Dessecação para o plantio da cultura do trigo

Estamos no inicio de mais um ano agrícola caracterizado por um ambiente cujo planejamento das atividades constitui-se em uma necessidade para a obtenção de elevados rendimentos. Nos últimos anos o sistema de semeadura direta tem passado por algumas provações, no que tange ao manejo de plantas daninhas, pois com o surgimento dos herbicidas houve, concomitantemente, o inicio do aparecimento das primeiras plantas daninhas resistentes aos mesmos.
No que diz respeito às plantas daninhas, houve, nos últimos anos, um acréscimo considerável da ocorrência de plantas daninhas resistentes aos herbicidas, em termos regionais podemos citar o caso da “buva” e do “azevém” resistentes ao herbicida glifosato. A semeadura de culturas de inverno, como por exemplo, o trigo, constituem-se em ferramentas de manejo cultural, que nos auxiliam na determinação de estratégias de controle das plantas daninhas resistentes ao glifosato.
Entretanto para que a cultura do trigo possa expressar o seu potencial produtivo e possibilitar a formação de uma boa cobertura de palha, visando contribuir com a sustentabilidade do plantio direto e o manejo de plantas daninhas resistentes como, por exemplo, a “buva” há a necessidade que a cultura se estabeleça no “limpo”, ou seja, livre da competição de plantas daninhas, o que é obtido com a utilização de culturas intercalares (implantada entre a safra de verão e a de inverno) como o nabo forrageiro, seguida de uma boa dessecação pré-semeadura. Em trabalhos de pesquisa conduzidos na Fundacep, Bianchi demonstrou a importância de se realizar a semeadura da cultura do trigo livre da competição de plantas daninhas, pois quando a cultura foi implantada sem a dessecação antecipada, resultou em uma redução de
12 a 27% na densidade de plantas de trigo e de 5,8 a 10,2% na produtividade final da lavoura.
Nas lavouras com ocorrência de azevém resistente, a dessecação antecipada, cerca de
25 a 30 dias antes do plantio, torna-se ainda mais indispensável, devendo, para tanto, o agricultor utilizar a mistura do glifosato com graminicidas (ex: Poast, Select, Podium entre outros) mais a adição de óleo ou similares. Caso for necessário ainda há possibilidade de uma segunda entrada na lavoura, cerca de 2 dias antes da semeadura, com a utilização de herbicidas de contato, como o gramoxone, visando controlar eventuais rebrotes.
Na região sul do Brasil o período de inverno apresenta-se como uma oportunidade extremamente interessante para o controle da “buva”, pois nessa ocasião há possibilidade de utilização de herbicidas latifoliadicidas (folhas largas) com mecanismos de ação diferentes do glifosato, como por exemplo, o Ally, associado à formação de palhada visando reduzir a população (densidade) e a estatura (altura) das plantas daninhas, o que resulta em melhor eficiência de controle da mesma durante a safra de verão. Maiores informações podem ser obtidas junto ao Departamento Técnico da Coagril.

Eng.-Agr. Rudinei Luis Richter.

Fonte: http://www.coagril-rs.com.br/?pag=noticias_coagril&acao=ver&codigo=173&titulo=Desseca%E7%E3o%20para%20o%20plantio%20da%20cultura%20do%20trigo