Laranja

Desafios da citricultura sergipana

A globalização que vem ocorrendo nas últimas décadas permitiu ao Brasil expandir o relacionamento comercial com outros países, antes distantes. Esta expansão, da mesma forma que é economicamente benéfica para um país, com características agrícolas e exportadoras como o nosso, permite também que novas pragas e doenças (patógenos) exóticas e indesejáveis ameacem nossa agricultura, e o estado de Sergipe não está livre destes riscos.

Nesta visão, maior atenção deve ser dada a citricultura, pois ela se destaca como uma das mais importantes atividades do agronegócio brasileiro, sendo os Estados de São Paulo, Bahia Sergipe e os principais produtores. A área atualmente plantada é de cerca de 1 milhão de hectares e a produção de frutas supera os 19 milhões de toneladas, a maior no mundo há alguns anos. O país é o maior exportador de suco de laranja concentrado e congelado cujo valor das exportações, juntamente com as de outros subprodutos, tem gerado cerca de 1,5 bilhão de dólares por ano.

A região Nordeste responde por 9% da produção nacional, constituindo-se na segunda maior região produtora do país, com mais de 110 mil hectares cultivados produzindo cerca de 1,5 milhão de toneladas. Dentre os estados produtores, o destaque fica com Bahia e Sergipe que representam juntos 90% de toda área plantada.

A produtividade dos citros no Brasil (20t/ha) é considerada baixa se comparada com a dos Estados Unidos (33t/ha). Na região Nordeste, incluindo o Estado de Sergipe a média de produtividade é ainda menor (14t/ha). Esta baixa produtividade está fortemente associada à incidência de pragas e doenças, com significativos reflexos nos custos de produção; ao nível de tecnificação dos pomares comerciais e à estreita base genética das plantas. Em contrapartida os produtores, a maioria pequenos, alegam baixo investimento e preços pagos pela fruta.

Em Sergipe, a citricultura tem grande importância econômica e social, sendo importante fonte de trabalho e renda. A área total cultivada com citros no Estado é de quase 55 mil hectares, sendo 45 mil em produção atualmente. A região centro-sul do Estado concentra a cadeia produtora e nela se destacam municípios como Arauá, Boquim, Cristinápolis, Estância, Itabaianinha, Itaporanga d’Ajuda, Indiaroba, Lagarto, Pedrinhas, Riachão do Dantas, Salgado, Tomar do Geru, Santa Luzia do Itanhy e Umbaúba. A produção média é de 700 mil toneladas por ano. Dentre as propriedades citrícolas, 80% possuem área inferior a 10 hectares e a população vinculada, direta e indiretamente à citricultura, é de aproximadamente 100 mil pessoas.

A produção de citros no Estado de Sergipe é superada apenas pelos Estados da Bahia e São Paulo, que inclusive produz frutos mais ácidos, cujo suco é preferido para exportação. A laranja sergipana é menos ácida e preferida para o consumo “in natura”. Com relação ao mercado, 60% da produção destina-se aos estados de Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte; cerca de 35% é destinada à indústria e o restante é consumido internamente.

Apesar de ser um importante produtor de citros no Brasil, o estado de Sergipe apresenta considerado déficit tecnológico em todas as etapas da produção, colheita, beneficiamento e transporte; fatores que interferem na vantagem competitiva da comercialização. Diante dos aspectos econômicos e sociais que os citros representam para o Estado é de suma importância a revitalização das áreas produtoras existentes e o fomento ao crescimento e instalação de novos pomares, já que o ambiente é favorável a produção de citros.

Para tanto será necessário aumentar o investimento tecnológico para garantir produtividade e rentabilidade desta cultura, para que o agricultor possa sentir segurança nesse setor do agronegócio. A criação de barreiras fitossanitárias (fiscalização de fronteira) a fim de garantir que nossos pomares permaneçam livres de doenças ainda não existentes no Estado é imprescindível, além do treinamento de Fiscais, Técnicos e produtores para detectar estas novas doenças e permitir seu controle rápido. O investimento em tecnologia em todas as etapas envolvidas na produção, fiscalização, bem como, em pesquisa visando à seleção de cultivares alternativas, tanto copa como porta-enxerto, que sejam produtivas e resistentes a pragas e doenças é fundamental, porém, um desafio importante passa pela organização dos produtores e a implementação de uma boa estrutura de comercialização.

Leandro Diniz e Viviane Talamini são pesquisadores da Embrapa Tabuleiros Costeiros
Luiz Mario Santos Silva e Marcelo Mendonça são pesquisadores da Emdagro

Fonte: http://www.portaldoagronegocio.com.br/conteudo.php?id=48644