Cana de Açúcar

Crise da cana-de-açúcar motiva criação de Frente Parlamentar em São Paulo

08/10/2013

 

“A Frente não era um movimento contra ninguém, mas, sim, a favor do Brasil” falou durante o evento o deputado Welson Gasparini

 

Em audiência realizada no auditório Franco Montoro, na Assembleia Legislativa de São Paulo, foi instalada no dia 2 de outubro a Frente Parlamentar em Defesa do Setor Sucroenergético. De iniciativa dos deputados estaduais Roberto Morais (PPS), de Piracicaba, e Welson Gasparini (PSDB), de Ribeirão Preto, a frente foi constituída com o objetivo de reunir o setor para enfrentar o momento difícil que a cadeia sucroenergética atravessa, marcada pela falta de investimentos em greenfields, pela remuneração depreciada dos produtos do setor, principalmente do etanol, que sofre com a manutenção artificial dos preços da gasolina pela Petrobras, e pela carência de políticas públicas que estimulem a retomada do crescimento da cadeia.

Participaram do evento representantes da  indústria de bens de capital e serviços, das usinas, produtores de cana, entidades representativas, além de autoridades políticas, entre deputados, prefeitos e vereadores de todo o Estado.

“A Frente não era um movimento contra ninguém, mas, sim, a favor do Brasil. Há um quadro desalentador representado pelas usinas que paralisaram suas atividades na última safra e as que pretendem paralisá-las na próxima, além dos 100 mil trabalhadores que perderam os seus empregos e, ainda, o parque industrial com mais de 50% da sua capacidade produtiva ociosa”, falou durante o evento o deputado Welson Gasparini.

AÇÕES CONTRA O COLAPSO DA CADEIA – Segundo Gasparini, a Frente Parlamentar tem um caráter suprapartidário, constituída com o apoio de representantes de 12 diferentes partidos políticos. “São das mais variadas tendências, mas unidos por uma causa comum: a preservação de uma energia 100% ecológica e renovável”, frisou.

A Frente tem o objetivo de estabelecer metas que atendam as demandas do setor sucroenergético, trabalhando para que sejam atingi-las. Um dos objetivos é sensibilizar a presidenta da República, Dilma Rousseff, da importância do setor e do quanto o País perde com a crise que está enfrentando.

Diante desse desafio, a articulação da Frente Parlamentar precisa ecoar até o Palácio do Planalto. Por isso, a bancada paulista de deputados federais tem grande importância. Marcando posição de apoio, estiveram presentes no evento, em São Paulo, os deputados federais Arnaldo Jardim (PPS), Mendes Thame (PSDB) e Duarte Nogueira (PSDB), que se irão instalar uma Frente Parlamentar em Defesa do Setor Sucroenergético em nível federal, o que está marcado para acontecer no dia 5 novembro.  Será a “Frente do Etanol”.

Além disso, da audiência da semana passada surgiu a proposta de criação de “Frentes Parlamentares” em cada um dos municípios canavieiros do País – proposta feita pelo vereador Maurício Gasparini, de Ribeirão Preto, com o objetivo de articular localmente forças favoráveis ao fortalecimento do setor.

“Quem não fala e fica quieto não é ouvido”, exclamou o deputado Welson Gasparini, exaltando a importância da criação das frentes parlamentares. “Temos que exigir que o governo faça a sua parte. Não podemos ficar parados diante do cenário atual”, disparou Manoel Ortolan, presidente da Orplana (Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil). Segundo ele, a criação dessa frente é um ato político em favor do retorno do crescimento e visa evitar o colapso da cadeia sucroenergética.

Os efeitos da crise vivida pelo setor já são sentidos nos municípios canavieiros. Sertãozinho, na região de Ribeirão Preto, é um deles. O prefeito sertanezino Zezinho Gimenez relatou, durante a instalação da Frente Parlamentar, em São Paulo, o quanto a cidade está sendo prejudicada pelo momento atual do setor. “São 500 indústrias em Sertãozinho e 70% são ligadas ao setor. No ano passado, a cidade perdeu com a crise 10% da arrecadação do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), o que deve se repetir este ano.”

POSIÇÃO DA UNICA – O lançamento da Frente contou com a presença da secretária da Agricultura do Estado de São Paulo, Mônika Bergamaschi, da presidenta da Unica (União da Indústria da Cana-de-açúcar), Elizabeth Farina, do presidente da Udop (União dos Produtores de Biooenergia), Celso Junqueira Franco, de representantes da CEISE Br e de diferentes grupos do setor.

Durante o evento, a presidente da Unica apresentou, através da assessoria de imprensa, uma nota em que parabeniza a criação da Frente Parlamentar. Segundo Elizabeth Farina, todos os esforços que contribuam para deixar clara a situação difícil do setor serão muito úteis, especialmente aqueles que reúnem inúmeros apoios vindos da cadeia produtiva como um todo.

“A Frente é apoiada por produtores, fornecedores de cana, prestadores de serviços, parceiros e trabalhadores, além dos prefeitos de inúmeros municípios, todos diretamente impactados pela situação”, afirmou Elizabeth, destacando ainda que talvez o aspecto que melhor reflita as dificuldades econômicas que o setor enfrenta seja a ausência de investimentos em novas unidades produtivas. “Em 2009, chegamos a inaugurar 30 usinas novas em um único ano. De 2002 a 2010, foram mais de 100 novas usinas. Hoje não há uma única usina nova contratada ou em processo de contratação.”

 

Fonte: Uagro