Soja

Desperdício no campo

O resto de soja nas lavouras surpreende neste ano. Condição aceitável é até duas sacas por hectare de soja ser perdida nas lavouras devido à má regulagem das máquinas e ausência de conservação, porém neste ano, problemas com o clima na época de colheita provocaram um aumento de desperdício no campo mais que o dobro do normal. Resultado são áreas verdes que se assemelham com uma nova safra de soja. Os prejuízos podem chegar a 833 mil toneladas que correspondem a R$ 35 milhões, tendo em vista a área cultivada na região com a oleaginosa, que foi de 816 mil hectares e, a produção foi de 2,5 milhões de toneladas.

O agrônomo da Emater, Cláudio Dóro, explica que as perdas anuais de soja ocorrem pela falta de regulagem das automotrizes e ausência de regulagem das máquinas. Nesse ano, segundo ele, observa-se que a margem de perdas é maior. “Talvez porque o agricultor estava empolgado com o bom potencial produtivo e, no momento de recolher as plantas da lavoura não tenha dado atenção ao processo, com relação ao molinete, sistemas de cortes e trilhos e sistema de ar. É falta de capricho. Pois quando se muda a colheita de cultivar, é necessário ajustar a máquina, regular as peneiras, a injeção de ar. Com a falta dessa atenção, e a regulagem feita somente no inicio da colheita, podemos ver lavouras verdes”, comenta.

 

Como conseqüência, é dinheiro que deixa de entrar no bolso do agricultor e de circular na economia. “Perder um saco por hectare é normal, uma vez que estudos apontam que máquinas bem reguladas e com boa manutenção reduzem para 18 quilos de perda por ha. Mas pelo que estamos vendo, o prejuízo é muito superior. Deixar mais de dois sacos na lavoura é desperdício”, conta.

Dóro comenta que semeando no período recomendado, usando boa semente, tecnologia, fazer os tratos necessários e perder por uma questão de falta de atenção, de cuidado, é não dar atenção a sua lucratividade. Além disso, o agrônomo enfatiza que muitos operadores das máquinas não são profissionais, também cabendo a eles responsabilidade pelos prejuízos.

Na lavoura de Claudino Nadal, que cultivou 150 hectares com soja em Passo Fundo e obteve uma produtividade média de 57 sacas por hectare, a situação é preocupante. A área verde mostra que o prejuízo é grande. Ele conta que no período de colheita, quando a soja estava madura e pronta para ser retirada da terra, no final de março foi registrado um período de dias consecutivos de chuva. Essa condição climática provocou o apodrecimento, deixando o grão exposto e, ao bater no molinete, acabava se debulhando e caindo na terra. Nadal estima ter perdido três sacas por hectare.

“Esse foi um ano atípico que até fiquei apavorado pelas perdas. Pensei que fosse problema pelas minhas máquinas serem mais velhas, mas para esta colheita utilizei maquinário emprestado, mais novo”, diz.

Neste caso, onde houve interferência do clima, não há como minimizar os impactos. Mas a manutenção e regulagem dos equipamentos são imprescindíveis para evitar o desperdício.

 

Agora, as vacas estão fazendo o pastejo de aveia e azevem guaxos e também da soja. Nadal que vai plantar 20 hectares com trigo e o restante da área fazer cobertura com aveia preta, espera por uma geada para eliminar com a soja. Caso isso não ocorrer até um período antes de fazer a semeadura, vai ter que realizar uma dessecação, usando um produto a mais para eliminar a soja, para que ela não venha competir com o trigo que será implantado.

A soja que está crescendo está tomada de doenças, com oídeo e manchas folhares. Se elas não forem eliminadas, as doenças se instalam e permanecem até a próxima safra de verão. Além disso, as plantas competem com a cultura que for semeada posteriormente, e, a soja que já está enraizada acaba tendo vantagem com a umidade do solo e nutrientes.

Dóro destaca que hoje se discute bastante a agricultura de precisão, porém enfatiza que é uma tecnologia de alto custo e está havendo desperdício em operações básicas. “Antes da agricultura de precisão tem que vir precisão na agricultura. E ela passa por bons ajustes das plantadeiras, pulverizadores e colheitadeiras, além do desperdício fantástico que temos na parte de defensivos agrícolas, dosagens más reguladas, e outros”, conclui.

 

Fonte: http://www.diariodamanha.com/noticias.asp?a=view&id=11615