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DIA INTERNACIONAL DA MULHER: Advogada narra sua história no cooperativismo

Conheça a trajetória de Maria Henriqueta de Magalhães, advogada que acompanhou de perto a fundação e o crescimento da Unimed no Brasil

Brasília (6/3) – Ao redor do mundo, o próximo domingo, 8/3, será marcado por celebrações em função do Dia Internacional da Mulher. A data é um estímulo à reflexão da sociedade sobre a importância da força de trabalho e da contribuição feminina em todos os setores econômicos. No cooperativismo brasileiro, o número de mulheres cooperadas, empregadas e familiares tem aumentado historicamente. A dedicação ao trabalho e a capacidade de acompanhar a evolução dos tempos tornam a mulher agente promotor de desenvolvimento humano.

E em uma data tão emblemática, nada melhor do que conhecer a trajetória de mulheres que lutam por igualdade e provam seu valor. Este é o caso de Maria Henriqueta de Magalhães, advogada paulista que acompanhou bem de perto a fundação e o crescimento da Unimed e que, até hoje, atua em prol do desenvolvimento do cooperativismo brasileiro. A reportagem abaixo foi publicada última edição da revista Saber Cooperar. Confira!

Compromisso cooperativista

Apaixonada pelo cooperativismo. É assim que se define a advogada paulista Maria Henriqueta de Magalhães. Conhecimento de causa não lhe falta. Assessora de Cooperativismo e Associativismo da Unimed do Brasil, ela vem dedicando boa parte de sua vida ao desenvolvimento de uma série de ações junto às cooperativas. “Depois desses anos todos de trabalho, continuo encantada com o meio cooperativo, pelo simples fato de ser um ideal justo”, resume.

Seu contato com a filosofia cooperativista se deu no início da carreira, quando, recém-formada, ela foi aprovada no concurso para o Instituto de Cooperativismo e Associativismo (ICA) da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo. Até então, Henriqueta não conhecia os fundamentos da área com a qual, posteriormente, veio a desenvolver profunda identificação. “Nos meus cinco anos de graduação, não tive nenhum tipo de contato com o tema. Imagine o meu espanto quando descobri a existência do cooperativismo. Pensei: ‘Meu Deus, que bicho é esse?’”, diverte-se.

A experiência com os valores disseminados pelo segmento cooperativista foi o que conquistou o coração de Henriqueta, que, no ICA, trabalhou durante 32 anos. “Até hoje trago comigo a regra que vigorava no órgão: ‘Estudem, leiam, pratiquem, escrevam’”, lembra. “O instituto foi maravilhoso para mim, pois sempre me estimulou a estudar. Aproveitei a oportunidade e mergulhei nesse universo. O sucesso do meu trabalho foi meu maior estímulo. A cada conquista, eu me sentia mais motivada, sentia orgulho dos resultados gerados pelo meu trabalho, e isso me estimulava a querer aprender cada vez mais.”

A atuação no ICA possibilitou a Henriqueta ampliar conhecimentos, inclusive fora do país. Nos Estados Unidos e na Alemanha, ela participou de diferentes cursos de especialização. Também atuou, como representante do Brasil, no setor de pesca marítima do projeto de reconstrução da Guatemala. Por meio desses constantes aperfeiçoamentos, progrediu na carreira, tendo ocupado os cargos de chefe de seção, diretora setorial, assessora do diretor-geral e, por fim, diretora-geral do instituto. E, como costuma ocorrer com os profissionais bem-sucedidos, a ascensão não fez com que ela se acomodasse.

Ao contrário: atingido o topo da carreira, Henriqueta resolveu se desligar do emprego. O aprimoramento da vivência cooperativista motivou sua vontade de aproximar-se mais da estrutura do setor. Foi quando ela começou a atuar em cooperativas da região. Como em toda mudança, os primeiros tempos não acenaram com facilidades. “Essa minha nova fase profissional se deu aos trancos, pois tive de vencer minha timidez”, conta.

Iniciada a nova etapa profissional, Henriqueta encarou outro desafio: trabalhar em uma empresa de fundição e produção de filtros industriais, betoneiras para postes e assemelhados. Começou inovando, pois o setor, até então, era predominantemente ocupado por homens. Mais uma vez, ela se destacou, a ponto de, em pouco tempo, passar a acionista e diretora administrativa.

O contato com o setor industrial também levou a advogada a novos voos. Foi quando ela deixou a fundição e trabalhou como conselheira fiscal na Frutesp, empresa do interior de São Paulo que produzia e exportava suco concentrado de laranja para mais de 150 países. A experiência a entusiasmou, principalmente porque, durante o tempo em que trabalhou nessa produtora, Henriqueta conseguiu ajudar muitas cooperativas do ramo a crescer. Mas o sonho durou pouco.

“Quando estávamos no auge da produção, os dirigentes nos informaram o desejo de vender a fábrica para uma multinacional”, lembra. “Então, preparamos uma assembleia, e o processo de venda teve início. Quando terminou a assembleia, cheguei ao hotel em que estava hospedada e chorei muito. Foi a maior decepção da minha vida profissional”. Mais uma vez, era chegada a hora de mudar o rumo.

E assim aconteceu. Com os conhecimentos adquiridos em cooperativismo, Henriqueta participou dos primeiros processos que resultariam na fundação da Unimed. Começou tomando parte em discussões institucionais e frequentemente era convidada a ministrar palestras. “Eu nem fazia parte do quadro na Unimed, mas os dirigentes me convocavam para as reuniões mais importantes. Eu não tinha como me negar, eu simplesmente ia”, lembra.

Em 1994, ela recebeu o convite formal para integrar-se ao quadro da Unimed Brasil, onde se encontra até hoje. A posição que atualmente ocupa na organização, entretanto, não lhe traz a sensação de trabalho realizado. Henriqueta diz que todos os dias aprende algo novo. “Tenho uma riqueza enorme de saberes e devo isso à Unimed e às outras cooperativas para as quais trabalhei”, avalia. “A Unimed é um caldeirão com borbulhas enormes que exige um grande esforço para encontrar soluções, e esse desafio é o que me motiva.”

Ela se orgulha de ter colaborado para o desenvolvimento da Unimed, hoje, líder no mercado de saúde privada no Brasil e responsável por congregar, representar e defender, política e institucionalmente, as 352 cooperativas médicas que formam o Sistema Unimed. Faz questão de lembrar que o espírito de equipe foi fundamental para o sucesso da instituição: “Aqui dentro eu trabalhei com verdadeiros heróis. Convivi com profissionais admiráveis que me ensinaram várias formas de superar as adversidades”.

Assim, pautada em sempre estudar e aprimorar seus conhecimentos, Henriqueta de Magalhães construiu a carreira no meio cooperativo. “Trabalhar com o cooperativismo me rendeu lições de vida”, destaca. “Vivenciei o fato de que, juntas, as pessoas podem, conseguem fazer. Para tanto é necessário apenas a ideia certa, no momento certo – bem como é essencial a atuação de um bom líder para executar a ideia. Posso afirmar que o cooperativismo precisa sempre de bandeiras e de grandes líderes”, conclui.

Quem é: Maria Henriqueta de Magalhães
Formação: Ciências Jurídicas e Sociais, pela Faculdade do Largo de São Francisco, São Paulo (SP)

Principais atuações
Setor público – Chefe de seção, diretora setorial, assessora da diretoria-geral e diretora-geral do Instituto de Cooperativismo e Associativismo da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo

Assessora de gabinete na Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo
Setor privado – Acionista e diretora de administração da Exímia S/A – Fundição e produção Conselheira fiscal da Frutesp S/A

Conselheira fiscal da Usimed do Brasil, sociedade cooperativa dos usuários dos planos de saúde Unimed

Assessora de Cooperativismo e Associativismo da Unimed do Brasil e da Confederação Nacional das Cooperativas Médicas.

Unimed Brasil – A Unimed é o maior sistema cooperativista de trabalho médico do mundo e também a maior rede de assistência médica do Brasil, presente em 83% do território nacional. O sistema foi fundado em 1967, em Santos (SP), com a inauguração da Unimed Santos pelo médico Edmundo Castilho. Atualmente, a Unimed trabalha com mais de 110 mil médicos, em um total de 107 hospitais próprios e 11 unidades hospitalares credenciadas, além de atuar em pronto-atendimentos, diagnósticos complementares e laboratórios.

Seu sistema cooperativista é composto por estruturas específicas. O setor de Singulares cuida das Unimeds dos municípios, tendo sua atuação regulamentada pela Divisão de Federações, como todas as unidades. Já a Confederação Nacional das Cooperativas dá suporte a todo o Sistema Unimed, atualizando-o permanentemente em ações que reforçam os princípios cooperativistas e a valorização do trabalho médico, com vistas ao fortalecimento da sustentabilidade e da competitividade da instituição.

– Número de cooperativas médicas que compõem a Unimed: 352;

– Total de clientes atendidos, no Brasil: 20 milhões;

Fonte: Revista Saber Cooperar – 16ª edição