Reprodutivo

DEPs e a escolha do touro ideal

O uso das DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie), como ferramentas de avaliação da pecuária de corte, transformou a seleção do gado de arte para ciência, causando verdadeira democratização no mercado de touros da pecuária moderna. Antes do cálculo das DEPs, os pecuaristas se baseavam no pedigree e em avaliações visuais para determinar quais eram seus melhores reprodutores. Claro que selecionadores experientes atingiam grande porcentagem de acertos, mas a comprovação só viria, em média, três anos depois da decisão, com o uso do animal e nova avaliação de suas crias. No entanto, o risco era grande, já que decisões incorretas com a utilização da genética refletem-se durante muitos anos na produção de uma fazenda.

As DEPs, em outras palavras, podem ser interpretadas como o que esperar dos filhos de um determinado reprodutor. São ferramentas poderosas de comparação, já que têm como base valores relativos. Seu cálculo é feito com a comparação de determinado reprodutor (dono da DEP) com um animal de DEP zero ou com a base genética da população avaliada, e leva em conta uma série de fatores, de forma a isolar o valor genético dos efeitos do ambiente e manejo.

É importante lembrar que não é possível comparar DEPs calculadas por programas de seleção diferentes, já que as bases genéticas das avaliações não são as mesmas. Para exemplificar, se analisarmos um touro com DEP de peso ao desmame de 12 kg, podemos dizer que, em média, seus filhos serão 12 kg mais pesados na desmama que um touro com DEP zero.

Na hora de selecionar o touro para melhorar a genética da propriedade, um dos pontos fundamentais refere-se ao sistema de criação utilizado para produzir o touro que será escolhido. É importante priorizar animais oriundos de rebanhos que tenham sistemas de seleção semelhantes ao da propriedade onde eles serão usados. Por exemplo: para produzir carne em condições de pasto, deve-se buscar um touro criado em um sistema de seleção a pasto. Animais selecionados em um ambiente muito diferente da realidade de sua fazenda, como sistemas baseados em suplementação ou confinamento, podem não trazer os resultados esperados.

Claro que outros fatores também influenciam o resultado anual de uma propriedade, como ciclo de chuvas, temperatura média, disponibilidade de alimentos. Porém, com o uso das DEPs é possível afirmar que, ao usar um touro melhorador, o potencial genético dos animais será proporcional à qualidade do reprodutor. Assim, se dermos os recursos mínimos para esse potencial se expressar (água, pasto, sal mineral adequado e boas condições sanitárias), o resultado é garantido.

No entanto, não se deve apenas adotar o sistema; é preciso pensar em equilíbrio. Muita atenção é dada às DEPs de peso e carcaça, mas poucos programas de seleção têm sua atenção voltada aos critérios reprodutivos. Aspectos relacionados à reprodução podem ter impacto até 10 vezes maior na lucratividade do que aspectos relacionados à carcaça. Daí a importância da análise das DEPs de circunferência escrotal (CE), probabilidade de prenhez aos 14 meses (PP14) – que gera impacto positivo de 16% na lucratividade – e longevidade das fêmeas no rebanho de seleção (Stayability), ou seja, capacidade de uma matriz de permanecer no rebanho por mais de 6 anos.

Vários programas de melhoramento genético calculam DEPs de seus reprodutores e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) oferece a chancela do CEIP (Certificado Especial de Identificação e Produção) para os programas bem embasados em princípios científicos e com verdadeiro progresso genético. Por isso, animais com CEIP possuem as mesmas vantagens de animais registrados em associações de raça, como isenção fiscal e acesso a financiamentos. Além da garantia que o produtor realmente só comercializa até os 30% melhores animais de cada safra.

O touro ideal para trabalhar nos rebanhos brasileiros deve reunir todas estas características, isto é, avaliação genética, CEIP e ser oriundo de um programa de seleção adequado aos seus objetivos, que leva em consideração tanto características de peso e carcaça quanto de reprodução. Na hora da escolha, o pecuarista também precisa conhecer seu mercado e definir que tipo de animal oferecerá à sua região. É necessário, ainda, conhecer o seu rebanho de vacas e identificar as características que precisam de intervenção para melhoria.

Em busca do touro ideal, a Agro-Pecuária CFM (São José do Rio Preto) criou o Índice CFM (ICFM), fórmula que leva em consideração características de real valor econômico, na proporção que acreditamos ter maior impacto na produtividade e conseqüentemente, uma melhor rentabilidade. Basicamente, o ICFM é composto de 20% de DEP de peso ao desmame, 40% de DEP de ganho de peso pós desmama a pasto, 20% de musculosidade e 20% para perímetro escrotal. Dessa forma, a empresa mantém-se afastada de modismos, sempre focada em objetivos de seleção bem traçados: precocidade, musculosidade e ganho de peso 100% a pasto.

O uso correto das DEPs leva o pecuarista a tomar decisões que terão impacto direto na lucratividade. Decisões incorretas com o uso da genética se refletirão durante muitos anos na propriedade. Por isso, todo o cuidado é pouco na hora de escolher um fornecedor de touros.

Gabriela Giacomini
Zootecnista da Agro-Pecuária CFM
Informações adicionais podem ser obtidas pelo telefone 0800 127 111 ou pelo e-mail faleconosco@agrocfm.com.br

Fonte: http://grupocultivar.com.br/site/content/artigos/artigos.php?id=241