Pecuária

Cultivar sem aristas é a aposta para engordar o gado

08/03/2016

Tecnologia desenvolvida  pela Biotrigo Genética, oTBIO Energia I é a primeira cultivar de trigo do Brasil posicionada exclusivamente para produção de silagem, feno e pré-secado.

Com um rebanho bovino na casa dos  209 milhões de cabeças, o Brasil possui uma das maiores pecuárias do mundo, mas não necessariamente a mais eficiente. Um dos gargalos da bovinocultura nacional é a produção de alimento dos animais, justamente no fator que determina a sua produtividade. Mas um novo alimento está chegando ao ‘prato’ do boi brasileiro. O TBIO Energia I chega ao mercado como a primeira cultivar de trigo do Brasil posicionada exclusivamente para produção de silagem, feno e pré-secado para alimentação animal. A cultivar, que é uma alternativa para produção de volumosos, não é concorrente da silagem de milho, pois os seus estabelecimentos nas lavouras se dão em épocas diferentes, minimizando, desta forma, a sazonalidade na produção de forragem.

Rica em energia, a silagem é considerada um dos alimentos mais apropriados para a alimentação dos animais nos sistemas de produção de leite ou de carne. Considerando os benefícios na dieta animal, o zoonecnista e Técnico em Novos Negócios da Biotrigo Genética, Edérson Henz, ressalta que o trigo é uma excelente forrageira no aspecto bromatológico, pois possibilita grandes produtividades de forragem por área em menor tempo, com qualidades nutricionais desejáveis a alimentação dos animais. “Sem presença de aristas, o cereal não fere o trato digestivo do animal como um trigo comum e a cevada, por exemplo, proporcionando uma ótima alternativa na alimentação do gado de leite e de corte”, afirma. Com alto teor de proteína e volume, o trigo enriquece a dieta com amido e energia possibilitando maiores ganhos na produção leiteira e no peso dos animais destinados para corte. “No caso do Energia, testes realizados mostraram que a produção atingiu níveis superiores as 1.100 kg por hectare de leite por tonelada de MS (matéria seca)”.

Para o médico veterinário da Imacol (Comércio de Insumos e Máquinas Agrícolas Santo Augusto), Jarbas Tadeu Sperotto, que também testou o material, o trigo tem grande importância na dieta animal, proporcionando uma absorção mais rápida e mais proteína em relação ao milho. “O Energia é geneticamente preparado para produção de silagem e só vem a ajudar”, ressalta.

Para engordar e nutrir o gado

A cultivar apresenta uma maior produção de matéria seca, aumentando o rendimento para silagem. De acordo com o engenheiro agrônomo e professor do departamento de zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Julio Viégas, e o médico veterinário e doutorando em zootecnia, Eduardo Garcia Becker, o TBIO Energia I apresenta uma melhor produção de energia, o que é o grande diferencial para gado de leite. “É uma silagem, com certeza, superior. Para o produtor, a expectativa é que vai ter um material com maior qualidade para produção de leite e também para gado de corte”, argumenta Viégas. Becker desenvolve pesquisa no curso de doutorado acerca do tema, sob orientação do Prof. Julio Viégas. De acordo com o doutorando, o material apresentou Ph (4,6) – considerado perfeito para conservação da forragem e adequado para ensilagem-, e MS (matéria seca) de 40% no momento da ensilagem. “Mesmo o Ph sendo superior, o material ensilado apresentou excelente fermentação e conservação. Além disso, a matéria seca mais elevada, em relação a cultivares mais tradicionais, é devido a maior participação de grãos e não de colmo, o que significa maior contribuição de energia na dieta dos animais”, complementa.

Proteger o solo e gerar uma renda extra

A cultivar possui ciclo médio com corte precoce, o que permite a antecipação da cultura sucessora. “Este trigo chega como uma nova ferramenta para o pecuarista tendo finalidade de suprir uma demanda de produção de forragem com boa qualidade no período de inverno-primavera (quando existe uma grande área disponível), permitindo assim que sejam produzidos e conservados os alimentos para serem ofertados durante os períodos do ano de maior escassez e suprindo o déficit de forragem causada por uma frustração na safra de milho”, explica Henz. O sistema de produção de alimentos conservados para os rebanhos, nesse período, dá uma maior segurança no planejamento forrageiro.
Já no complexo de doenças, o material apresenta boa sanidade na parte aérea, de fácil manejo fitossanitário que é atribuído ao bom nível de tolerância às principais doenças. Henz lembra que, independentemente das condições climáticas, deve-se sempre fazer bom investimento para garantir área foliar saudável, o que minimiza perda de qualidade do volumoso. Para o bolso do produtor, a vantagem é o potencial de produção de biomassa. “É possível chegar a 30 toneladas por hectare de MV (matéria verde), o que para cereais de inverno é uma excelente produção”, destacou.

Lançamento na Expodireto

O lançamento oficial da nova cultivar TBIO Energia I acontece na Expodireto Cotrijal 2016, em Não-Me-Toque (RS). Em 2017, clientes estratégicos da Biotrigo irão receber um volume para multiplicação, assim, em 2018 os agricultores pecuaristas terão acesso a cultivar para implementar em suas propriedades. A tecnologia é destinada para a região sul do PR e para todo SC e RS.

Pontos fortes do TBIO Energia I:
– Aumento da produção de alimentos, em menores áreas;
– Melhor aproveitamento de área;
– Diminui o risco de déficit de alimento para o rebanho;
– Alternativa de alimento conservado em períodos de escassez alimentar;
– Manutenção ou aumento da produção leite/carne em períodos de menor qualidade na oferta em forragens/volumoso, manutenção do fornecimento de alimento;
– Alto valor nutricional devido a relação na produção de grãos e biomassa;
– Aumento da área cultivada de soja no verão (maior ganho econômico);
– Reduzir os riscos no período de transição de pastagens (vaziou outonal), e consegue manter o fornecimento de alimento;
– Integração lavoura –pecuária;
– Permanece com cobertura verde durante o período do inverno, auxiliando no controle de plantas daninhas, pragas e doenças, além de reduzir os riscos de ocorrência de erosão.
Algumas atenções sobre TBIO Energia I:
– Não é trigo indicado para duplo propósito, pois seu período vegetativo é menor que outras cultivares para este fim.
– Não é trigo para produção de grãos para a indústria moageira. TBIO Energia I não tem aptidão industrial, ou seja, não atende os requisitos mínimos de qualidade industrial para farinhas, então seu uso deve-se ser exclusivamente para corte de planta inteira e em alguns casos o grão ser utilizado na ração animal.

Fonte: Agrolink