Custo de Produção

Decisão sobre importação de café robusta fica para a próxima semana, afirma Blairo Maggi

Publicado em 03/02/2017

A decisão sobre a importação de café robusta (conilon) ficou para a próxima semana, segundo disse o ministro da agricultura, Blairo Maggi, ao jornal Valor Econômico. O assunto será retomado na próxima terça-feira (7) após o presidente Michel Temer pedir ao ministro uma nova tentativa de acordo entre a indústria e o setor produtivo. O setor esperava uma decisão ontem (2) ou ainda hoje, uma vez que Blairo já se mostrou favorável à importação.

“Ontem estive com o presidente da República, e ele me chamou para falar sobre café. Expliquei toda a situação e ele me pediu para fazer mais uma reunião com o pessoal do Espírito Santo”, disse Maggi ao Valor com exclusividade.

Representantes da indústria de café solúvel e torrado e moído pleiteiam a importação de 200 mil sacas mensais desde o fim do ano passado, no período compreendido entre janeiro e maio, volume que seria isento da tarifa de importação. Acima disso, seria aplicada a Tarifa Externa Comum (TEC) de 35%. Os cafés poderiam ser importados de países como o Vietnã e Indonésia.

A Conab estimou os estoques de café robusta em cerca de 2,2 milhões de sacas de 60 kg no Brasil. O volume, segundo o Mapa, é considerado baixo para a manutenção da atividade da indústria brasileira. O Espírito Santo, maior estado produtor do grão, enfrenta consecutivas safras afetadas pela seca.

“Tecnicamente estamos bem embasados e eu estou convencido que isso (importação) deverá ser feito. Mas é um tema muito delicado para o Brasil. Raríssimas vezes o Brasil importou café e tem uma resistência muito forte por parte dos produtores, especialmente os do Espírito Santo, e os políticos do Espírito Santo estão mobilizados”, disse Blairo à agência de notícias Reuters. “É uma briga grande!”. O ministro foi chamado, inclusive, para falar com o presidente Michel Temer, que pediu “muita calma”.  “É uma decisão que, no momento que se tomar, ela vai criar arestas políticas”, afirmou o ministro.

Já o setor produtivo afirma que existe sim café disponível no país e que as indústrias não precisariam fazer a importação. Os números levantados pelos setores do café conilon apontam um estoque de 500 mil sacas disponíveis na Bahia, 200 mil sacas disponíveis em Rondônia e um pouco mais de 3 milhões de sacas no Espírito Santo.

Por: Jhonatas Simião
Fonte: Notícias Agrícolas