Café

De volta o Departamento do Café

22/08/2016

O anúncio da recriação do Dcaf (Departamento do Café) do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), feito pelo ministro Blairo Maggi, na última semana, foi comemorado pelo setor produtivo de Minas Gerais e de demais regiões produtoras do grão. O órgão é considerado fundamental para dar agilidade à criação de políticas públicas para o setor e para auxiliar na distribuição e uso dos recursos financeiros disponíveis, como os do Funcafé (Fundo de Defesa da Economia Cafeeira).

Com a extinção do departamento, ocorrida em julho de 2015, o setor produtivo do café passou a enfrentar grande burocracia na resolução de gargalos, já que as decisões passaram a ser tomadas em órgãos distintos.

O anúncio da recriação do Dcaf foi feito por Maggi durante visita ao município de Guaxupé, no Sul de Minas Gerais, na última semana. Na oportunidade, o ministro visitou fazendas produtoras, as estruturas da Cooxupé (Cooperativa Regional dos Cafeicultores em Guaxupé) e se reuniu com representantes do setor cafeeiro.

A decisão de criar um órgão específico para o café no Mapa foi avaliada com um importante avanço para o segmento, que deixará de enfrentar burocracias que travam as decisões necessárias para o avanço do setor.

Segundo o presidente das Comissões de Cafeicultura da FAEMG e da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Breno Mesquita, antes de ser extinto, todas as demandas do setor, como as políticas públicas, os recursos e as reuniões para fatiar os recursos e atender a todo o setor, eram concentradas no Dcaf, o que garantia maior agilidade nos processos.

Segundo ele, com a reestruturação imposta pela então ministra Kátia Abreu, “as funções do Dcaf foram distribuídas em vários setores e os mesmos ficaram distantes, o que prejudicou demais o andamento dos processos. Desde aquela época, o nosso pleito era pela recriação de departamento, para termos mais agilidade na apresentação de propostas e demandas. O ministro Blairo Maggi se mostrou muito sensível à nossa demanda e entendeu que o setor é importante, que tem recursos próprios e que seria justo ter este órgão específico. Estamos muito satisfeitos com o posicionamento”, explicou Mesquita.

Ainda segundo Mesquita, a expectativa é que o início das atividades do Dcaf aconteça em curto prazo. “Tudo que se relaciona ao café será concentrado no departamento e a centralização é muito importante. Estávamos discutindo há algum tempo sobre a recriação do Dcaf e, por isso, acreditamos que o ministro já está articulado e que o início do funcionamento será rápido”, explica.

Desburocratização

O presidente da Cooxupé, Carlos Paulino da Costa, também acredita que a recriação do Dcaf trará agilidade ao setor. Durante o encontro, também foi anunciado o lançado de um pacote de medidas, que segundo o ministro Maggi promoverão o setor agrícola. De acordo com os dados do Mapa, elas trarão benefícios que podem chegar a R$ 1 bilhão na economia.

“O ministro se mostrou disposto a resolver problemas enfrentados pela cafeicultura e pelo setor agropecuário como um todo. Além da recriação do Dcaf, ele falou sobre o lançamento de 60 medidas para a desburocratização do Mapa, que deve acontecer até o final do mês. Para isso, criou uma comissão que vai estudar normas antigas e ajustá-las aos setores. Isto é muito positivo para a produção”, explicou.

Paulino também avaliou como positiva a disponibilidade do ministro Maggi em conhecer a cultura do grão e outras tantas distribuídas pelo País. “Ao conhecer o setor produtivo e a importância social e econômica, o ministro Maggi pretende fazer a divulgação do café e de outros produtos nas viagens internacionais”.

Fonte: Diário do Comércio