formando crostas, que provocam a morte deles quando atingem grandes áreas. Ataques severos da doença podem provocar desfolha com conseqüente depauperamento de plantas, e queda prematura de frutos. Alguns sintomas causados por outros patógenos podem ser confundidos com os sintomas do cancro cítrico, sendo importante uma diferenciação segura desses sintomas.

A disseminação a curtas distancias se dá, principalmente, por chuvas e ventos, mas o principal agente disseminador é o próprio homem, por meio do transito indiscriminado de pessoas pelos pomares, materiais de colheita e de veículos. A longas distancias, a disseminação ocorre por meio de material de propagação doente.

Clorose variegada ou amarelinha

Tem sido constatada em pomares do Norte do Estado de São Paulo desde 1987 (Rossetti et al., 1990).

Caracteriza-se pela presença de manchas cloróticas nas folhas, que evoluem para uma clorose variegada. Inicialmente, os sintomas manifestam-se em um ramo da planta, mas posteriormente toda a planta é afetada. As plantas produzem frutos pequenos e endurecidos, e tornam-se praticamente improdutivas.

São afetadas plantas de laranja doce das cultivares Natal, Pêra, Hamlin, Seleta e Valência enxertadas sobre limão ‘Cravo’, tangerina ‘Cleópatra’ e limão ‘Volkameriano’. Aparentemente, plantas de lima ácida Tahiti e tangerinas não apresentam sintomas (Rossetti et al., 1990).

No pomar, a doença ocorre inicialmente em plantas ao acaso, porém passa a ocorrer em reboleiras. As plantas mostram os primeiros sintomas dos três aos cinco anos de idade. A doença progride rapidamente e, em dois a três anos após a primeira constatação do problema, o pomar torna-se praticamente improdutivo. Sintomas de clorose variegada têm sido observados também em plantas de viveiros.

A causa da doença ainda não foi determinada. Entretanto, a bactéria Xylella fastidiosa Wells et al tem sido consistentemente encontrada em tecidos vasculares de folhas e ramos de plantas cítricas com clorose variegada (Leite & Leite, 1991).

Algumas medidas devem ser adotadas para prevenir a introdução da doença no pomar. A recomendação básica é a utilização de material propagativo sadio, proveniente de plantas matrizes registradas ou de plantas selecionadas de pomares sem histórico da doença.

PRINCIPAIS PRAGAS E SEU CONTROLE

As pragas dos citros são fatores limitantes à produção. Ocorrem desde a formação das mudas até a implantação e condução do pomar e podem comprometer o desenvolvimento e a produtividade das plantas ou mesmo inviabilizar economicamente a cultura.

ÁCAROS ASSOCIADOS À CULTURA

Ácaro da falsa ferrugem

Descrição
Este ácaro tem aspecto vermiforme, assemelha-se a uma pequena vírgula, mede cerca de 0,15mm de comprimento e tem coloração amarelo-clara.

Sintomas
Em função do ataque, as cascas dos frutos das laranjas doces tornam-se escurecidas, enquanto que as cascas dos limões, limas etc, tomam a coloração prateada. Nas folhas aparecem manchas escuras denominadas “manchas de graxa”. O ataque deste ácaro pode provocar o desfolhamento antecipado das plantas.

Prejuízos
Os frutos escurecidos pelo ataque de P. oleivora ficam depreciados para o consumo in natura. Podem também ficar menores e murchos, características que afetam o processo de comercialização. Altas infestações determinam o definhamento progressivo da planta, comprometendo a vida útil do pomar. Em viveiros provocam o surgimento de “manchas de graxas” nas folhas.
A freqüência de amostragem deve ser semanal e pode ser quinzenal durante o período do ano em que as condições de temperatura e umidade são menos favoráveis. O controle deve ser efetuado quando 10% dos frutos amostrados no talhão apresentarem 30 ou mais ácaros.
As recomendações da CATI (1991) para a determinação do índice de infestação e nível de controle do ácaro da falsa ferrugem para a cultura paulista são baseadas no perfil do agricultor e tipo de mercado. Para a determinação do nível de infestação, quando apenas se considera a presença ou ausência do ácaro, deve-se examinar ao acaso três frutos ou seis folhas, localizadas na periferia da copa, fazendo duas leituras com lupa em cada estrutura amostrada. O índice de infestação é determinado anotando-se o número de frutos ou folha em que foi constatada a presença do ácaro.

O controle é recomendado quando:
a) em 20% dos frutos ou folhas vistoriados for observada a presença do ácaro, se a produção for comercializada in natura;
b) em 30% dos frutos ou folhas inspecionados for observada a presença do ácaro, se a produção for destinada a indústria.

Ácaro da leprose

Descrição
São ácaros achatados de coloração avermelhada. As fêmeas apresentam manchas escuras, medem cerca de 0,3mm de comprimento; os machos são menores e não apresentam manchas.

Sintomas
Ao contrário de P. oleivora este ácaro distribui-se principalmente na parte interna da copa. Provoca o aparecimento de manchas marrons nas folhas, circundadas por um anel claro e, nos frutos ainda verdes, manchas pardacentas circundadas por halo amarelado. Nos ramos surgem lesões amareladas que vão se tornando salientes e corticosas.

ÁCAROS DE IMPORTÂNCIA SECUNDÁRIA

No Brasil ocorrem outras espécies de ácaros em plantas cítricas. Flechtmann (1983) cita como pragas secundárias as seguintes:

– Ácaro purpúreo – Panonychus citri (McGregor, 1916)
(Acarina-Tetranychidae)
– Ácaro branco – Polyphagotarsonemus latus (Banks, 1904)
(Acarina – Tarsonemidae)
– Ácaro das gemas – Eriophyes sheldoni (Ewing, 1937)
(Acarina – Eriophydae)
– Ácaro mexicano – Tetranychus mexicanus (McGregos, 1950)
(Acarina – Teranychidae)
– Ácaro texano – Eutetranychus banksi (McGregor, 1944)
(Acarina – Tetranychidae)
– Ácaro amarelo – Lorryia formosa (Cooreman, 1958)
(Acarina – Tydeidae)
Dentre estas espécies o ácaro purpúreo, o ácaro branco é o ácaro-das-gemas são os mais freqüentes nos pomares e nos viveiros de citros.

Alguns produtos indicados para controle de ácaros em citros.

Nome
técnico
Dose
(g i.a./100 I
de água)
Formulação e concentração
(g i.a./kg ou I)
Período de
carência
(dias)
Classe
tóxico-
lógica
Ácaro da falsa ferrugemAbameclim²
Bromopropilato
Enxofre³
Oxido de lenbulatina
Quinometionato
Cihexatim4
Carbossulfam
Etiom

Ácaro da leprose

Hexitiazox5
Oxido de fembulatina
Cihexatim4
Fenpropatrim5
Bromopropilato
Quinometionato

Acaro purpúreo

Cihexatim4
Etlhion

Ácaro branco

Enxofre³

0,36
20,0
320,0
30,0
25,0
25,0
10,0
75,0

1,5
40,0
25,0
15,0
37,5
30,0

25,0
100,0

400,0

CE 18
CE 500
PM 800
SC 500
PM 250
PM 500
CE 250
CE 500

PM 500
SC 500
PM 500
CE 300
CE 500
PM 250

PM 500
CE 500

PM 800

7
21
Livre
14
14
30
7
15

30
14
30
28
21
14

30
15

Livre

I
III
IV
III
III
III
I
I

III
III
III
III
III
II

III
I

IV

¹I: altamente tóxico; II: medianamente tóxico; III: pouco tóxico; IV: praticamente atóxico.
²Usar sempre associado a óleo mineral (dose:250ml/100l água). Primeiro misturar o produto e o óleo, a seguir colocar a mistura no tanque de pulverização. Após sua diluição, o produto deve ser aplicado no mesmo dia.
³Não aplicar em condições de temperatura superiores a 30ºC. Observar intervalo mínimo de 20 dias para pulverização com óleo mineral.
4Não aplicar em mistura com óleo emulsionável. Não pulverizar na presença de brotação nova sob condições de alta temperatura e seca prolongada.
5Não dever ser reaplicado num período de 12 meses.

COCHONILHAS

São insetos pequenos que formam colônias e permanecem a maior parte do tempo fixados à superfície do caule, ramos, folhas, frutos e até raízes das plantas cítricas. As cochonilhas recobertas por escamas ou carapaças, devido ao aspecto distinto que cada espécie apresenta, são conhecidas por: cabeça-de-prego, escama-vírgula, escama-farinha, pardinha e picuinha.

COCHONILHAS DE CARAPAÇA

CABEÇA-DE-PREGO

Descrição
As fêmeas apresentam carapaça de forma circular, convexa e de cor violácea escura, medindo cerca de 2mm de diâmetro. As colônias são formadas geralmente na página inferior das folhas.

Sintomas
Esta cochonilha deprecia os frutos para comércio in natura devido à dificuldade de remoção das escamas aderidas à casca. É acentuada a ocorrência em plantas em viveiros, pomares em formação e pomares domésticos.

Controle
Deve ser feito com pulverizações de óleo mineral mais inseticidas nas reboleiras de ataque.

Alguns produtos indicados para controle de cochonilhas.

NomeTécnico¹ Dose
(g i.a./100 I
de água)
Formulação e concentração
(g i.a./kg ou I)
Período de
carência
(dias)
Classe
tóxico-
lógica²
Óleo mineral emulsionável³
Dimetoato
DiazinonMetidation

Vamidotion

760 – 160060

60

40

24

CE 756CE 400

CE 600

CE 400

CE 300

Livre3

14

28

30

IVI

II

I

II

ESCAMA-VÍRGULA

Descrição

Este coccídeo possui escama semelhante a virgula ou marisco. A escama da fêmea é curva e mede cerca de 3mm de comprimento, enquanto que a do macho é reta e menor. A coloração varia de marrom clara a marrom violácea.

Sintomas

Os frutos infestados são depreciados para o mercado interno e imprestáveis para exportação, pois apresentam manchas verdes nas áreas onde as cochonilhas se fixam.

As folhas ficam manchadas de amarelo e encarquilhadas. Quando o ataque é severo pode ocorrer a queda de frutos e folhas, bem como a morte de ramos mais novos.

Controle

Inseticidas indicados para controle desta praga encontram-se na acima.

ESCAMA-FARINHA

As fêmeas apresentam a forma de concha alongada de coloração marrom. A escama do macho é como um pequeno casulo branco notando-se no dorso três carenas longitudinais. Os machos formam aglomerações, dando as plantas o aspecto de terem as partes atacadas pulverizadas de branco.

Sintomas

São ectoparasitas, infestando folhas, frutos, ramos e tronco. Sugam a seiva debilitando a planta e inoculando toxinas, e prejudicam a qualidade dos frutos. Devido Pa secreção de uma substancia açucarada, propiciam o desenvolvimento de fungos (Capnodium sp.) causadores da fumagina, além de atrair formigas que contribuem para a sua multiplicação. Altas infestações no tronco ocasionam o fendilhamento longitudinal da casca podendo levar à morte quando o ataque for em plantas

Controle

Nas folhas e frutos pode ser feita pulverização com óleo emulsionável. No tronco e nos ramos recomenda-se o pincelamento com a seguinte formula:

1,0 kg de enxofre molhável

3,0 kg de cal hidratada

0,5 kg de sal de cozinha

10,0 litros de água

PARDINHA

O macho adulto é alado e a fêmea é revestida por uma carapaça quase circular, achatada e de coloração pardo-amarelada clara, levemente avermelhada na parte central, com 2 a 3mm de diâmetro.

PICUINHA

Atualmente é considerada uma das principais pragas da citricultura paulista, em função dos danos que provoca e pelas dificuldades de controle.

COCHONILHAS DESPROVIDAS DE CARAPAÇAS

Ocorre também, outro grupo de cochonilhas, denominado sem carapaça, no qual destacam-se pela importância as seguintes: cochonilha branca, cochonilha verde e cochonilha-de-placas.

COCHONILHA BRANCA

Descrição

A fêmea adulta é recoberta por uma secreção branca, pulverulenta, formando 17 apêndices de cada lado, dos quais os dois últimos são maiores. Tem corpo oval, de coloração pardo-avermelhada e mede de 3 a 5mm de comprimento.

COCHONILHA VERDE

Descrição

São coccídeos de forma oval, achatados e de consistência mole. Medem cerca de 5mm de comprimento e tem coloração verde-clara. As espécies diferenciam-se pela presença de pontuações escuras no dorso de C. hesperidium.

PULGÃO

Descrição

São insetos sugadores, pequenos, medindo 1,5 a 2mm de comprimento, com formato periforme, de coloração marrom na forma jovem e preta nos adultos. Vivem em colônias compostas por fêmeas ápteras. Quando as colônias tornam-se muito populosas, surgem formas aladas que irão colonizar outros órgãos ou plantas.

Prejuízos

Sugam a seiva continuamente, causando o encarquilhamento das folhas e brotos novos, podendo ocasionar redução no desenvolvimento da planta. São vetores do vírus que ocasiona a doença denominada “tristeza dos citros” e, ainda, pelo excesso de líquido açucarado que excretam, ocasionam o desenvolvimento de fungos causadores de fumagina, que escurece as folhas e reduz a capacidade fotossintética das plantas.

BICHO-FURÃO

BICHO-FURÃO

Descrição

O inseto adulto é um microlepidoptero acinzentado, com 17mm de envergadura. A postura é efetuada na superfície dos frutos. As larvas, inicialmente marrom-claras, penetram em frutos verdes e maduros, construindo galerias internas e alimentando-se da polpa. Quando completamente desenvolvidas medem cerca de 18mm de comprimento, são branco-acinzentadas, com oito estrias longitudinais de pontuações negras dispostas simetricamente sob o corpo. O ciclo de vida completa-se entre 12 e 20 dias.

Prejuízos

Segundo Pinto (1986), muitos frutos caem das plantas contendo a lagarta no seu interior. Essa queda deve-se especialmente a infecções secundárias, originadas por fungos e bactérias que penetram através da perfuração efetuada pela lagarta. Esses microrganismos promovem a decomposição da região do fruto próxima ao orifício de penetração da larva.

Os nematóides do gênero Meloidogyne geralmente não completam o ciclo de vida em citros, o que é atribuído à impossibilidade de estabelecerem sítios de alimentação (Orion & Cohn, 1975). M. javanica tem sido a espécie mais freqüentemente encontrada associada a citros (Inserra et al., 1978), sendo que sua reprodução na cultura foi observada apenas na Califórnia.

No Brasil, as espécies de Meloidogyne não têm causado danos às plantas cítricas. Porém, M. javanica foi observada em diferentes porta-enxertos cítricos que têm como copa a laranjeira ‘Hamlin’ (Citrus sinensis Osbeck) e a laranjeira ‘Pera’(C. sinensis)( Sharma & Genu, 1982a; 1982b). Em outros países produtores, as infecções também são raras e de limitada importância econômica (Inserra et al., 1978).

A espécie Pratylenchus coffeae, constatada no estado de São Paulo, é de ocorrência bastante restrita.

Neste capítulo será dada ênfase à espécie T. Semipenetrans, por ser considerada a mais disseminada e importante para a citricultura nacional.

COLHEITA

A operação de colheita deve ser realizada com o uso de equipamentos apropriados e sob condições climáticas adequadas. O ponto ideal do fruto para o início da colheita depende do destino deste, que pode ser para o consumo in natura ou para a indústria de suco. Em ambas as situações são necessários cuidados para se obter produtos de boa qualidade.

PONTO DE COLHEITA

Ao contrário dos frutos climatéricos, como a banana, a maçã e o abacate, os quais podem completar a maturação durante o armazenamento ou transporte, os frutos cítricos devem ser colhidos quando estiverem fisiologicamente desenvolvidos e maduros. A maturação caracteriza-se pelo aumento gradual de suco, decréscimo de teor de acidez, aumento dos sólidos solúveis e desenvolvimento da cor, aroma e sabor.

Existem alguns métodos que indicam o estado de maturação dos frutos, a saber:

Coloração da casca. Normalmente as plantas sob clima mais ameno apresentam frutas com coloração da casca mais intensa do que aqueles conduzidas sob clima quente. Na colheita, e aconselhável que as laranjas apresentem pelo menos 50% da superfície da casca corada: os limões e limas ácidas devem apresentar cascas lisas e brilhantes e as tangerinas no mínimo 5% da superfície corada, com exceção da tangerina ‘Murcote’ e ‘Dancy’ que exigem maior percentagem de coloração.

Número de dias desde plena floração até a maturação. Variável em função dos fatores climáticos, do manejo e das cultivares; para as laranjas varia de sete a oito meses nas cultivares precoces e de 11 a 12 meses nas tardias.

Quantidade de suco. Determinada a partir de amostras representativas coletadas no pomar (12 a 15 frutos); a extração do suco é feita utilizando-se espremedor manual ou centrífuga elétrica. O percentual de suco é calculado em relação ao peso total das frutas amostradas. É desejável teor de suco superior a 40% para as laranjas, 30% para os limões e limas ácidas e 35% para as tangerinas.

Relação acidez/sólidos solúveis. É o melhor método de medir o estado de maturação dos frutos; com o amadurecimento, a um decréscimo gradativo de ácidos e um acréscimo de açúcares. Os açúcares, ou sólidos solúveis, são determinados em refratômetros, e os resultados expressos em graus brix; a acidez é obtida pela titulação da amostra de suco com hidróxido de sódio 0,1 N.

A relação acidez/sólidos solúveis (ratio) é obtida dividindo-se a percentagem de sólidos solúveis pela percentagem de acidez total. Essa relação pode variar de 6 a 20, sendo ideal a faixa compreendida entre 11 e 14.

CUIDADOS NA COLHEITA E NO TRANSPORTE

Tanto os frutos para consumo in natura quanto aqueles destinados à indústria de suco, devem ser colhidos com o máximo cuidado. Injúrias na casca, favorecem o desenvolvimento de fungos, reduzem o período de armazenamento, e causam perda do óleo contido nela. Frutos batidos podem sofrer transformações físico-químicas, que acarretam redução no período de armazenamento e na qualidade do suco.

Para que a operação de colheita se faça com menores danos aos frutos, recomendam-se as seguintes precauções:

–            colher os frutos em sacolas de lona com fundo aberto, preso por ganchos;

–            manter os colhedores com as unhas aparadas para evitar injúrias aos frutos;

–            manter as caixas de colheita limpas, sem a presença de materiais estranhos como areia ou pedregulhos;

–            evitar a coleta de frutos molhados ou orvalhados;

–            evitar a coleta de frutos, utilizando-se varas ou ganchos;

–            manter os frutos colhidos em local ventilado e sombreado.

MATERIAIS NECESSÁRIOS PARA A COLHEITA:

Na operação da colheita, dependendo da cultivar e da idade das plantas, são necessários os seguintes equipamentos:

–            Sacolas de lona, com fundo falso;

–            Caixas de madeira ou plástico, com capacidade para 25 a 40,8kg;

–            Tesouras com lâminas curtas, pontas arredondadas, e molas que as conservem aberta, especialmente para a colheita de tangerinas;

–            Caixões (bins) com capacidade para 400kg, quando as frutas são destinadas à indústria;

–            Escadas leves e resistentes.

MANEJO PÓS-COLHEITA

O transporte dos frutos pode ser feita em caixa, à granel em vagões, caminhões ou navios. Na colheita, geralmente são usados ‘sacos de colheita’ apropriados, dos quais os frutos passam para as caixas que serão transportadas para o armazém de acondicionamento ou descarregados a granel. Os frutos destinados à indústria, normalmente sofrem apenas uma lavagem, cuja finalidade é livrá-los de impurezas prejudiciais à indústria (pedras, galhos, areia, folhas, etc.). Os frutos para consumo in natura sofrem, também, a lavagem, para limpá-los de resíduos aderidos à casca, cochonilhas e fumagina, com água aquecida (45ºC) e agitação constante promovida por palhetas na presença de detergentes especiais. Após a lavagem os frutos recebem o polimento, posteriormente são calibrados, classificados e embalados de acordo com seu destino (mercado interno ou externo), seguindo normas e padrões do Ministério da Agricultura, os frutos devem ser classificados em grupos, classes e tipos.

MERCADO & PERSPECTIVAS

O Brasil, maior exportador mundial de suco de laranja, tem nas cotações da Bolsa de Nova York o principal balizador dos preços domésticos. O consumo interno da fruta não é desprezível, pelo contrário. Mas para cada laranja produzida para consumo in natura, produzem-se três para a indústria. Enquanto não se equilibrar essa proporção, a Bolsa de Nova York continuará apontando se o produtor colherá com lucro ou prejuízo.

Desde o final de 1996, o mercado esteve frouxo. As cotações do suco não alcançavam a média histórica. Os citricultores brasileiros amargavam prejuízos ou mal obtinham o suficiente para cobrir os custos de produção. Em fevereiro de 1998, iniciou-se uma virada nas cotações. A safra seria reduzida, anunciava-se, em aproximadamente 20%. Mais tarde, a estimativa foi revista e amais recente avaliação dá conta de uma colheita mais de 30% inferior à de 1997.

As razões da redução são várias. Fala-se em uma tendência natural a uma variação da produtividade, com uma safra boa alternando-se com outra ruim. Também se apontam condições climáticas desfavoráveis – temperaturas muito elevadas e déficit hídrico – na época da florada. Tratos culturais pouco rigorosos, sobretudo adubações insuficientes, são arrolados, justificados pelo desânimo dos produtores com os preços baixos. Finalmente atribui-se a quebra a doenças, como a CVC (amarelinho) e o cancro cítrico, e ao ataque de pragas.

O mercado foi mais agitado em agosto de 1998, com a divulgação das primeiras estimativas da safra norte-americana. As avaliações indicavam também uma redução da ordem de 10%, causada por condições climáticas desfavoráveis na florada. Em conseqüência disso, houve nova rodada de alta no mercado internacional. As projeções dão conta de um mercado em alta pelo menos até meados de 1999, em função da redução dos estoques internacionais.

A quebra da produção brasileira não afetou o mercado internacional de fruta in natura, porquanto nosso país não tem participação significativa nele. Ainda assim, as exportações espanholas aumentaram. Normalmente a Espanha supre 40% do mercado mundial de laranjas frescas.

Talvez os bons preços da laranja se mantenham por algum tempo, mas o produtor deve manter-se alerta. A valorização do produto é a passageira e a atividade continua requerendo cada vez mais profissionalismo. O enfoque constante na redução de custos e no aumento da produtividade é exigência básica para permanecer nesse mercado a longo prazo.

COMERCIALIZAÇÃO:

Pode se dar das seguintes maneiras:

  • Produção própria da indústria;
  • Fruta para indústria;
  • Venda da fruta na planta ou no “pé”;
  • Fruta para galpão de embalagens e varejistas;
  • Por consignação;
  • Consórcio ou pool;
  • Pelo produtor diretamente nos Ceasas;
  • Feiras livres, supermercados, sacolões e ambulantes, etc.

MAIORES PAÍSES PRODUTORES

Suco Concentrado de Laranja – Balanço Mundial
Toneladas Métricas – 65º Brix
Países 1991/92 1992/93 1993/94 1994/95 1995/96 1996/97 1997/98**
PRODUÇÃO 2.015.178 2.162.447 2.128.370 2.204.937 2.298.272 2.583.998 n.d.
Brasil 1.145.000 1.118.000 1.126.000 1.085.000 1.152.000 1.360.000 n.d.
Estados Unidos 661.495 858.678 801.891 894.239 913.070 1.029.000 1.130.000
México 14.000 25.000 36.000 65.000 45.000 40.000 41.000
Espanha 33.000 24.000 25.000 48.000 59.000 39.000 43.000
Itália 49.248 38.475 34.628 30.780 36.936 33.858 32.319

Fonte: USDA – Departamento de Agricultura dos Estados Unidos

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Fonte:  http://www.fruticultura.iciag.ufu.br/citros2.htm#Calagem%20e%20aduba%C3%A7%C3%A3o%20dos%20citros