Pecuária

Creme de leite: opção saudável e que agrega valor à produção leiteira no país

13/09/2016

A demanda por alimentos mais saudáveis traz uma grande oportunidade para empreendedores do setor leiteiro no Brasil: a produção de creme de leite desnatado.

Dado o tamanho do mercado brasileiro – quinto do mundo e que aumentou em 54% a produção em apenas 10 anos –  a fabricação de creme de leite pode agregar valor a muitos produtores, como destaca recente relatório do Sistema de Inteligência Setorial (SIS) do Sebrae, lembrando que a saudabilidade e o bem-estar são algumas das principais tendências mapeadas pelo Brasil Food Trends 2020.

O creme de leite é a gordura que foi separada do leite, que se torna desnatado – essa separação ocorre geralmente por centrifugação do líquido. Há diversos tipos no mercado: o fresco contém pelo menos 48% de gordura, é mais encorpado e pode ser batido em chantilly. O de caixinha ou lata, mais líquido e leve, tem 18% de gordura e passa pelo processo de temperatura ultra alta (UHT) para prolongar a validade. Já o food service é voltado para empresas que trabalham com alimentos, costuma ser acondicionada em caixas de um litro e contêm entre 24% e 27% de gordura. Os azedos e fermentados, como o sour cream e o creme fraiche, têm percentual de gordura entre 18% e 27% (respectivamente) e acidez maior devido a fermentação bacteriana láctica.

Para obter maior rendimento e qualidade do creme de leite, o processo de desnatamento do leite deve ser realizado imediatamente após a ordenha, em que a temperatura do líquido é aproximada de 33 a 35ºC. A produção demanda equipamentos como:

·  Silos: utilizado para resfriar e estocar o leite até que se inicie o processo de fabricação do creme de leite.
·  Desnatadeira: realiza a separação do creme de leite, ou nata, e o leite desnatado.

·  Tambor: utilizado para processos associados ao de pasteurização.

·  Esterilização: equipamento para o processo de esterilização, ou ultra-high temperature (UHT).

·  Máquinas de envase: utilizado para o envase e embalamento do produto. Existem diferentes tipos de equipamentos, dependendo do tipo de embalagem que for escolhido: lata, caixinha, ou outro tipo

Estabelecimentos que trabalham com o segmento de creme de leite estão submetidos a uma série de normas e leis, como o Regulamento da inspeção industrial e sanitária de produtos de origem animal – RIISPOA (que abrange higiene dos estabelecimentos, embalagem e rotulagem, classificação de produtos, meios de transporte, entre outros aspectos), a portaria N146, que aprova os regulamentos técnicos de identidade e qualidade dos produtos lácteos, o regulamento técnico de identidade e qualidade de creme de leite (aspectos físicos e químicos para o produto) e a instrução Normativa n. 23, que estabelece o regulamento técnico de identidade e qualidade de nata.

Aos empreendedores que querem iniciar a produção de creme de leite, o SIS/Sebrae recomenda:

·   Desenvolver embalagens e rótulos atrativos ao consumidor. Para isso, é interessante atentar para o Brasil Food Trends 2020 e Brasil Pack Trends 2020, que tratam de tendências na área de alimentos e de embalagens. É importante contratar um designer para desenvolver a embalagem de acordo com o regulamento Técnico para rotulagem de produtos de origem animal embalado, da IN n. 22/2005
·  Considerando o alto investimento para obtenção do Selo de Inspeção Federal, é interessante cogitar o cooperativismo como estratégia para agregar valor à produção. Além de corroborar com menores custos associados ao SIF, o cooperativismo contribui para o acesso do produto ao mercado, obtenção de autorização de produção e venda do produto, entre outros aspectos.
·   Busque capacitação e participação em eventos da área e assuntos relacionados ao negócio. Além de se manter atualizado, essas oportunidades possibilitam networking que podem resultar em parcerias e negócios. Para tanto, confira cursos oferecidos pelo Sebrae EaD e Senar SC, e confira o calendário de eventos que ocorrem no País.

Fonte: Agrolink