Raças

Criadores participam da avaliação de animais no teste de desempenho de ovinos Morada Nova

O quarto teste de desempenho de ovinos Morada Nova, promovido pela Embrapa Caprinos e Ovinos no município de mesmo nome, a 172 km de Fortaleza (CE), foi marcado por uma novidade: a participação dos produtores na avaliação dos animais.

O objetivo do teste, que faz parte do projeto de conservação e melhoramento genético da raça, foi selecionar reprodutores e dar subsídios para que os criadores comparem o mérito genético de seus animais com os de outros criatórios. “A lógica deste trabalho é neutralizar o efeito ambiente igualando o manejo. As diferenças no desempenho serão em função da constituição genética dos animais”, explicou o pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos, Olivardo Facó.

Trinta e cinco animais, com idade entre 4 e 6 meses (entre 12 e 25 kg), de nove criatórios participaram do teste. Após serem recebidos no Parque de Exposições do município, foram inspecionados, receberam vermifugação e complemento vitamínico. Durante 93 dias, os ovinos receberam alimentação rica, com feno de Tifton e concentrado, oferecida com abundância. Eles foram pesados a cada 14 dias e no dia 24 de setembro aconteceu à pesagem final, a medição do perímetro escrotal, além de exame de ultra-som para verificar a cobertura de gordura e área de olho de lombo.

Durante o teste, os ovinos foram avaliados quanto ao ganho de peso médio diário, perímetro escrotal (que tem relação com a fertilidade); área de olho de lombo (ligado à proporção de partes nobres) e espessura de gordura (que garante a maciez da carne). Posteriormente, os animais foram julgados por especialistas quanto à conformação, tipo racial e aprumo.

A avaliação feita pelos produtores, alguns deles donos de animais participantes do teste, levou em consideração os mesmos aspectos dos juizes. Joaquim Bezerra de Araújo Filho, técnico agrícola e criador há 50 anos, considera muito importante o envolvimento dos criadores neste processo. “Os ovinos Morada Nova são um patrimônio do município que estava sendo extinto e estamos procurando resgatar com criatórios particulares. Não temos animais para atender nem a demanda local, acredito que o projeto é um grande avanço”, afirmou.

Os resultados preliminares desse julgamento indicam que os criadores avaliaram bem os animais que se classificaram mal no teste de desempenho. “Está havendo uma contradição entre a caracterização racial e o desempenho dos animais. As características da expressão racial não podem ser um impedimento para o melhoramento genético da raça”, ponderou Facó.

Fonte: Embrapa Caprinos e Ovinos

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