Desafios, Contradições e Dificuldades

Fazer plantio direto sem o uso de herbicidas é um dos grandes desafios da atualidade para a pesquisa, assistência técnica e agricultores. Uma das principais críticas de quem defende o plantio direto é a de que os agricultores orgânicos costumam revolver demasiadamente o solo. Em nosso trabalho de pesquisa com produtores orgânicos, verificamos que ainda é grande o uso de implementos como a rotativa que movimentam excessivamente o solo, o que não está totalmente de acordo com os princípios orgânicos (Darolt, 2000). De outro lado, os agricultores orgânicos criticam os usuários do sistema plantio direto pelo uso exagerado de herbicidas, a grande dependência de empresas químicas, a possibilidade de contaminação das fontes de água com agroquímicos e o possível uso de sementes transgênicas.

Em verdade, a melhor saída para atender os preceitos da sustentabilidade seria a prática do plantio direto seguindo os princípios orgânicos. Muitos agricultores, que têm trabalhado com plantio direto no sentido de reduzir a utilização de agroquímicos, já se aproximam – em certa medida – do ideário da agricultura orgânica. Para se tornarem efetivamente orgânicos será necessário que a unidade de produção passe por um período de conversão.

O processo de mudança do manejo convencional para o orgânico é conhecido como conversão. Segundo as normas brasileiras, para que um produto receba a denominação de orgânico, deverá ser proveniente de um sistema onde tenham sido aplicados os princípios estabelecidos pelas normas orgânicas por um período variável de acordo com a utilização anterior da unidade de produção e a situação ecológica atual, mediante as análises e avaliações das respectivas instituições certificadoras.

Entretanto, para evitar arbitrariedades e distorções, as normas brasileiras estipulam um período mínimo para a produção vegetal de culturas anuais, como olerícolas e cereais por exemplo, de 12 meses sob manejo orgânico. No caso de culturas perenes, a propriedade deverá cumprir um período de conversão de 18 meses em manejo orgânico.  Para atender a legislação do mercado internacional o prazo é mais dilatado, sendo 24 meses para culturas anuais e um período de conversão de 36 meses para culturas perenes. Vale lembrar que os períodos de conversão acima mencionados poderão ser ampliados pela certificadora em função do uso anterior e da situação ecológica da propriedade.

O principal entrave técnico do período de conversão é, sem dúvida, o controle das infestantes. O que deve ser compreendido é que as infestantes devem ser manejadas como parte integrante do sistema. Nesta perspectiva, a tarefa não é eliminá-las indistintamente, mas definir o limiar econômico da infestação e compreender os fatores que afetam o equilíbrio entre infestantes e culturas comerciais. Vale lembrar que em agricultura orgânica evita-se o termo “planta daninha”, pois todas as plantas teriam uma função na natureza.

Não existem receitas ou pacotes prontos em agricultura orgânica, e a cada safra a estratégia de controle das infestantes pode ser alterada em função de variáveis como clima, nível de infestação, quantidade de cobertura, variedade utilizada, mercado etc.

Fonte: http://www.planetaorganico.com.br/daroltsist.htm

Moacir Roberto Darolt
Engenheiro Agrônomo, Doutor em Meio Ambiente, Pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), Ponta Grossa, C.Postal 129, CEP 84001-970, Fone/Fax: (42) 229-2829. E-mail: darolt@pr.gov.br

Francisco Skora Neto
Pesquisador IAPAR – Ponta Grossa,PR –
E-mail: skora@pr.gov.br

Trabalho publicado em 26/07/0