Desperdício na Produção de Café

Pesquisas realizadas pela Fundação João Pinheiro indicam que na safra brasileira de 1994/95 houve uma perda de 25% em grãos e quase 40% em produtos hortifrutigranjeiros, mas isto representa apenas uma parte das perdas configuradas. Existe um escoadouro imenso constituído por outro tipo de perdas, as potenciais. Estas são perdas que ocorrem por falhas das mais variadas durante o processo produtivo. Há aqui um campo imenso para reduzir a incompetência gerencial empresarial e do sistema todo através da aplicação da Gestão da Qualidade Total. No caso específico do café, as perdas configuradas atingiram um patamar da ordem de 12%.

Ou seja, as perdas potenciais se caracterizam por não aparecer como desperdícios tangíveis, porque a inadequada estrutura do sistema produtivo impede que uma alta proporção de sacas de café possa ser produzida. Por exemplo, a má conservação do solo em todos seus graus e formas torna pobre o mesmo em forma constante, reduzindo a produtividade. Assim, o desperdício de solos é mais insidioso mas com certeza mais importante que a perda do produto físico. No Brasil estima-se uma perda de 700 milhões de toneladas de solo por ano!

Estas perdas potenciais surgem facilmente à luz quando comparamos as produtividades agrícolas de um certo país, por exemplo o Brasil e o “benchmark” (recorde mundial de produtividade). Se considerássemos somente os dois principais produtos agrícolas de consumo popular: arroz e feijão, a média brasileira é, respectivamente, 30% e 13% do “recorde mundial” (ver mais detalhes no Cap. 4). é interessante mencionar que os países que ostentam a melhor marca mundial desses produtos não são tão “desenvolvidos”, trata-se de Porto Rico e Irlanda. Considerando a diferença que existe entre a produtividade real no Brasil, só nestes dois produtos, em relação à metade do “benchmark”, isto representa mais de 18 milhões de toneladas anuais. Completando os cálculos com outros produtos agropecuários, as perdas potenciais ocorridas durante o processo produtivo são da ordem de 50 bilhões de dólares. Se a isto acrescentamos as perdas ocorridas entre a colheita e o consumo final, estima-se(*) que este valor deve atingir um valor próximo aos 90 bilhões de dólares anuais.

Não podemos encerrar estes breves comentários sem sublinhar especialmente o fato de que um dos mais importantes fatores de desperdício na agricultura em geral é o uso inadequado do conhecimento técnico científico na área agropecuária em geral e na cafeicultura em particular, que acaba gerando, em vários países, milhares de agrônomos desempregados e milhões de agricultores (pequenos e médios) sem assistência técnica. A FAO em particular tem estudado profundamente este assunto, recomendando ao leitor interessado a consulta de FAO (1993a, 1993b).

Na verdade, a redução de desperdícios comentada anteriormente é apenas um aspecto dentro de uma relação muito mais ampla de motivos de implantação da Gestão da Qualidade Total na Agropecuária. Os principais deles, segundo o SEBRAE (1993) são:

a) Assegura a preferência do mercado, oferecendo produtos cada vez com maior qualidade.

b) Abre novos mercados, interessados em produtos de alta qualidade intrínseca, custo razoável, bom atendimento e alto nível de segurança (quatro das cinco dimensões da QT).

c) Redução de custos. Fora da redução devida a desperdícios, outras são decorrentes de racionalização de processos, eliminação de retrabalho, padronização de tarefas, etc.

d) Criação de novos negócios. O enfoque permanente nas necessidades e expectativas do cliente fornece um novo posicionamento estratégico para a empresa, o que lhe permite ter boas chances de criar novos negócios.

e) Clima positivo na organização. Esse clima é obtido através de delegação de competências, gerência participativa, valorização do ser humano, etc. Deste modo, os empregados se sentem comprometidos com a empresa, dividindo as responsabilidades.

f) Retorno compensador, através do aumento da lucratividade da empresa. Isso não significa maior exploração dos empregados e preços mais elevados ao consumidor. Pelo contrário, o aumento de faturamento ocorre por outras causas, especialmente: maior demanda dos produtos (por eles satisfazerem os clientes), redução de custos devido a melhoria dos processos, a motivação dos empregados, etc.

De acordo com Resende (1991), as principais causas de perdas de café em Minas Gerais são:

– Colheita inadequada (“derriça” no solo)

– Infra-estrutura deficiente para secagem e preparo do produto

– Prolongamento do período de colheita devido a escassez de mão-de-obra

Em segundo lugar, foram indicadas as seguintes:

– Ataque de broca

– Condições impróprias de armazenagem

– Tratamento pós-colheita deficiente

Fonte:

 http://br.monografias.com/trabalhos908/gestao-qualidade-cafe/gestao-qualidade-cafe2.shtml

Autor:  José A. Bonilla

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