Pesca

Cultivo de peixes ornamentais em esgoto tratado vira alternativa para piscicultores

A prática do cultivo de peixes ornamentais em esgoto tratado doméstico pode se tornar uma alternativa para piscicultores que desejam ter mais produtividade em suas criações, conforme aponta estudo feito pela Universidade Federal do Ceará (UFC) a pedido da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece).

Segundo estudo da Cagece, o uso de efluentes domésticos, além de influenciar no nível de produção, possui mais qualidades que a água de poço na atividade da piscicultura. As vantagens do efluente tratado de esgoto são alto nível da taxa de proteínas, baixo custo e a reciclagem de nutrientes. O estudo com tilápias e peixes ornamentais se deve ao fato de serem peixes filtradores, ou seja, que consomem algas, detritos orgânicos e plânctons, presentes no esgoto doméstico.

Alguns parâmetros zootécnicos foram analisados durante cultivo dos peixes, como crescimento em comprimento, crescimento diário, ganho de peso, ganho de peso diário e produtividade. Os resultados da análise, coordenado pelo professor Rafahel Fontenele, indicam que uma tilápia adulta cultivada em água de poço atinge em média 800g, com o cultivo em água de esgoto, os peixes chegam a atingir 1kg.

Os peixes são criados em viveiros de alvenarias no Centro de Pesquisa sobre Tratamento de Esgoto e Reuso de Águas, situado no município de Aquiraz, distante 27km de Fortaleza. Ao todo, são nove viveiros com volume de 50m³ providos com tela de proteção e abastecidos com esgoto doméstico tratado. Por viveiro, são estocados 150 peixes vivos, ou seja, três peixes por m³.

Os estudos realizados pela Universidade Federal do Ceará a pela Cagece apontam que os peixes criados nos efluentes tratados apresentam qualidade para o consumo humano. Durante todo o processo de pesquisa, os peixes foram submetidos ao controle microbiológico. Para universalizar este procedimento, a Cagece e a UFC estão estudando esquemas para viabilizar a ideia aos municípios com o objetivo de gerar renda a famílias cearenses.

Tilápia e peixes ornamentais

As primeiras tilápias criadas em viveiro foram doadas pela Cagece a instituições de caridade. A carne do peixe é branca e considerada saborosa. O nível de gordura é baixo e não há espinha intramuscular. Além do filé, parte mais nobre da tilápia, o peixe pode ser totalmente aproveitado. O couro do peixe também pode ser utilizado na fabricação de couros e bolsas; já as vísceras podem virar farinha e ração animal.

A criação de peixes ornamentais pode ser uma opção de lucro. O cultivo é muito simples e o custo bem baixo.

Fonte: Governo do Estado do Ceará (26.11.2010)