Pecuária

Desempenho do frango vivo em setembro e nos nove primeiros meses de 2015

01/10/2015

Em setembro último o frango vivo comercializado no interior de São Paulo alcançou o maior valor dos primeiros nove meses de 2015. Ou seja: repetiu o mesmo comportamento observado em quatro dos cinco anos anteriores (2010, 2012, 2013 e 2014).

Desta vez, em quase três quartos do mês (22 dos 30 dias de setembro), operou cotado a R$2,90/kg – valor com que inicia o mês de outubro. Com isso, alcançou no período preço médio de R$2,87/kg, registrando altas de 6,37% e 8,38% sobre, respectivamente, o mês anterior e o mesmo mês do ano passado.

Como esse foi o quarto mês consecutivo em que o frango vivo obtém reajuste sobre o mês anterior – o que fez com que saísse de um mínimo (no ano) de R$2,17/kg para o máximo atual de R$2,87/kg – a sensação que fica é a de que produto e produtor vivem excelente momento.

Nada mais falso, porém. Porque o valor médio alcançado nesses nove meses, da ordem de R$2,47/kg, se encontra não mais do que 4% acima dos R$2,37/kg registrados no mesmo período de 2014. Ou seja: o incremento é bem inferior à alta inflação acumulada nos últimos 12 meses.

Mas não só isso. Pois os nove primeiros meses do ano passado foram fechados com queda de 2% em relação ao ano anterior (R$2,42/kg). Assim, resumindo, o valor médio de 2015 está apenas 2% acima da média de dois anos atrás. Isto, para uma inflação que ultrapassa os 16%. A perda, portanto, é grande.

É provável, no entanto, que se argumente que essas “aparentes perdas” vêm sendo amplamente compensadas pelas exportações, visto que – a despeito do menor preço da carne de frango no mercado internacional – a valorização de mais de 70% do dólar nos últimos 12 meses proporciona excelente rendimento a quem exporta.

É verdade. Mas o que não se pode ignorar é que apenas um terço, se tanto, da produção brasileira de carne de frango é exportada. Além disso, exportar é atividade restrita a poucas empresas. Ou seja: o resto, o grande resto, depende desse sofrível e sofrido mercado interno.

De toda forma, é inegável que a grande expansão das exportações nos últimos meses vem contribuindo para o atual estágio de firmeza do mercado do frango vivo. Quer dizer: é provável que, sem o aumento das vendas externas, nem mesmo a grande diferença interna de preços entre as carnes bovina e de frango seria capaz de proporcionar a estabilidade de mercado.

Fonte: Avisite