Pecuária

Custo de Produção – Preços de formação de um cavalo Mangalarga

Quanto custa um cavalo Mangalarga formado?
O que podemos considerar custo de produção na criação de cavalos?
Instalações, manutenção, depreciação, custo financeiro, investimento em plantel, mão de obra, consultorias, etc.
Vamos fazer uma análise simplificada.
Uma matriz de boa qualidade deve custar no mínimo entre 10 e 20 mil reais, supondo que consigamos extrair dela 12 produtos em média teremos cada barriga custando aproximadamente R$ 1.000,00
A cobertura de um bom garanhão deve sair por volta de R$ 1.500,00 no mínimo, portanto já estamos em R$ 2.500,00 e o potrinho nem começou a ser gestado.
Desconsiderando custos de acompanhamento veterinário e procedimentos de transferência de embrião que poderiam encarecer em mais R$ 3.000,00 nossas contas, vamos começar a manter somente a égua e seu produto.

Lá em casa gasto todo mês:

R$ 50,00 com ferreiro (só para casquear, ferradura seria uns R$ 75,00)
R$ 90,00 com ração (90 kg por mês, R$1,00/kg entregue na propriedade)
R$ 60,00 com mão de obra (rateio por animal)
R$ 60,00 água, luz e manutenção (rateio por animal)
R$ 10,00 custos veterinários (3 visitas por ano/ rateio por animal)
Desconsiderando alguma eventualidade temos por mês um custo de R$ 270,00 por mês/animal
Para nosso produto nascer são 11 meses, ou seja, R$ 2.970,00
Após o nascimento o nosso produto passa a custar pouco, pois está mamando, portanto dos 3 anos até sua plena formação vamos desconsiderar os 6 primeiros meses.
Portanto são mais 2,5 anos, que custarão R$ 8.100,00.
R$ 13.570,00 é esse o número final da minha grosseira matemática da criação de cavalos semi confinados.

Vamos criar a pasto então?!!!

Não se enganem um cavalo criado a pasto não sai muito mais barato do que isso não.
Um pasto bem formado deve suportar por volta de 2 a 3 UA/hectare e mesmo assim em certos períodos como gestação e amamentação a égua deve receber uma suplementação mínima de ração.
Considerando um custo de R$ 15.000,00 a R$ 25.000,00 por hectare no estado de São Paulo e um custo financeiro de 0,5% ao mês, esse animal custaria para viver nesse pasto por volta de 40 a 50 reais/mês. Considerando o custo de formação e manutenção do pasto, teríamos um animal custando por volta de R$ 80,00 por mês em regime de pasto.
Portanto à pasto nosso potro custaria R$ 2.500,00(genética), R$ 2.970,00(manutenção égua gestante R$ 270,00 X 11 meses), R$ 6.600,00(criação do potro a pasto R$ 220,00 X 30 meses), somando R$ 12.070,00
Potro semi-confinado: R$ 13.570,00 + R$ 300,00(custos de registro) = R$ 13.870,00
Potro a pasto: R$ 12.070,00 + R$ 300,00(custos de registro) = R$ 12.370,00
Proporções de custo:

% Custos Potro a Pasto/Potro Semi Confinado
Genética: 21% ou R$ 2.500,00/18% ou R$ 2.500,00
Manutenção Gestante: 24% ou R$ 2.970,00/22% ou R$ 2.970,00
Criação até 3 anos: 55% ou R$ 6.600,00/60% ou R$ 8.100,00
Total: 100% ou R$ 12.370,00(c/reg.)/100% ou R$ 13.870,00(c/reg.)

Conclusões:
Visivelmente o maior custo é o de manutenção ou criação, portanto alternativas para baratear os custos de manutenção do plantel são importantes. Ganho de escala com aumento do plantel, criação em terras com custo mais barato, venda de potros logo após o desmame e venda de coberturas de garanhões, são medidas que podem viabilizar financeiramente o haras.
Outro problema é como vender um produto desse preço??? Atualmente as médias dos leilões de cavalos da raça Mangalarga gira em torno dos R$ 12.000,00 a R$ 20.000,00 aparentemente ainda dentro da nossa faixa de custo, mas nem sempre as vendas atingem esses preços e deve-se considerar também os custos de inscrição em leilões, que giram em torno de R$ 2.000,00 mais frete, parcelamento e comissão que podem “capar” até 35% de nosso valor de venda. Não analisaremos lotes mais caros, pois são geralmente animais com um extenso currículo de pistas, comprovada vida reprodutiva e um custo genético altíssimo, variáveis não mensuráveis. Esses, portanto fogem ao escopo deste artigo, pois são exceção.
Enfim é importante a análise de custos de produção, pois o controle financeiro do haras e um bom planejamento em longo prazo podem garantir a permanência na atividade e melhorar as expectativas de criadores iniciantes muitas vezes afoitos por resultados imediatos. Na eqüinocultura temos que pensar no longo prazo e trabalhar com muita calma e consciência.

Fonte: http://mangalargapatriota.blogspot.com/2010/04/precos-de-formacao-de-um-cavalo.html