Soja

Desperdício de grãos prejudica produção brasileira

O porto de Paranaguá, maior exportador de grãos do país, é um retrato de como o Brasil desperdiça o que produz

Assessoria de Imprensa da Ocepar/Sescoop-PR

As ruas próximas ao porto e trilhos de trem ficam imundos. Milho e soja se misturam a garrafas e sacos plásticos e viram lixo, que atrai moscas e deixa o ar insuportável. “É horrível, é terrível. A gente passa até mal aqui às vezes, viu”, diz o caminhoneiro Carlos Roberto.

Estatística – Segundo o IBGE, o Brasil desperdiça 10% da sua produção de grãos. A previsão é colher 145 milhões de toneladas na próxima safra. Quase 15 milhões de toneladas de soja, milho e trigo são jogados fora. No cinturão do milho, no meio-oeste dos Estados Unidos, é só olhar para perceber a diferença. A produção de 415 milhões de toneladas de soja e milho é praticamente toda aproveitada. Um engenheiro agrônomo brasileiro ficou impressionado durante a visita às fazendas americanas. “Você enxerga muito poucos grãos na lavoura, realmente eles otimizam ao máximo toda a estrutura de produção”, diz Robson Maffioleti.

Trens – Além das hidrovias, é comum encontrar linhas de trens ao lado das lavouras para ajudar no escoamento. O agricultor Ken Peart, de Scales Mound, estado de Illinois, explica que a soja que acaba de ser tirada do campo está indo diretamente para o terminal de embarque. Até chegar aos terminais, são utilizadas o que os americanos chamam de estradas rurais, completamente diferentes das rodovias do Brasil. O asfalto, lisinho, vai até a porteira da fazenda.

Tecnologia embutida – E os caminhões? Além do jeitão invocado, eles também têm muita tecnologia embutida. As carretas são seladas e, na hora de descarregar os grãos, o funcionário puxa uma alavanca e tudo o que estava lá dentro desce por uma espécie de funil e fica armazenado.Para entender a diferença entre os caminhões brasileiros e os americanos basta reparar nos acostamentos das estradas nos Estados Unidos. Eles são completamente limpos, sem nenhum grão perdido. Desperdício zero! O caminhoneiro americano até acha graça quando pergunto quanto ele perde no caminho da lavoura até os armazéns. A resposta? Nada, nenhum desperdício. (Reportagem veiculada no Jornal da Globo. Acesse o conteúdo completo no site da globo).

Fonte: http://www.portaldoagronegocio.com.br/conteudo.php?id=47719